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O Estado abriga uma máquina cujo objetivo é destruir os adversários do PT: o caso do senador Marconi Perillo

Já expliquei aqui algumas vezes como funciona a máquina petista de moer reputações e destruir os inimigos. Devo dizer que eu a vi operando quando trabalhei em Brasília. É assim: um petista ou alguém a serviço do PT arruma um “documento” acusando um adversário e passa o papel para um repórter; apura-se ali uma coisinha […]

Já expliquei aqui algumas vezes como funciona a máquina petista de moer reputações e destruir os inimigos. Devo dizer que eu a vi operando quando trabalhei em Brasília. É assim: um petista ou alguém a serviço do PT arruma um “documento” acusando um adversário e passa o papel para um repórter; apura-se ali uma coisinha ou outra e se vai em busca do “outro lado”. Publicada a reportagem, o Ministério Público abre um inquérito. E o adversário dos petistas que se vire para provar que é inocente. Hoje as coisas estão ainda mais fáceis porque se mobiliza imediatamente a Internet.

A VEJA desta semana traz uma reportagem de Fernando Mello e Rodrigo Rangel sobre a tramóia petista na Receita Federal para tentar atingir a candidatura de José Serra. Ele não era o único tucano que estava na mira. Há tempos, o Palácio do Planalto entrou de cabeça numa tentativa de destruir o senador Marconi Perillo, candidato do PSDB ao governo de Goiás. E se deu mal.

Leia trecho da reportagem. Volto em seguida:
(…)
A armação começou a ser preparada no ano passado, quando o líder do PR na Câmara, deputado Sandra Mabel (GO), aliado do governo, se encontrou no Planalto com Gilberto Carvalho, chefe de gabinete de Lula. para conversar sobre “uma bomba”. O deputado tinha uai conjunto de papéis que, entre outras coisas, mostravam a existência de uma conta secreta no exterior em nome do tucano. A papelada continha extratos bancários de um certo Aztec Group, offshore sediada no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas. Perillo seria o administrador da empresa. Um dos documentos – com timbre do banco suíço UBS- indicava que a Aztec seria dona de uma aplicação de 200 milhões de euros, o equivalente a mais de 440 milhões de reais. Como o material era apócrifo, era necessário que o governo lhe conferisse autenticidade. Adversário de Perillo na política goiana. Mabel saiu do Palácio com a promessa de que o caso seria investigado a fundo.

Com uma mãozinha de Carvalho, foram abertas as portas do Departamento de Recuperação de Ativos (DRCI), seção do Ministério da Justiça encarregada de mapear no exterior o dinheiro que sai ilegalmente do país. Após falar com o chefe de gabinete do presidente. Mabel reuniu-se também com o atual ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, a quem o DRCI está subordinado. Como o DRCI não pode agir sem o pedido de outro órgão de investigação, Mabel fez o dossiê chegar às mãos de um promotor de Goiás – que, de pronto, abriu um inquérito para investigar as supostas contas. Os documentos obtidos agora por VEJA atestam que a máquina do estado foi usada para dar ares de legalidade a papéis fajutos.

Em resposta às consultas do Ministério da Justiça, o promotor suíço Daniel Tewlin afirma que uma das principais contas relacionadas no dossiê simplesmente não existe. A mensagem, ele anexou uma comunicação do banco UBS. “O banco ressalta que o documento apresentado como prova de que haveria relações comerciais (entre o UBS e o Aztec Group) é uma falsificação”, escreveu o promotor de Zurique. Há duas semanas, o coordenador-geral do DRCL Leonardo do Couto Ribeiro, encarregou-se de informar o vexatório desfecho da empreitada ao promotor de Goiás que abriu o inquérito. Ele foi arquivado”.

Comento
Perillo é um senador da República. Também é candidato de um partido de oposição ao governo de seu Estado. Além das prerrogativas do cargo, isso não faz dele um homem acima da lei. Mas também não deveria fazer dele um homem a quem não se garante  nem a lei. E é o que tem acontecido no Brasil do petismo.

Gilberto Carvalho é outro que deveria estar, a esta altura, na fila do seguro-desemprego. Este santarrão do pau-oco gosta de tirar ares de beato, de homem de convicções cristãs  — chegou a ser seminarista. A Igreja não perdeu nada, e a política não ganhou grande coisa. Se alguém chegar no Palácio com um papelucho apócrifo com alguma denúncia contra um petista, Carvalho tentará, por acaso, mobilizar a máquina do Estado para promover uma investigação? Ora, petista pego com mala de dinheiro para pagar dossiê fajuto sai incólume e ainda vira “empresário”…

Já não há mais dúvida: o Estado abriga uma máquina cujo objetivo é destruir os adversários do PT.

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