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Lula e o serviço público de saúde. Ou: Do que Gilberto Dimenstein deveria se envergonhar

Ai, ai! No primeiro texto que escrevi sobre a doença de Lula, censurei uma coluneta de Gilberto Dimenstein em que ele afirma que o câncer do ex-presidente “vai servir de lição”. Foi mais longe: “Infelizmente é desse jeito, com as pessoas sentindo-se próximas e vulneráveis diante de uma ameaça, que se consegue mudar atitudes” (cito […]

Ai, ai!

No primeiro texto que escrevi sobre a doença de Lula, censurei uma coluneta de Gilberto Dimenstein em que ele afirma que o câncer do ex-presidente “vai servir de lição”. Foi mais longe: Infelizmente é desse jeito, com as pessoas sentindo-se próximas e vulneráveis diante de uma ameaça, que se consegue mudar atitudes” (cito no português original). Já disse o que penso sobre essa abordagem.

Parece que os lulistas radicais não gostaram do texto e resolveram pegar no pé do colunista. Aí ele fez o quê? Ora, resolveu atacar o “outro lado”, escrevendo um texto intitulado: “O câncer de Lula me envergonha”. E escreve:
Centenas de e-mails pediam que Lula não se tratasse num hospital de elite, mas no SUS para supostamente mostrar solidariedade com os mais pobres. É de uma tolice sem tamanho. O que provoca tanto ódio de uma minoria?”

Pronto! O mesmo jornalista que, horas antes, achou irônico que Lula tivesse um câncer justamente no órgão associado à fala (e daí?), agora decidiu “atacar a minoria” para mostrar que ele é um homem favorável “à maioria”. Já que o lulismo pegou no seu pé, ele decidiu lhe puxar o saco.

Não acho que Lula ou qualquer político estejam obrigados a se tratarem em hospitais públicos ou a manterem seus filhos em escolas do estado. Mas que se note: NÃO ACHO PORQUE UM POLÍTICO NÃO É RESPONSÁVEL, SOZINHO, PELA BAIXA QUALIDADE DESTE OU DAQUELE SERVIÇOS. ASSIM COMO NÃO É RESPONSÁVEL ÚNICO POR EVENTUAIS ASPECTOS POSITIVOS DO PAÍS, DA SUA ECONOMIA, DO SEU DESENVOLVIMENTO.

Lula e o petismo tentaram privatizar a história do Brasil. Mais do que isso: fizeram tabula rasa do passado para se colocarem como os fundadores de uma nova civilização, o que é absolutamente mentiroso, estúpido, fraudulento. EU REALMENTE NÃO ACHO QUE LULA ESTEJA OBRIGADO A SE TRATAR NUM HOSPITAL PÚBLICO, mas entendo que se faça a cobrança a quem declarou, e não faz tanto tempo, que “a saúde no Brasil está próxima da perfeição”. AS PESSOAS TÊM O DIREITO DE TER ESSA OPINIÃO.

Acho lamentável esse tipo de postura. Ao perceber que fez uma grande besteira, Dimenstein resolveu jogar os lulistas contra os críticos de Lula para poder se colocar como juiz, dizendo-se “envergonhado”. Tenha a santa paciência!

Reitero: eu não acho que Lula esteja moralmente obrigado a se tratar num hospital público, mas não há nada de ofensivo na sugestão. Rigorosamente nada!

O que deve nos envergonhar, isto sim, é o padrão da saúde pública no Brasil. Aliás, Dimenstein deve achar que a sugestão é ofensiva a Lula justamente porque esse serviço, no país, é um lixo; está, obviamente, “muito longe da perfeição.”

Dimenstein deveria é se envergonhar não da opinião dos leitores — ele não tem nada com isso. Deveria é se envergonhar dos dois textos que escreveu a respeito.

Vai ter de tentar o terceiro.

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