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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

O depoimento calculado de Pagot: status da crise está congelado, e ameaças permanecem

O depoimento de Luiz Antonio Pagot, diretor-geral afastado do Departamento Nacional de Infraestrutura em Transportes (Dnit) no Senado, foi mais calculado do que se imagina e representa uma aposta na impunidade. Vamos ver o que ele fez. Uma ameaça paira nos bastidores: se o governo quiser mandar a turma do PR para a degola, os […]

Por Reinaldo Azevedo - Atualizado em 20 Feb 2017, 13h33 - Publicado em 12 Jul 2011, 17h06

O depoimento de Luiz Antonio Pagot, diretor-geral afastado do Departamento Nacional de Infraestrutura em Transportes (Dnit) no Senado, foi mais calculado do que se imagina e representa uma aposta na impunidade. Vamos ver o que ele fez.

Uma ameaça paira nos bastidores: se o governo quiser mandar a turma do PR para a degola, os patriotas partem para a retaliação — e para a retalhação; a tal briga de foice no escuro — e demonstra que, no Dnit e outros órgãos dos Transportes, os diretores apenas cumpriam “ordens”. O senador Blairo Maggi (PR-MT) não cansa de dizer isso por aí — em “on” mesmo, às claras, não em “off”. No Dnit em particular, já tinha deixado claro Pagot, nada se decide sem a concordância de Hideraldo Caron, diretor de Infraestrutura Rodoviária e homem do PT. Mais: houve a insinuação de que o dinheiro irrigou a campanha de Dilma Rousseff à Presidência.

Isso bastou para esfriar o ânimo moralizador do governo e criou a tensão pré-Pagot: “O que será que ele vai dizer no Senado?” Ora, ele fez a “coisa certa” do ponto de vista do PR e do interesse dos valorosos homens públicos desse partido: negou qualquer irregularidade, afirmou que as decisões são colegiadas — logo, não há irregularidades e, pois, culpados —, mas também livrou a cara da presidente Dilma Rousseff e do governo. Desta feita, Pagot deixou Hideraldo de lado e negou que tenha sugerido lambança na campanha eleitoral de Dilma.

Pagot congelou o status da crise no ponto exato em que estava. Continua nas mãos do governo a responsabilidade de contornar o imbróglio. Ele está dizendo que Dilma derrubou por nada toda a cúpula dos Transportes — já que inexistiriam irregularidades — e que o governo e o PT não podem ser considerados cúmplices do que nunca existiu…

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Certo! Agora submetamos o que vai acima a uma ligeira mudança. Digamos que as irregularidades tenham existido… Bem, aí tudo muda de figura, e o PR recoloca Dilma e o PT na equação. Vale dizer: o PR está dizendo para o Planalto dar um jeito de tirar o partido e seus patriotas do enrosco.

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