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O homem que derrotou a máquina petista de moer reputações

Eduardo Jorge Caldas Pereira deu a volta por cima. Secretário geral da Presidência da República no governo FHC, foi, durante um largo período, saco de pancadas do petismo. Com a colaboração da parte filopetista da imprensa, o notório procurador Luiz Francisco de Souza o transformou em alvo fixo de suas alucinações ideológicas, depois detalhadas num […]

Eduardo Jorge Caldas Pereira deu a volta por cima. Secretário geral da Presidência da República no governo FHC, foi, durante um largo período, saco de pancadas do petismo. Com a colaboração da parte filopetista da imprensa, o notório procurador Luiz Francisco de Souza o transformou em alvo fixo de suas alucinações ideológicas, depois detalhadas num livro chamado Socialismo – Uma Utopia Cristã. Só lendo para crer. O loquaz procurador agora virou Greta Garbo. Desde que Lula chegou ao poder, ele sumiu. Parece que sua parte na tarefa estava concluída.

O ex-auxiliar de FHC foi massacrado. Sabem quantas acusações formais Luiz Francisco apresentou contra ele? Nenhuma! E o jogo se inverteu. O caçador virou caça. Agora quem o processa é Eduardo Jorge, que também decidiu acionar a União: “estou processando ele, o Guilherme Schelb e a União por danos morais. A União entra como ré porque a instituição Ministério Público foi omissa em coibir os abusos destes procuradores”.

O que distingue Eduardo Jorge de alguns tucanos que também caíram na máquina petista de moer reputações é a disposição para a briga. Ele cobrou de cada um de seus acusadores, na Justiça, a prova. Como era inocente, obteve sucessivas vitórias. Desde a semana passada, ele é o novo secretário-geral do PSDB, substituindo outro Eduardo, o Paes, que migrou para o PMDB. Na entrevista abaixo, ele não poupa o adversário: “O PT ainda não descobriu realmente o direito de defesa porque descobri-lo é adotá-lo como princípio que vale para todos. Mas o partido demonstra considerar o direito de defesa como um manto de impunidade que cobre os seus pares e que não deve estar ao alcance de seus adversários, de quem pensa diferente do PT.”

O novo secretário-geral parte para o ataque e se mostra disposto a defender o que considera patrimônio do PSDB: “Já fizemos autocrítica e não temos qualquer medo de ser feliz e de defender o nosso legado. Cada um de nós sabe o quanto o PSDB fez pelo país. Os resultados estão aos nossos olhos, aos olhos dos petistas e de todos os seus aliados. O que seria uma Vale do Rio Doce hoje se não tivesse sido privatizada? Quantos brasileiros teriam telefone celular sem a privatização da telefonia? São mais de 100 milhões de celulares. O que o PT fez na campanha, dizendo que iríamos privatizar a Petrobrás e o Banco do Brasil, foi sujo, foi desonesto. Assim como eles também o foram no caso do dossiê. E todos eles sabem disso.”

Abaixo, os principais trechos da entrevista:

Blog – O sr. é agora secretário-geral do PSDB, depois de ter passado por um verdadeiro calvário. Essa é uma história rara, em que acaba prevalecendo a justiça?
Eduardo Jorge –
Realmente, esta não é uma história comum. Fui alvo de uma perseguição implacável por parte da máquina petista, que também atingiu de maneira infame e vil outros tucanos, com acusações nunca comprovadas de corrupção. Mas, hoje, tenho plena convicção de que muitos — a imensa maioria — dos meus colegas de governo FHC que sofreram coisa semelhante teriam o mesmo resultado se tivessem tido a paciência — ou a teimosia — que eu tive, pois o governo FHC foi um governo honesto.

Blog – Não me lembro de nenhuma outra pessoa que tenha sido uma vítima tão exemplar do PT como o senhor. E também não me lembro de ninguém tão dedicado em restabelecer a verdade. Quantos petistas já lhe pediram desculpas?
Eduardo Jorge –
Nenhum. Recentemente, uns poucos deles, como José Dirceu, Luiz Gushiken e José Eduardo Dutra, reconheceram que cometeram abusos. Mas eles só o fizeram quando este reconhecimento lhes interessava. Foram declarações self serving — ou seja, feitas como uma espécie de habeas corpus nas acusações que sofriam. Além de nunca terem pedido desculpas, continuam — o PT como um todo e o presidente Lula em particular — a brandir as alegações que sabem falsas, de corrupção no governo FHC. Se fossem sinceras, teriam sido feitas quando, na campanha de 2002, encaminhei ao candidato Lula, que se dizia “cheio de denuncismos”, uma carta aberta sobre o tema.

Blog – Cadê o procurador Luiz Francisco? Ele ainda está tentando achar uma prova contra o senhor?
Eduardo Jorge –
Esta é uma boa pergunta. O procurador Luiz Francisco sumiu, calou-se nos escândalos do governo Lula. Exatamente agora, quando o Ministério Público tem tanto trabalho a fazer. Recentemente, só tive notícias dele porque ele foi condenado pelo Conselho Nacional do Ministério Público, com suspensão de 45 dias, pela perseguição indevida contra mim. E o amigo dele Guilherme Schelb recebeu de punição uma advertência. Hoje, não creio que Luiz Francisco esteja tentando obter provas contra mim porque ele sempre soube que não havia nem sequer uma acusação e que ele estava fazendo apenas jogo político. Aliás, o Conselho Nacional do Ministério Público reconheceu, por unanimidade, a participação dele no processo político-eleitoral como agente do PT.

