Clique e Assine por apenas R$ 0,50/dia
Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Mesmo que a manobra pró-Cunha de Maranhão dê certo, ainda existem juízes em Brasília

Tribunal faz bem em torcer para que o próprio Poder Legislativo se encarregue do deputado enrolado; se não o fizer, que a Corte escolha o caminho da moralidade

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 30 jul 2020, 22h36 - Publicado em 1 jun 2016, 06h11

Waldyr Maranhão (PP-MA), o exótico presidente da Câmara em exercício, encaminhou uma série de perguntas à CCJ que, respondidas a contento — dele e de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) — podem até salvar, dizem especialistas, o mandato do presidente afastado da Câmara. Seria uma forma marota de mudar as regras com o jogo em andamento.

Bem, já deu para perceber que a rede de influências que construiu na Câmara dá a Cunha sete vidas, não é? O que antevejo? O óbvio.

Cunha pintou e bordou na Presidência da Câmara enquanto o Supremo Tribunal Federal permitiu. Na hora em que não deu mais, foi afastado, com o apoio unânime dos membros da Corte.

Se sou Teori Zavascki, relator do petrolão, faria rigorosamente o que ele está fazendo: aguardaria que o próprio Poder Legislativo se encarregasse de dar a Cunha a resposta que ele merece. Ainda que se ignore o conjunto de sua obra para levar em conta apenas a mentira contada numa CPI, contada ela está. E isso é motivo para cassação.

Se, no entanto, o Poder Legislativo não respeitar as próprias prerrogativas, nada impede que Teori Zavascki, seguindo os ritos, lembre a Cunha que ainda existem juízes em Brasília.

Se pode até escapar de uma cassação na Câmara, Cunha certamente não escapará de uma condenação no STF. E aí perderá o mandato. É o que ele merece.

Continua após a publicidade
Publicidade