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O país que paga um “auxílio-bandido” maior do que o salário mínimo só poderia tratar o viciado como majestade. Ou: A praça é dos drogados e traficantes como o céu é do urubu

Mau negócio hoje em dia é ser apenas um homem comum, esse tipo vulgar que trabalha, que estuda, que se dedica à família, que paga impostos, que sustenta, em suma, a máquina do estado. Se, na pior das hipóteses, ele nem mesmo pertencer a uma das minorias influentes, então está mesmo lascado. Ninguém se interessa […]

Mau negócio hoje em dia é ser apenas um homem comum, esse tipo vulgar que trabalha, que estuda, que se dedica à família, que paga impostos, que sustenta, em suma, a máquina do estado. Se, na pior das hipóteses, ele nem mesmo pertencer a uma das minorias influentes, então está mesmo lascado. Ninguém se interessa por ele. As políticas sociais não lhe são, obviamente, destinadas, e sim às chamadas “populações em situação de vulnerabilidade”, como costuma dizer o humanismo burocrático nativo. Os entes do estado que se dedicam à defesa do interesse coletivo e à proteção dos indivíduos, como o Ministério Público e a Defensoria, tampouco lhe dão alguma atenção. Do próprio Judiciário chegam hoje ecos dando conta de que a função dos tribunais é fazer justiça social — e não apenas… Justiça, sem adjetivos! O homem comum — gente como você, leitora e leitor deste blog, e eu — só é chamado na hora de pagar a conta. Arca, inclusive, com o custo da máquina que sustenta seus algozes.

O Ministério Público Estadual e a Defensoria Pública de São Paulo armaram um pampeiro contra a ação da Prefeitura e do Estado na cracolândia. Juntam, assim, seus esforços aos do governo federal, que tenta, lá de Brasília, sabotar a operação. O QG do que chega a ter ares de conspiração é a Secretaria Nacional de Direitos Humanos, cuja titular é a petista Maria do Rosário. Seu braço operativo nesse caso é Ramais de Castro Silveira, secretário-executivo da pasta. Aí está a origem daquele tão magnífico quanto fantasioso plano federal para a cracolândia que ganhou ontem manchete no Estadão — plano que jamais chegou a ser negociado com o Estado ou com a Prefeitura porque nunca existiu. Em nove anos, a gestão petista jamais deu um centavo para o combate ao crack. Na campanha eleitoral, diga-se, os petistas criticaram o governo de São Paulo, que começou a criar clínicas para a internação de dependentes químicos. Volto ao ponto.

Ontem, assistimos a uma cena verdadeiramente patética. Quatro braços do MP estadual decidiram instaurar um inquérito civil para apurar detalhes da ação. Depois de fazer 32 “considerandos”, quatro promotores dizem que a finalidade do inquérito é entender o objetivo da operação, “discutir o fundamento terapêutico da imposição de dor e sofrimento”, apurar episódios de violência e apurar responsabilidades. Muito bem!

Ocorre que tanta “apuração” nem foi feita ainda, e os promotores já se comportaram como juízes, expedindo a sua sentença condenatória. Na entrevista coletiva de ontem, Arthur Pinto Filho, Eduardo Ferreira Valério, Luciana Bergamo Tchorbadjian e Maurício Antonio Ribeiro Lopes demonizaram a ação da Prefeitura e do Estado. Fazer inquérito para quê? Eles já têm o resultado!

Se vocês querem saber como a cracolândia chegou a ser a cracolândia e por que outras tantas estão se formando Brasil afora, o texto do Ministério Público Estadual que anuncia o inquérito fornece a resposta. No “considerando” nº 17, por exemplo, ao fazer o elenco dos motivos que embasam a investigação, os promotores lembram condições estabelecidas já em 2009 para o poder público intervir na região. Leiam com atenção:
“17. Considerando que naquele inquérito civil a Promotoria de Justiça consolidou o entendimento de que a solução do grave problema enfrentado pressupõe, no mínimo, as seguintes características: ação articulada dos órgãos da Assistência Social e da Saúde em todas as etapas; abordagem social eficiente, com criação de vínculos, destinada ao convencimento; encaminhamentos de acordo com cada situação, a equipamentos que funcionem durante 24 horas; tratamento médico adequado, de acordo com as prescrições  terapêuticas aplicáveis, com internações forçadas apenas como exceções, por prazo determinado e ordem médica; acompanhamento social destinado ao retorno à família; implantação de “portas de saída”, isto é, residências terapêuticas ou similares, programas de distribuição de renda, programas de profissionalização, acesso à educação e, por fim, à moradia; “

Entendi
Mau negócio, reitero, é ser um homem comum. Aliás, serei mais específico: mau negócio é ser um pobre comum, a exemplo da esmagadora maioria do povo brasileiro, QUE NÃO SE DROGA! No ritmo em que estão sendo construídas as casas do programa federal, já demonstrei aqui, a promessa dos três milhões de unidades será cumprida daqui a… 22 anos! A menos, como querem os promotores, que o sujeito seja viciado em crack. Nesse caso, o Brasil vai lhe render todas as homenagens e colocará à sua disposição equipamentos urbanos com os quais os trabalhadores não-viciados não podem nem sonhar. Na fila dos que receberão atenção do estado, quem está na frente é o viciado em crack. Ao fim do processo, ele será premiado com uma… moradia.

