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O ASSASSINO E OS FATOS

Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, o tal Cadu, assassino confesso do cartunista Glauco e de Raoni, seu filho, está preso como vocês já viram. Tanto melhor.  Espera-se que a prisão sirva para dirimir algumas dúvidas. Consta que ele ficou escondido na mata, no Pico do Jaraguá, até conseguir roubar um carro e fugir para Foz do […]

Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, o tal Cadu, assassino confesso do cartunista Glauco e de Raoni, seu filho, está preso como vocês já viram. Tanto melhor.  Espera-se que a prisão sirva para dirimir algumas dúvidas. Consta que ele ficou escondido na mata, no Pico do Jaraguá, até conseguir roubar um carro e fugir para Foz do Iguaçu.

Ao Fantástico, “Madrinha Bia”, mulher de Glauco, assegurou que Cadu deixara a chácara no carro de Felipe de Oliveira Iasi. Felipe diz que tinha ido embora antes de consumada a tragédia, o que batia com a versão inicialmente apresentada por Juliana, filha de Bia, segundo informara a Polícia. Em depoimento colhido hoje, no entanto, a moça confirma a versão da  mãe, a mesma relatada por um amigo de Raoni. Se Cadu deixou o local da tragédia no carro, teria saltado no meio do caminho para se esconder na mata?

Em entrevista, Cadu confessou o duplo homicídio. Amigos seus ouvidos pela imprensa relatam a sua intimidade com o consumo de drogas — ele portava maconha no momento da prisão. Segundo o testemunho de uma garota, passou a andar em companhia de traficantes.  Teria conseguido dinheiro para fugir vendendo… maconha. A se confirmar a informação, isso faz dele algo mais do que simples usuário, não é mesmo?

Esses mesmos testemunhos asseguram que Cadu buscou a igreja Céu de Maria, liderada por Glauco, para supostamente se livrar das drogas. Mesmo com um perfil, vamos dizer, problemático, Cadu já era um dos “fardados” — pessoas que têm o direito de usar o daime. O que é preciso exibir para adquirir esse status, bem, isso eu não sei. Se é uma questão de apuro espiritual que só pode ser percebido por uma sabedoria não-convencional, um engano fatal aconteceu no caso de Cadu. A igreja de Glauco pertence a uma espécie de dissidência daquele culto surgido no Acre: além do tal chá, essa corrente também faz uso “ritual” da maconha — chamada de “Santa Maria”.

A polícia tem muito trabalho pela frente. A sua missão é desvendar o que de fato aconteceu. Para que o assassino possa ser devidamente punido. E o primeiro passo é não se deixar enredar por grupos de pressão de qualquer natureza. Cadu não me pareceu o primeiro aluno da classe em comportamento, mas confesso —  é só uma impressão, é óbvio — que não consegui ver nele o maluco clínico que está sendo vendido por aí.

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