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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Nos votos válidos, Serra está cinco pontos à frente de Haddad no Datafolha. Ou: “Especialistas” em pesquisa já começam a culpar o povo por seus erros…

Vocês viram a mais recente pesquisa Datafolha em São Paulo. Celso Russomanno (PRB) aparece com 25% das intenções de voto; o tucano José Serra está tecnicamente empatado com ele, com 23%; em seguida, aparece Fernando Haddad, com 19%. Em quarto lugar,  Gabriel Chalita, com 11%. Passadas essas eleições, será preciso debater as… pesquisas! Mas deixemos […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 07h43 - Publicado em 4 out 2012, 06h39

Vocês viram a mais recente pesquisa Datafolha em São Paulo. Celso Russomanno (PRB) aparece com 25% das intenções de voto; o tucano José Serra está tecnicamente empatado com ele, com 23%; em seguida, aparece Fernando Haddad, com 19%. Em quarto lugar,  Gabriel Chalita, com 11%.

Passadas essas eleições, será preciso debater as… pesquisas! Mas deixemos isso para mais tarde. Escrevi ontem de madrugada um texto comentando os números do Ibope. Acho que vale reler. Negrito algumas coisas. Volto depois.

Ai, ai, nova pesquisa Ibope em São Paulo. Entre o dia 22 e 24 do mês passado, Russomanno (PRB) teria 34% das intenções de voto; agora, entre o dia 29 e 1º, aparece com 27%. Na anterior, Serra (PSDB) estaria com 17%; agora, saltou para 19%; Já o petista Haddad foi de 18% para 17%. Chalita (PMDB) teria avançado de 7% para 10%…

Nunca, como agora, foi tão prudente esperar o resultado das urnas. As pesquisas em São Paulo parecem ter perdido um tantinho o rumo — talvez seja assim no resto do Brasil. Falo do que percebo por aqui.

Os números me parecem prisioneiros de uma “ratio” de meia-tigela. Tudo estava preparado para a disparada de Haddad, que, até agora, não aconteceu. Depois, com o ataque organizado da campanha petista a Russomanno — já que ele teria “roubado” os votos da periferia, que seriam do outro (o povo, como sabem, tem dono: o PT) —, esperava-se, e se proclama que isso está em curso, que o menino lulo-malufinho (falo de Haddad, claro!) herdasse os votos do candidato do PRB.

No Ibope ao menos, isso também não aconteceu: segundo o instituto, Russomanno tem uma queda considerável, e Haddad… cai (ainda que dentro da margem de erro). A sorte é que existe um terceiro nome com certo volume de votos: Chalita. Então ele vira o fator de ajuste. Se Russomanno cai 7 e Haddad cai 1, como fica a tese do petista como herdeiro natural?

Os institutos e os “analistas” não precisam explicar nada. Como Chacrinha, eles estão aí para confundir. Nesse ramo, talvez seja mais negócio. Fazer carga contra as pesquisas pode ser, sim, coisa obscurantista. Mas, para tanto, é precioso que as pesquisas iluminem a realidade, não é?

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(…)

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A Folha, não sei por quê, escolheu não destacar em título o empate entre Serra e Russomanno — já o fez quando houve empate técnico entre o tucano e o petista. O título da página interna afirma: “Russomanno cai, e disputa embola em SP”.

Embolou? Segundo o Datafolha, no cálculo que leva em conta apenas os votos válidos, Russomanno tem 29%; Serra alcança 27%; Haddad, 22%, e Chalita, 13%. Como são os votos válidos que decidem o resultado, Serra e Russomanno estão, sim, empatados, mas Haddad e Serra não estão.

Aqui e ali, noto nos especialistas em pesquisa uma certa tendência a culpar a inconstância do povo… É mais ou menos como o médico que, não sabendo que diagnóstico fazer, decreta que o doente é muito complicado…

O fato é o seguinte: ficaram todos eles prisioneiros da suposição de que Russomanno havia “roubado” os votos do PT. O obreiro de Edir Macedo despencou, mas o obreiro de Lula não disparou. Como o povo não fez o que os especialistas esperavam, então esse povo é o culpado de os analistas não terem acertado…

Os que estão acima dos analistas de pesquisa deveriam repudiar essa ladainha que não passa de autojustificação. Deveriam é se preocupar com a “ratio” que fabricou o erro.

É claro que há pistoleiros nesse meio que fabricam os números que lhes são encomendados. Estes são bandidos. Não têm cura. Mas há os que não são bandidos. Trata-se de gente que tenta sinceramente acertar. A questão é saber com que aparelho mental preconcebido se está tentando ler o mundo.

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