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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Marqueteiro de Lula e Dilma cria clipe para governo da Venezuela que anuncia a ressurreição de Chávez. Ou: A esquerda conseguiu piorar muito!

Pois é… Os idiotas e os canalhas que me desculpem, né?, mas o fato é que sei bem como são as coisas. Apontei aqui num post desta manhã a tentativa de associar Hugo Chávez à figura de Jesus Cristo. Aliás, há cartazes nas ruas fazendo essa comparação. Muitos disseram que exagerei, que forcei um pouco […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 06h43 - Publicado em 7 mar 2013, 20h39

Pois é… Os idiotas e os canalhas que me desculpem, né?, mas o fato é que sei bem como são as coisas. Apontei aqui num post desta manhã a tentativa de associar Hugo Chávez à figura de Jesus Cristo. Aliás, há cartazes nas ruas fazendo essa comparação. Muitos disseram que exagerei, que forcei um pouco a mão e coisa e tal.

Pois é…

Leio no Radar, de Lauro Jardim, que João Santana, o marqueteiro de Lula e Dilma — e que fez a campanha de Chávez à reeleição —, já preparou um clipe sobre o ditador morto. Entrou no ar nesta quinta. É preciso ver para crer.

O título é “Chávez, corazón de mi patria”, que foi o mote empregado na última campanha eleitoral. Entremeando imagens da natureza com cenas de júbilo (pelas vitórias eleitorais) e tristeza (pela morte do ditador), uma música de apelo religioso, com sotaque gospel, anuncia: “Ele voltará de novo”.

http://videos.abril.com.br/veja/id/af8e546b0a1f1b61e8e98721cd89d038?

Segue um trecho da letra. Volto em seguida:
(…)
Como um pássaro que volta a voar,
como uma estrela que volta a brilhar.
como um coração valente que volta a cantar,
ele nascerá de novo,
ele nascerá de novo
para avançar, avançar,
avançar com o seu povo!
(…)

A letra é de autoria do próprio Santana, que, como a gente vê, repete a profecia de Mahmoud Ahmadinejad (ver post). A esse estado miserável chegou a vida pública na Venezuela. A esse tipo de mistificação conduzem as políticas de populistas agressivos como Hugo Chávez.

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Tudo tem história. Esse tipo de coisa também. Faz tempo que a esquerda é chegada à adoração de cadáveres. Já teve um pouco mais de gosto. O clássico dos clássicos nessa área é a música “Hasta siempre”, de Carlos Puebla, composta em 1965 (Che morreria só dois anos depois, na Bolívia), quando o facinoroso amoroso (para as esquerdas do miolo mole) deixa o governo cubano e Cuba para se meter numa revolucionária no Congo. Vejam um trechinho da letra:

Aprendimos a quererte
desde la histórica altura
donde el Sol de tu bravura
le puso cerco a la muerte.

Aquí se queda la clara,
la entrañable transparencia,
de tu querida presencia,
Comandante Che Guevara.
(…)

Quando Che morreu, em 1967, a música inspirou centenas de clipes, como este:

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=GxtwzU0-wPM%5D

Até eu tenho aqui de me patrulhar para não me deixar capturar, ainda que um pouquinho, pela mentira. A música, convenham, é bacaninha. Se a gente não sabe que Che era um assassino asqueroso, um defensor fanático do ódio que deve “fazer do homem uma eficiente máquina de matar” (segundo ele mesmo); se a gente não sabe que ele executava um homem a sangue frio por ter pegado um pedaço de pão sem autorização; se a gente não sabe que foi ele o criador do primeiro campo de concentração na América Latina, se a gente não conhece, enfim, como viveu e o que escreveu o Porco Fedorento, quase se deixa levar…

De toda sorte, estamos diante de uma mesma intenção estética, porém expressa em dois tempos: um ainda é o tempo da revolução cubana, que tinha lá o seu charme, embora já fosse essencialmente criminosa sob qualquer critério que se queira. O outro já é o da farsa da farsa, que é Chávez.

Esse bandoleiro golpista aproximou-se tardiamente da esquerda, quando o comunismo já tinha entrado em falência. Daí que Che e Fidel, vá lá, ainda pudessem se parecer com personagens saídas dos sonhos eventualmente generosos dos incautos. Chávez foi só o pesadelo do bom senso. Mas a fraude da fraude ganhará dimensões inimagináveis para o século 21. Fica para o próximo post.

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