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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

O que “eles” vêm fazer aqui, Santo Deus?

Acho que não consigo ser mais claro do que sou habitualmente. “O que fazem algumas pessoas neste blog?”, eu me pergunto. Por que tantos tentam me provar que o Piauí é um lugar de valor? Eu lá me importo com isso? Não são as belezas e maravilhas do estado que estão em debate, mas a […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 12h27 - Publicado em 27 mar 2011, 22h38

Acho que não consigo ser mais claro do que sou habitualmente. “O que fazem algumas pessoas neste blog?”, eu me pergunto. Por que tantos tentam me provar que o Piauí é um lugar de valor? Eu lá me importo com isso? Não são as belezas e maravilhas do estado que estão em debate, mas a liberdade de expressão. É claro que ela não é um “direito absoluto”, como dizem alguns. Nenhum direito é. Mas será ela direito tão relativo a ponto de não se poder fazer uma piada sobre uma cidade, ainda que depreciativa? As coisas que chegam são espantosas. Fala-se abertamente que o tal ator deveria ter sido espancado! Teresina deve ter maravilhas e mazelas, como qualquer lugar. A cidade há de suportar também aqueles que eventualmente a detestem.

Poucas coisas me tiram do prumo; esse tipo de pressão e patrulha contribui para eu ficar ainda mais convictamente centrado.  Sei bem o que escrevi. Está disponível. Ocorre que há vagabundo entrando na página para comentar a acusação alheia. O exemplo mais freqüente é a mentira de que chamei os piauienses de “caipiras ressentidos”. Não! Assim classifiquei os que decidiram babar de ódio, na certeza de que foram alvos de uma ofensa gravíssima. Caramba! Se nordestinos, nortistas, sulistas, centro-oestinos, cariocas, mineiros ou capixabas postarem uma mensagem em alguma rede social atacando São Paulo, devo sentir-me pessoalmente ofendido por isso? Ah, eu não me sinto! Se essa pessoa hipotética escrever — e não foi o que fez o rapaz — que “todo paulista é (escolham aí o xingamento)”, posso até me zangar, responder, dizer que não sou etc. MAS ACEITAR QUE SE PUNA ALGUÉM POR ISSO? A propósito: paulistas estão de tal sorte acostumados a ser malhados que não dão bola para essas coisas.

É espantoso! Muitos não conseguem ler o que escrevi — na madrugada, farei uma reflexão sobre os limites da linguagem em ambientes “fascistizados” ou fanatizados — nem o que escreveram os próprios comentaristas. Acusam-me de não publicar opiniões diferentes das minhas. É uma mentira estúpida! Nos dois posts a respeito do Piauí, a maioria dos comentários, com folga, me contesta. Excluí os que entraram unicamente com o propósito de me ofender, de me atribuir coisas que não escrevi ou de, acreditem, incitar a violência. E ainda tentam: “Vamos ver se você realmente preza a liberdade de expressão…” Pfui! Liberdade não é sinônimo de delinqüência. E que se note: eu simplesmente deixo de publicar o comentário, que ele pode emplacar em qualquer outro blog por aí. Pode até fazer o seu próprio. Não casso o teatro de ninguém; não uso o estado para constranger a pessoa em questão.

Vocês me conhecem. Sabem que o indivíduo, pra mim, é o templo da democracia — aliás, também o é da minha religião. Eu me importo com pessoas, não com categorias, grupos, claques, classes, seja lá como queiram chamar. Por isso me provoca o fato de que alguém, por ter dito algo infeliz, por mais estúpido que seja, possa sofrer conseqüências de uma autoridade do estado. O motivo é simples: esse estado detém o monopólio da força para fazer valer a lei; ela só pode ser exercida se não agredir um direito individual. As leis existem para proteger do estado o indivíduo. Só nas sociedades totalitárias é que se faz o contrário. Os piauienses insatisfeitos com o que disse o tal ator poderiam ter, por exemplo, iniciado um movimento de boicote à peça. Posso até achar uma tolice, mas seria legítimo. Cassar a licença? Jamais! É coisa de ditadores!

Digam-me cá: isso é muito diferente dos censores que obrigavam Chico Buarque — para citar um símbolo de certas correntes de pensamento — a substituir palavras em suas músicas? Ou que proibiam letras inteiras? Por que é diferente? Será a liberdade de expressão aceitável apenas quando as pessoas dizem coisas com as quais concordamos?

Não! Eu não conseguirei ser mais claro do que já fui. Não está em julgamento se Teresina é ou não o cu do mundo. Como metáfora de coisa ruim, não deve ser. Consigo pensar em uns 10 lugares piores em dois segundos. Esse é um debate cretino. Igualmente estúpido é fazer digressões sobre o direito que as pessoas têm de se sentir ofendidas. Ele é sagrado. A questão é saber se o estado pode ser mobilizado para punir a simples manifestação de uma opinião.

Eu não consigo ser mais claro do que isso. E se, para alguns, isso ainda não é clareza o bastante, então têm mais é de deixar o meu blog de lado.  Façam um bem a si mesmos e até a terceiros: há blogueiros implorando por leitores.  Não é o meu caso. Esta página exige mesmo algumas precondições para ser minimamente entendida. Uma delas é reconhecer que as palavras fazem sentido.

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