Blog – É justo afirmar que o PT descobriu o direito de defesa só depois de ter chegado ao poder?
Eduardo Jorge –
Na verdade, acho que o PT ainda não descobriu realmente o direito de defesa porque descobri-lo é adotá-lo como princípio que vale para todos. Mas o partido demonstra considerar o direito de defesa como um manto de impunidade que cobre os seus pares e que não deve estar ao alcance de seus adversários, de quem pensa diferente do PT.

Blog – O sr. está processando o procurador Luiz Francisco?
Eduardo Jorge –
Além do processo no Conselho Nacional do Ministério Público, ao qual já me referi, estou processando ele, o Guilherme Schelb e a União por danos morais. A União entra como ré porque a instituição Ministério Público foi omissa em coibir os abusos destes procuradores.

Blog — Os petista também fizeram um bom roubo: as escolhas macroeconômicas do PSDB. Agora os dois partidos são iguais na racionalidade econômica?
Eduardo Jorge —
O PSDB e o PT não são iguais em nada. O PSDB implantou um Plano de Estabilização — o Plano Real —, baseado em convicção técnica e política. Todas as ações do governo FHC foram coerentes com esse Plano, e somente por isso ele foi bem sucedido. E foi a partir dele que colocamos a economia brasileira nos trilhos. O PT descobriu que a estabilidade da moeda é fonte de prestígio eleitoral e de votos e não tem interesse em arriscar este prestígio. Mas, se você acompanha o governo como um todo, verifica que isso é feito sem a menor convicção, apenas por oportunismo, tantas são as outras ações que contradizem a política de estabilidade: a gastança, a criação desrespeitosa de cargos para empregar e proteger amigos, o descompromisso com a eficiência da gestão pública.

Blog — O PSDB defende mal seu patrimônio. Na última campanha eleitoral, quem exaltou as glórias da telefonia privatizada foi Lula. Não está na hora de o partido defender as suas conquistas, se me permite a piada, sem medo de ser feliz?
Eduardo Jorge —
Já fizemos esta autocrítica e não temos qualquer medo de ser feliz e de defender o nosso legado. Cada um de nós sabe o quanto o PSDB fez pelo país. Os resultados estão aos nossos olhos, aos olhos dos petistas e de todos os seus aliados. O que seria uma Vale do Rio Doce hoje se não tivesse sido privatizada? Quantos brasileiros teriam telefone celular sem a privatização da telefonia? São mais de 100 milhões de celulares. O que o PT fez na campanha, dizendo que iríamos privatizar a Petrobrás e o Banco do Brasil, foi sujo, foi desonesto. Assim como eles também o foram no caso do dossiê. E todos eles sabem disso.

Blog — Por que Eduardo Paes, Secretário-Geral do partido, deixou o PSDB e foi para o PMDB?
Eduardo Jorge —
Isso só pode e deve ser respondido por ele. Mas é claro que a conjuntura política carioca, com o Governador Sérgio Cabral forte e oferecendo uma perspectiva política de curto prazo, pesou mais do que o compromisso partidário de Secretário-Geral.

Blog — No caso do valerioduto mineiro, o partido não usa um peso e duas medidas, condenando o mensalão, mas tentando proteger o senador Eduardo Azeredo?
Eduardo Jorge —
Não. São, sim, dois casos completamente diferentes, e para cada um tem sua própria medida. Primeiro, até hoje, não houve uma acusação do procurador-geral contra o Eduardo Azeredo. Assim, o PSDB tem de aguardar a manifestação dele para saber se esta acusação existe e qual é ela. Além disso, é preciso ressaltar que o que tem sido publicado são apenas ilações sobre o que seria o conteúdo de um relatório da Policia federal. Li o relatório cuidadosamente e não vi a descrição de nenhum fato, ou circunstância, que coloque o Eduardo Azeredo, pessoalmente, como responsável por qualquer crime ou como conhecedor, à época, de qualquer crime.
Note que não estou fazendo uma alegação vazia — como fez o presidente Lula no mensalão — de que ele não sabia. No processo, está relatado que, quando ele tomou conhecimento, já depois da campanha, reagiu indignado e se recusou a pagar a suposta dívida, fazendo-o posteriormente, sob ordem judicial.
Estou dizendo que não existe qualquer elemento que minimamente o coloque em posição de ter efetivamente qualquer participação nos episódios irregulares. Mais ainda: nenhuma das pessoas identificadas pelo relatório como “operadores” do hipotético esquema era ou é do PSDB.

Blog – Por que os brasileiros fazem bem em escolher o PSDB?
Eduardo Jorge –
O PSDB tem dado sucessivas demonstrações ao país de competência, de correção política, de patriotismo, de preocupação com o bem-estar e com os direitos da população brasileira, principalmente das classes menos favorecidas.
Foi o PSDB que acabou com inflação no Brasil e, por isso, promoveu o maior programa de distribuição de renda de que se tem notícia na história do País, e isso em um tempo de turbulência nos mercados mundiais.
Foi o PSDB que concebeu e começou a implantar os programas de assistência social, acoplados com mecanismos de superação da miséria — do tipo Bolsa Escola, Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, Vale Gás, Bolsa Alimentação, só para citar alguns exemplos que hoje são manipulados pela propaganda petista.
Ninguém consegue enganar todo mundo durante todo o tempo: o povo brasileiro acabará vendo com quem está a verdade, quem é o responsável pelos avanços deste país e quem tem a capacidade de provocar o próximo ciclo de mudanças necessárias.

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