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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Mercadante e os aloprados – Folha Online deve um “erramos” a seus leitores

Algum espírito mau anda orientando a Folha nessa história de Mercadante e os aloprados. Dos grandes veículos, o jornal é o único até agora a fazer de conta que a coisa não existe. Muito bem! Eis que leio agora o seguinte texto na Folha Online. Prestem bastante atenção: Procuradoria pede que polícia investigue acusações contra […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 11h33 - Publicado em 21 jun 2011, 19h04

Algum espírito mau anda orientando a Folha nessa história de Mercadante e os aloprados. Dos grandes veículos, o jornal é o único até agora a fazer de conta que a coisa não existe. Muito bem! Eis que leio agora o seguinte texto na Folha Online. Prestem bastante atenção:

Procuradoria pede que polícia investigue acusações contra Mercadante

Por Jean-Philip Struck:
O Ministério Público Federal em Mato Grosso pediu à Polícia Federal que investigue as declarações de Expedito Veloso, ex-diretor do Banco do Brasil, que supostamente afirmou que o atual ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante (PT), foi o mentor do escândalo conhecido como o “dossiê dos aloprados”.
As supostas declarações de Veloso, que atualmente é secretário-adjunto da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Distrito Federal, foram publicadas pela revista “Veja” neste fim de semana.
Até o momento, Veloso não confirmou nem desmentiu o conteúdo da reportagem.
Segundo a revista, ele também disse que o ex-governador paulista Orestes Quércia, que morreu no ano passado, ajudou a arrecadar parte do R$ 1,7 milhão usado para comprar o dossiê, apreendido em 2006 pela PF.
As declarações, ainda de acordo com a revista, foram gravadas e ocorreram em uma conversa entre Veloso e um grupo de conhecidos, em local e data não revelados.
Mercadante chegou a ser indiciado pelo caso em 2006, porém, no ano seguinte, o STFmandou arquivar a ação com base num parecer do próprio Ministério Público Federal, que não viu indícios de participação dele no caso.
Agora, com o pedido da Procuradoria, um novo delegado deve ser indicado para cuidar do inquérito, que integra um processo que tramita atualmente na Justiça Federal.
A Procuradoria também afirma que o inquérito deve ser distribuído para um novo procurador. O órgão não revelou detalhes sobre os pedidos de diligência feitos à PF, que não soube informar quando as investigações serão retomadas. (Supremo Tribunal Federal)

Voltei
Vamos por partes: “suposta” é a participação de Nero no incêndio de Roma ou dos nazistas no do Reichstag — é muito possível que tenha acontecido, mas não há provas. As declarações de “Veloso” não são supostas; são reais. Existem.

Que papo é esse de Jean-Philip de que Veloso nem confirmou nem desmentiu o conteúdo da reportagem? O repórter leu a matéria a que alude para escrever seu texto? VEJA publicou uma entrevista com Veloso. Destaco um trecho:
VEJA – O senhor confirma tudo o que disse nas conversas gravadas?

Veloso –
Eu estava querendo mostrar às pessoas que eu não era um aloprado. Não me lembro dos detalhes, mas tudo o que você relata que ouviu eu realmente disse. Era um desabafo dirigido a colegas de partido.

O que vai acima é ou não “confirmar” a reportagem?

Finalmente, o STF anulou o indiciamento de Mercadante, em primeiro lugar, porque a PF não poderia tê-lo feito já que, senador que era, ele tinha direito a foro especial — o próprio Supremo. De fato, não se viram os indícios necessários para o indiciamento em foro adequado. Mais isso se deu antes da confissão de Expedito Veloso — que é real, viu, Jean-Philip. Você pode chamar de “supostos” até cabeça do bacalhau e enterro de anão: existem, claro, mas quem já viu? No caso da gravação com a confissão de Veloso, ela pode ser vista e até ouvida.

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