Faz ou não faz sentido? No Brasil, faz!!! Afinal, em Banânia, o auxílio-reclusão, pago pelo INSS aos dependentes dos presos, passou a ser de R$ 915,05 a partir do dia 1º de janeiro deste ano. Mau negócio por aqui, minhas caras e meus caros, é ser pobre, ter bom caráter e ganhar o salário mínimo, que é de R$ 622,00. O “auxílio-reclusão” — ou “auxílio-bandido”, como queiram — está previsto no Artigo 201 da Constituição. Há aquela parolagem cretina sobre a índole pacífica do nosso povo. Um país que tem mais de 50 mil homicídios por ano não é, evidentemente, pacífico. O povo brasileiro, coitado!, é desinformado, isso sim! Quantos pobres do salário mínimo têm consciência de que o estado prefere paparicar marginais?

Darei um jeito de tornar disponível a íntegra do texto do MP para que vocês tenham acesso a todos os “considerandos”, um bom roteiro do surrealismo tapuia. Um dos promotores que assinam o documento é Maurício Antonio Ribeiro Lopes, conhecido deste blog. É aquele senhor que decidiu acusar de “racismo”, chamando-os de “nazistas”, moradores de Pinheiros que lhe encaminharam uma reclamação contra a mudança de endereço de um albergue. Relatei este caso escandaloso num post. Na cabeça de Ribeiro Lopes, vejam que coisa!, quando “racistas” e “nazistas” estão inconformados, recorrem a instâncias do estado de direito… Não! Errado! Quem teve um comportamento fascistóide foi ele: usou da autoridade que tem para intimidar cidadãos pagadores de impostos que estavam encaminhando uma petição ao poder público, nada menos do que um direito constitucional.

O episódio dos moradores de Pinheiros é emblemático. Cidadãos comuns foram transformados em bandidos por braços do poder público. Agora, essas mesmas forças, em consonância com os petistas do Planalto, tentam mandar Prefeitura e governo do Estado para o banco dos réus.

Entendi! Ministério Público e Defensoria Pública resolveram reler Castro Alves: a praça é dos viciados e dos traficantes como o céu é do urubu!

PS – Eu ainda acabarei fã dos referendos e plebiscitos. Talvez esteja na hora de MP e Defensoria se exporem à opinião do povo honesto, que paga seus salários.

Comentários
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  1. Comentado por:

    Renato

    voces nao sabem nem oq estão falando se um “drogado” tiver direito a receber auxilio doença é pq ele contribuiu em pelo menos um ano junto ao inss e ter trabalhado pelo- 4 meses no ano atual da internação no caso de clinica ow na reclusão no caso de preso, caso ao contrario ele nao tem direito ao beneficio bandido que é bandido nao trabalha de carteira assinada portanto se por ventura o cara cometeu um crime e vai pagar perante a justiça por ele é mais do que justo ele receber um beneficio se ele contribuiu para isso bando de zé povinho só sabem apontar e criticar num busca um conhecimento minucioso sobre os requisitos da lei

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  2. Comentado por:

    carlos

    para nós termos esperança na politica deste pais, é preciso renovação. e os politico serem vigiado severamente,depois eles.(os politico)reclamam da ditadura militar,eles estão acabando com a moralidade,respeito ao pais.

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  3. Comentado por:

    keyla

    o auxilio reclusão e de 1 salario a contribuição junto ao inss que deve ser menor que 915,00 o salario do preso antes do tal fato.tive uma filha nunca recebi pensão e não moro com o preso sempre dei duro para sustentala agora tive a oportunidade de receber algo com isso o auxlio reclusão e divido para cada filho não multiplicado como dizem nenhum centavo vai para o bolso dele pois ele esta la é justamente para pagar o seus erros.

