Clique e assine a partir de 9,90/mês
Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

O Brasil inventou as ONGGs

O Brasil é um país cheio de delicadezas e particularidades. Vejam só: temos uma Central Única dos Trabalhadores. Além da “única”, há a CGT, a Força Sindical e outras menos votadas. Há coisa, sei lá, de uns 25 anos talvez, houve uma crise no abastecimento de leite no país e se criou, então, o leite […]

Por Reinaldo Azevedo - Atualizado em 31 jul 2020, 22h58 - Publicado em 26 nov 2006, 06h48
O Brasil é um país cheio de delicadezas e particularidades. Vejam só: temos uma Central Única dos Trabalhadores. Além da “única”, há a CGT, a Força Sindical e outras menos votadas. Há coisa, sei lá, de uns 25 anos talvez, houve uma crise no abastecimento de leite no país e se criou, então, o leite Tipo Único (“Tipo U”, vinha escrito nos saquinhos). Além dele, havia o A, o B e o C… A gente é assim. Há até as leis “que pegam” e as que “não pegam”. Chefe de Poder Executivo faz desagravo a pessoas sentenciadas pela Justiça e acha isso a coisa mais normal do mundo. A que vem este “nariz de cera”, como se diz no jargão jornalístico? À diferença do que ocorre no resto deste vasto mundo, o Bananão inventou a Organização Não-Governamental Governamental: a ONGG.

O que, nos outros países, é sustentado com doações e abriga o voluntariado tornou-se parte dos gastos oficiais, com os capas-pretas das ONGGs devidamente remunerados. O não-governamental, por aqui, é sustentado com dinheiro público, seja por meio da injeção direta de recursos, seja por meio da renúncia fiscal. As ONGGs se tornaram, com as exceções de sempre (claro, claro), ou a ocupação de socialites em busca de uma reputação vagamente humanista ou mais um dos tentáculos do PT. Quando não são as duas coisas, e a tal socialite aparece fazendo discurso socialista…

Na Folha deste domingo: “A CGU (Controladoria Geral da União) estima que as parcerias do governo federal com entidades não-governamentais tenham consumido R$ 33,8 bilhões desde 1999. Em valores corrigidos pela inflação, os anos de mais intensa parceria da União com entidades foram 2000 e 2001, ainda de acordo com levantamento da CGU, a quem cabe fiscalizar o uso do dinheiro público. Os números não são precisos, reconhece a própria CGU. Não existe, no Orçamento, uma classificação exclusiva para os repasses feitos a ONGs e Oscips (Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público). Eles aparecem em meio a pagamentos feitos a entidades privadas sem fins lucrativos. Pesquisa no Siafi (sistema de acompanhamento de gastos federais) mostra quatro ministérios – Saúde, Ciência e Tecnologia, Trabalho e Desenvolvimento Agrário, nessa ordem- entre os que mais repassaram recursos a essas entidades.

Consultados durante a semana pela Folha, os ministérios tiveram dificuldade para responder quanto pagavam a parceiros não-governamentais. Não há estimativa nem de quantas entidades desse tipo prestam serviços à União.”
Assinante lê mais aqui

Publicidade