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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Morte pode ter livrado Campos de castigo pior: a morte da reputação em vida

Segundo despacho da Polícia Federal, João Carlos Lyra Pessoa de Melo era o encarregado de repassar propina para ex-governador de Pernambuco e candidato do PSB à Presidência

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 30 jul 2020, 22h26 - Publicado em 23 jun 2016, 08h03

Não faço juízo de valor, mas apenas constatação objetiva. É bem possível que a morte tenha livrado Eduardo Campos de uma pena bem mais severa: a morte da reputação em vida. O esquema a que se chega a partir da investigação de quem era o dono da aeronave na qual morreu, no dia 13 de gosto de 2014, parece apontar para coisa feia.

Segundo despacho da juíza Amanda Araújo, ao qual a Folha teve acesso, João Carlos Lyra Pessoa de Melo — um dos presos da Operação Turbulência e um dos proprietários da aeronave — era um dos repassadores de propina para Campos e para o senador Fernando Bezerra (PSB-PE), que nega tudo.

Está no documento:
“Ele [Pessoa de Melo] foi reconhecido pelos ex-empregados da Camargo Corrêa […] como sendo a pessoa encarregada de entregar a propina devida por aquela empreiteira ao ex-governador Eduardo Campos e ao senador Fernando Bezerra Coelho em virtude das obras da Refinaria Abreu e Lima[…], e ainda se enfatiza que ele se apresentou formalmente como o único adquirente do avião”.

O despacho não específica o período. Segundo a PF, entre 2010 e 2014, a tramoia em que Pessoa de Melo estava envolvido movimentou R$ 600 milhões.

Mais: segundo dois delatores da Lava Jato, Roberto Trombeta e Rodrigo Morales, ligados à OAS, era ele o contato da empreiteira com beneficiários de propina do petrolão.

Só para lembrar: a polícia suspeita que Paulo César Barros Morato, o outro membro da possível quadrilha e que apareceu morto ontem (leia post), repassou a Pessoa de Melo o dinheiro para a compra do avião. Barros Morato era  dono da empresa de fachada Câmara & Vasconcelos Terraplenagem, com quem a OAS fechou um contrato de R$ 18,8 milhões para obras de transposição do São Francisco.

Segundo a polícia, a grana serviu para comprar o avião. Vem mais turbulência por aí. Podem esperar.

Texto publicado originalmente às 7h03
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