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  4. Comentado por:

    amanda

    gente o que falta nesse pais realmente é estudo pois o povo vai postando tudo que imagina antes de se informar,meus sr auxilio reclusão so é pago para quem contribuía com o INSS nao é nenhuma gentileza do governo é nada mais que justo pois quem errou nao foi os filhos do preso e sim ele.Por favor se informem antes de postar.qualquer coisa e

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  5. Comentado por:

    VIDA EM TORTURA

    sou mãe de tres filhos 32 27 e 21 anos ,tinha uma familia feliz apesar de humilde , porem ja fazem 8 anos que td começou o filho caçula conheceu as drogas na escola , dai nossa vida se transformou , ja perdi td , ja movi ceus e terra pra tentar salva-lo desse maldito vicil ja o internei em varios lugares dentro de minhas possibilidades mais ja entendi que são lugares sem estrturas para tratar de um mal tão devassador como é o crak …porem gostaria de falar um pouco sobre a questão de que os viciados são bandidos pois na minha opinião os verdadeiros bandidos são eleitos pelo povo , esses sim são criminosos , onde estam os as autoridades deste país que ñ fazem dada p/ mudar nossas leis que são da epoca dos dinossauros , pois na minha opinião como uma mãe de um viciado o governo federal deveria construir clinicas presios e prender todos os viciados e assim sendo obrigaria a se tratar mais ñ se constroi presios e ficam esperando que os viciados ñ tenham mais o que roubar da familia e começam a fazer nas ruas e ate mesmo matarem pra conseguir o maldito crak ou seja prender pra evitar que se tornem criminosos a justiça ñ pode ai ficam esperando que virem criminosos para prende-los por isso hoje 70% da população carceraria são os viciados por tanto acredito que se penalizacem os doentes quimicos os presidios iria esvasiar , mas existem outros entersse ñ tratar viciados pra que eles cometem crimes pra que cada e p/ isso tem que sempre mais presidios pois é conveniente ja que cada preso custa pro estado quase 2 mil reais e sabemos que nenhum deles consomem isso la dentro esse dinheiro vai la pro super faturamento . sabe hoje entendo melhor porque ñ fazem nada pra acabar com as drogas a verdade é só uma os ladrões do colarinho branco ñ querem pois quanto mais viciados mais dinheiro vai p/ os presidios é dito que vai p/ a saude mais sabemos que é mentira , esses mentirosos declaram que aplicaram ñ quanto no combate as drogas mais ninguem ver nada acontecer , se ve sim é familias e famlias se desmantelando familia que nunca deu mal exemplo p/ seus filhos como a minha tanto que muitas vezes implorei p/ delegado prender meu menino pra que ele cometesse nenhum delito , pois bem a maldita justiça o maldito estado esses malditos governantes e essa maldita lei que inventaram p/ protejer o menor , ou melhor protejer o menor de seus pais né por que ficam pelas ruas se drogando e fingem que ñ estão vendo … infelizmente sou uma mãe que choro dia e noite a 8 anos e ñ posso concordar com muitos que dizem que os viciados vermes pois os bandito estão em BRASILIA e muitos entre nós a propria sociedade que ta vendo mais finge que ñ , claro é mais facil pois ñ chegou em seu LAR ainda como chegou no meu ñ desejo a ninguem neste mundo o que tenha um ante querido no CRAK finalizando o BRASIL é um país sem justiça e uma SOCIEDADE HIPOCRITA

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  6. Comentado por:

    VIDA EM TORTURA

    falar é facil quero ver viver o que vive uma mãe que tem um filho no CRAK , que por ironia entrou dentro da escola onde deveria ter segurança pois pois o estado deveria garantir isso ,jamais diria pra vcs assim “qd vcs tiverem um filho viciados vcs iram entender ” mais ñ direi pois DÓI DEMAIS VER UM FILHO UM ante querido nas ruas sujos na pele e no osso parecendo um bixo , mais gostaria de sugerir a essas pessoas que tente se imaginar em lugar dessas falias que lutam para livrar seu filho do vicio

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  7. Comentado por:

    Carlos Roberto Pereira

    poe esses drogados para trabalhar em vez de pagar esse salario para curar eles vao receber mais do que eu recebo de aposentaoria recebo 900,00 reais enquanto esse fumadores de craque vao receber 1.300,00 uma vrgonha pois trabalhei desde criança com 14 anos cortando ana e algo mais vou começar a ser fumador tambem

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  8. Comentado por:

    lenilson

    ADOREI O TEXTO E FICO PENSANDO ATÉ QUANDO A MINORIA VAI FALAR MAIS ALTO NESTE PAÍS, OS TRABALHADORES HONESTOS QUE TRABALHAM 30 ANOS, NÃO GANHAM MUITAS VEZES O QUE GANHA ESTES MARGINAIS,COMO DIZ O REFRÃO DAQUELA MÚSICA “QUE PAÍS É ESTE”

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  9. Comentado por:

    luiz paulino

    Eu não sei o que falar, só sei que sou uma pessoa extremamente ? com essas coisas, acho que as autoridades tem que ter vergonha na cara de ? .

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  10. Comentado por:

    pati

    É infelismente esse é o brasil, nós trabalhamos estudamos, vivemos de forma sofrida para conseguir nos manter, enquanto bandidos que matam, estupram, roubam comem comida quentinha na hora certa e ainda fazem seu pé de meia lá fora(poupança), enquanto nós cidadãos de bem mal fazemos para comer, eles são melhores remunerados e favorecidos do que a gente. isso é muito triste, desanimador

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