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O programa do PSDB e a rotina das pequenas e patéticas conspiratas. Ou: programa foi ao ar, e partido está pior do que antes

Há pouco, vocês viram o programa político do PSDB. Há duas coisas a comentar: o produto em si e as circunstâncias. Começo pelas circunstâncias. A versão que foi ao ar não é aquela que chegou a alguns jornalistas e que era dada como a final. Sabe-se lá por quê, mas se pode presumir, Sérgio Guerra, […]

Há pouco, vocês viram o programa político do PSDB. Há duas coisas a comentar: o produto em si e as circunstâncias. Começo pelas circunstâncias. A versão que foi ao ar não é aquela que chegou a alguns jornalistas e que era dada como a final. Sabe-se lá por quê, mas se pode presumir, Sérgio Guerra, presidente do partido, aproveitou e deu mais um, como posso chamar?, golpezinho, reeditando o vídeo.

Na versão para o público, imagens de José Serra, candidato do partido à Presidência e ex-governador de São Paulo, foram cortadas, resumindo-se a uma aparição relâmpago. Já o senador Aécio Neves, acompanhado do governador Antônio Anastasia, ganhou mais destaque. Também o governador Geraldo Alckmin, de São Paulo, foi alvo da tesoura de Guerra. No primeiro formato, ele era uma espécie de apresentador dos demais governadores. Uma referência a Aloysio Nunes Ferreira (SP), senador mais votado da história do Brasil, também foi banida.  “Aécio é pré-candidato à Presidência”, dirão alguns. É verdade. Hoje, é tão senador como Aloysio — ou eu perdi algum evento?

Vênia máxima, esse é o caminho da perdição. Os tucanos façam o que bem entenderem de seu partido — já que, por ora, não conseguem mesmo fazer oposição. E olhem que motivos não faltam. Mas estão se tornando notáveis por conspiratas contra os seus pares. Se acham que Serra não pode ser isso ou aquilo no partido, que o combatam atuando às claras. Tentar bani-lo com expedientes oblíquos é uma péssima receita, bem como não se recomenda tal expediente para reforçar a imagem de Aécio. “Ah, você tem afinidade com não sei quem…” Ainda que fosse verdade, não importa! Não é assim que se faz em nenhum partido do mundo! Na sua fala, bem pouco entusiasmante, Guerra referiu-se aos 44 milhões de votos obtidos por Serra. Era uma concessão que o vício da pequena trapaça,  que é real, fazia à virtude da união, que é fictícia.

O fato é que o programa do PSDB foi ao ar, e o partido, neste momento, está pior do que antes.

Agora a coisa em si
Eu estou entre aqueles que acham que estava mais do que na hora de FHC falar ao Brasil. Mas tinha de ser outra coisa. Um pronunciamento mesmo — uma fala organizada, com começo, meio e fim — teria sido muito melhor. Um grupo de pessoas para entrevistá-lo, com perguntas muito bem de-co-ra-di-nhas, soou falso, que é tudo o que FHC não é. Suas respostas foram boas. Também acho que é hora de dar uma “chacoalhada” no PSDB. E se pode começar a fazer isso imprimindo mais veracidade às coisas. FHC falando é bastante convincente. Mas teria de ser de outro modo.

Sua avaliação sobre o conservadorismo de Lula é correta, afirmando que o petista o decepcionou mais como político do que como sociólogo. Mas talvez o tempo seja precioso demais para se ocupar do que, hoje, é uma filigrana. A referência à participação das mulheres e o tempo excessivo ao meio ambiente, no conjunto, trazem uma certa tentativa de “aggiornar” a agenda. Tenho minhas dúvidas se é por aí.

Alckmin teve um tempinho para articular algumas frases inteiras. Ele aparece sempre muito bem no vídeo. Não foi diferente desta vez. Foi, obviamente, sub-aproveitado. E Sérgio Guerra pode parecer tudo, menos o líder de um partido social-democrata dinâmico, que está buscando falar aos jovens. Mesmo num quadro de incertezas e, como se nota, de desunião, o PSDB não fez o melhor programa possível. Se era uma entrevista, que FHC falasse a jornalistas de verdade, respondendo a perguntas de verdade. Ele saberia como fazê-lo muito bem. Se não era, que se fizesse um pronunciamento. Mas foi a melhor parte mesmo assim.

Quanto ao resto, mais um evento na crônica dos desacertos dos que acreditam que, dividindo, conseguirão governar. Talvez consigam governar o partido. O país continuará sob a administração do PT.

Texto originalmente publicado ás 22h53 desta quinta
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