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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

O poeminha do canibalismo e sua ilustração. Ou: Barbosa veste ternos ingleses, não saiotes da caricatura colonialista

Sabem aquele poeminha publicado no site da tal Renajune (Rede Nacional da Juventude Negra) — aquele texto que faz a apologia do estupro das mulheres brancas (ver post)? Então… A obra de arte vem acompanhada de uma ilustração bastante eloquente. Esta.   “É só uma metáfora”, poderia dizer alguém. Basta ler o texto para constatar […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 07h18 - Publicado em 30 nov 2012, 19h04

Sabem aquele poeminha publicado no site da tal Renajune (Rede Nacional da Juventude Negra) — aquele texto que faz a apologia do estupro das mulheres brancas (ver post)? Então… A obra de arte vem acompanhada de uma ilustração bastante eloquente. Esta.

 

“É só uma metáfora”, poderia dizer alguém. Basta ler o texto para constatar que não.

O que mais me encanta na ilustração acima é seu caráter passadista e descolado da história do Brasil. Vejam o branco com as botinas do explorador europeu na África do século… 19 — uma realidade que nada tem a ver com a história brasileira. Os “nativos” negros, por sua vez, traduzem a pior caricatura feita pelo colonialismo. Em nosso país, jamais envergaram essas vestes. Publica-se uma besteira como essa quando um negro que fala  inglês, francês e alemão preside a corte suprema no Brasil. Barbosa não veste esses saiotes. Prefere os ternos ingleses.

Os colonizadores portugueses dos séculos 16 e 17 não tinham botinas, não. Andavam descalços. Os pés, como o dos bandeirantes, eram cascão e carne viva. Sua alimentação, já demonstrou Gilberto Freire, era mais pobre do que a dos escravos negros. Nada disso torna a escravidão melhor do que foi. Apenas substitui a fantasia pela realidade.

Esse branco de botinas e esse negro barrigudo e tetudo, com esses saiote, são coisa dos gibis e dos filmes de Tarzan. O racialismo que se tenta implementar por aqui é, ele sim, produto passivo — e burro — da caricatura colonialista mais tonta. Importa-se uma história que não tivemos para alimentar a linguagem do ódio.

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