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LULA E CELSO AMORIM APOSTARAM CONTRA A DEMOCRACIA. E PERDERAM DE MODO MISERÁVEL! FELIZMENTE!

A posse de Porfirio Lobo Sosa, novo presidente de Honduras, encerra uma crise de sete meses, que teve início com a deposição CONSTITUCIONAL de Manuel Zelaya, no dia 28 de junho do ano passado. Permitam-me uma pontinha de orgulho. No dia em que o Congresso Internacional da Impostura decidiu chamar aquele ato de golpe, eu […]

A posse de Porfirio Lobo Sosa, novo presidente de Honduras, encerra uma crise de sete meses, que teve início com a deposição CONSTITUCIONAL de Manuel Zelaya, no dia 28 de junho do ano passado. Permitam-me uma pontinha de orgulho. No dia em que o Congresso Internacional da Impostura decidiu chamar aquele ato de golpe, eu decidi ler a Constituição do país — sim, mesmo Honduras, tratada como uma espécie de quintal da “Nova Ordem de Esquerda” da América Latina, tinha uma Constituição democraticamente instituída. A despeito dos fatos e da clareza com que o texto indicava que Zelaya, ele sim, tentara o golpe, esta tal “nova ordem” seguiu o grito de guerra de Hugo Chávez: restituição de Zelaya já!

Hesitantes a princípio, severos em seguida, os EUA engrossaram o coro, congelando fundos de assistência e cancelando o visto de hondurenhos comprometidos com o “golpe”. Poucos países sofreram cerco semelhante. E atenção: nenhuma democracia passou por algo parecido. Porque, por incrível que pareça — e, hoje, vista a coisa a uma certa distância, o absurdo não faz senão crescer —, Honduras seguiu sendo uma democracia: o calendário eleitoral foi mantido, não se votou uma só lei de exceção, os Poderes Constituídos mantiveram a sua autonomia e as suas prerrogativas, não houve cassações, não se fizeram prisões políticas.

Não obstante, tentava-se classificar a deposição de Zelaya como um golpe “tipicamente latino-americano”, o que era uma piada, arte da mais pura pilantragem intelectual. Hugo Chávez decidiu patrocinar pessoalmente a volta do golpista deposto, invadindo o espaço aéreo hondurenho. Falhou. Com o auxílio de Brasil, Nicarágua e El Salvador, conseguiu finalmente instalar o bigodudo delinqüente na embaixada brasileira.

Na coleção de absurdos, o Brasil ganhou lugar de destaque. Lula e Celso Amorim, senhores, apostaram na guerra civil hondurenha! Passada a era da mistificação, isso restará indelével em suas respectivas. O Megalonanico hiperativo, em entrevista recente ao Estadão, teve a cara-de-pau de afirmar que a presença de Zelaya na representação brasileira impediu a explosão de violência. Mentira tosca! A esmagadora maioria dos hondurenhos não queria o candidato a ditador. A verdade, como sempre, está no avesso do que diz Amorim: o risco de violência surgiu com a presença Chapeludo maluco no país.

O tempo foi-se encarregando de revelar o que estava em curso. Parte da imprensa, daqui e do mundo, decidiu fazer o que nós, caros leitores, fizemos desde o primeiro dia: ler a Constituição de Honduras. Quando Daniel Ortega, outro apoiador de primeira hora de Zelaya, deu um golpe na Constituição da Nicarágua e fez a Corte Suprema declarar sem efeito parte do texto para, também ele, tentar se eternizar no poder, a ficha de Washington caiu. Os republicanos botaram o dedo na ferida: Obama e Hillary Clinton comportavam-se como caudatários do chavismo.

A posse de Porfírio Lobo, em eleições ainda não-reconhecidas pelo Brasil — os hondurenhos não estão nem aí para o que pensa Lula —, humilha a diplomacia brasileira e seus aloprados e também expõe o ridículo a que está submetida a OEA sob o comando de José Miguel Insulza, que previa — talvez torcesse por isso — um banho de sangue se Zelaya não fosse reconduzido ao poder.

O que se viu, na verdade, foi uma espécie de conspiração de idiotas e esquerdistas pilantras contra a democracia. Durante meses se repetiu o mantra de que não se pode depor um presidente eleito. Não? Se ele desrespeitar a Constituição, não é uma questão de poder, mas de dever. E cada país tem as suas regras para fazê-lo. No Brasil, é preciso um processo de impeachment. Em Honduras, a depender do crime, a deposição é automática, ouvidos, como foram, o Congresso e a Corte Suprema.

Sete meses depois de Hugo Chávez ter patrocinado a tentativa de golpe em Honduras — de pronto rechaçada pelo Congresso, pela Justiça, pelo Ministério Público, pelas Forças Armadas e pela maioria do povo —, quem já deu início à trilha que o levará à desgraça e à liberdade dos venezuelanos é Hugo Chávez. Seu governo está se esfarelando. Cada vez mais, ele depende do apoio dos militares para governar.  E isso, sim, remete ao pior passado da América Latina.

Neste blog, como sabem, escrevi muitas vezes: a derrota de Manuel Zelaya em Honduras é o começo do fim do chavismo. O país, com todas as dificuldades, segue, felizmente (e contra a vontade de Lula e de Amorim) na trilha da democracia. Chávez, o patrocinador de golpes, está cada vez mais perto de ser pendurado pelos pés em praça pública.

A democracia ainda assistirá a esta vitória. Anotem aí.

Para não perder a viagem
A vitória da democracia em Honduras também derrotou boa parte da imprensa brasileira. Uma derrota intelectual e profissional. Há honrosas exceções que não caíram no conto bolivariano — VEJA, felizmente, entre elas. Não se esperava dessa gente muita coisa: apenas a leitura da Constituição daquele país e o reconhecimento de que a Carta daqui não pode ser aplicada lá. Houve até uma tonta que achou um absurdo que não houvesse um processo de impeachment para depor Zelaya… Pois é, estivesse o impeachment previsto nas leis daquele país, talvez fosse mesmo…

O Itamaraty de Celso Amorim costuma usar os jornais brasileiros como passarela de seus delírios de onipotência. O Megalonanico chega ao requinte de ter uma colunista que funciona como sua porta-voz. Esta senhora teve a ousadia (!?)  de escrever, certa feita, que o Brasil havia combinado com a Casa Branca a visita de Ahmadinejad ao país. No dia seguinte, o mundo ficou sabendo que Obama enviara uma carta  às autoridades brasileiras esculhambando a… visita de Ahmadinejad!!!

A situação de certa imprensa é terminal. Ou muda ou morre.

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