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Mais cuidado com Thomas Kuhn

Do jornalista e blogueiro Maurício Tuffani, que sempre sabe o que diz:*Caro Reinaldo, Também critiquei a professora Roseli Fischmann hoje em meu blog (http://laudascriticas.wordpress.com), mas por um motivo específico. Ela cometeu um equívoco ao se apoiar em Thomas Kuhn para afirmar que “a ciência se constrói historicamente por paradigmas. Com o tempo surgem novas idéias, […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 18h25 - Publicado em 15 dez 2008, 15h48
Do jornalista e blogueiro Maurício Tuffani, que sempre sabe o que diz:
*
Caro Reinaldo,

Também critiquei a professora Roseli Fischmann hoje em meu blog (http://laudascriticas.wordpress.com), mas por um motivo específico. Ela cometeu um equívoco ao se apoiar em Thomas Kuhn para afirmar que “a ciência se constrói historicamente por paradigmas. Com o tempo surgem novas idéias, novas propostas, que vão corroendo essa estrutura até que surja um novo modelo”.

Na verdade, o que Kuhn afirmou é que um paradigma entra em crise a partir de sucessivas dificuldades e contradições apresentadas por observações e experimentos.

Minha posição sobre o assunto é a de que o criacionismo deve ser discutido em aulas de ciências, mas sem ser ensinado como ciência. Não partilho dos critérios popperianos de demarcação do que é ciência, mas considero válido seu princípio de falseabilidade como condição necessária para os pressupostos básicos das ciências naturais.

Exemplificando o uso desse princípio, eu disse hoje em meu blog:

“A premissa de que uma instância externa conduz o desenvolvimento da vida não é falseável: ela é compatível com o fato de a girafa ter pescoço comprido e, se essa espécie tivesse pescoço curto, seria compatível também. Isso não é ciência da natureza. O evolucionismo pode e deve ser esmiuçado e ter expostos todos os casos de observações e experimentos que o contradizem. Mas enquanto não houver uma proposta de paradigma não evolucionista baseada em premissas falseáveis, não vale a pena abandoná-lo.”

Não se trata de negar a legitimidade do conhecimento religioso, mas de avaliar criticamente as condições de possibilidade para que ele possa servir de fundamento para explicações sobre a natureza. Reciprocamente, e disso muitos cientistas não gostam, é preciso também avaliar criticamente os limites da ciência.

Abraço,
Maurício Tuffani
Publicar Recusar (Maurício Tuffani) 14:34

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