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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Lula reaparece e, por enquanto, não há lugar para o seu discurso

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva resolveu expor a sua figura na Medina… Foi visitar José Alencar, ex-vice-presidente, no Hospital Sírio-Libanês. Não quis falar com a imprensa, mas aproveitou para fazer um testezinho de popularidade. Não houve comoção. Ninguém se rasgou. Ele anunciou que vai falar sobre as passaportes ilegais para a família Soprano […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 13h07 - Publicado em 18 jan 2011, 18h48

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva resolveu expor a sua figura na Medina… Foi visitar José Alencar, ex-vice-presidente, no Hospital Sírio-Libanês. Não quis falar com a imprensa, mas aproveitou para fazer um testezinho de popularidade. Não houve comoção. Ninguém se rasgou. Ele anunciou que vai falar sobre as passaportes ilegais para a família Soprano e Andando e disse que debateu a questão as chuvas em recente encontro com a presidente Dilma Rousseff. Está se preparando para tentar voltar à ribalta.

Lula deve andar um tantinho infeliz, dada a doença psíquica de que padece — a Síndrome da Inveja do Próprio Pênis, que Freud não havia identificado. Ela se caracteriza por um tal amor por si mesmo que o indivíduo fica com uma espécie de ciúme da própria biografia, procurando sempre se superar com fantasias novas. Só que essa degenerescência do caráter precisa de público para ser exercida. E ele lhe falta no momento.

Além da patologia descrita acima, ele certamente não contava que a imprensa, com as exceções de sempre, fosse aderir de forma tão acrítica à sua sucessora. No modelito imaginado pelo Babalorixá de Banânia, ele deveria, agora, estar defendendo a sua criatura eleitoral dos ataques “injustos” da “mídia conservadora” e “reacionária”. Em vez disso, o que se tem é uma impressionante lua-de-mel. Mesmo sob escombros e debaixo de muita lama.

Essa imprensa nem se ocupa de lembrar que, segundo a campanha eleitoral, o governo que terminou no dia 31 de dezembro de 2010 era “governo Lula-Dilma” — e, pois, a eventual herança pesada, especialmente nos gastos públicos, também é responsabilidade dela. Que nada! Parece que ela é vítima passiva de um antecessor gastão. O Demiurgo deve andar meio irritado. Afinal, se tal juízo faz justiça a ele, criticando-o, é injusto com ele, elogiando-a. Entenderam a complexidade do caso?

Dilma também é muito apreciada por fazer uma espécie de governo nas sombras, que não se mostra, que fala por intermédio de assessores. Mais uma vez, a referência é Lula, o falastrão buliçoso. Ele falava tais e tantas barbaridades que o silêncio dela se confunde com sapiência, competência e sagacidade política.

Por enquanto, em suma, o lugar que Lula reservou para si de zagueiro do governo Dilma, eventualmente um líbero que avançaria contra a linha de defesa adversária, mostra-se absolutamente ocioso, desnecessário. A imprensa tomou para si esse discurso. Restará a o Babalorixá, se quiser, voltar a falar bem de si mesmo, só que, agora, já sem a mesma graça e a caneta na mão.

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