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Haddad é falacioso ao afirmar que medidas adotadas por ele reduziram mortes no trânsito: EU PROVO COM A MATEMÁTICA!

Prefeito tenta exibir um mérito que não tem; redução de mortos na região metropolitana, incluindo ou não SP, é igual à da capital; queda também se verifica nas estradas

Comento com atraso, mas não dá para deixar passar. O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), não tendo nada de relevante de sua própria lavra que possa ser exibido como conquista na cidade, decide, então, privatizar méritos que não são seus. Um número serviu para ele sair batendo bumbo. Em setembro, os acidentes de trânsito mataram 23 pessoas na cidade de São Paulo. No mesmo mês do ano passado, foram 46. Nessa comparação, a queda é de 50%.

E o que disse o prefeito? Segundo ele e seus líricos, trata-se da “demonstração clara” de que a política de redução de velocidade nas vias da capital paulista “está dando resultado”. E emendou: “Não é uma coincidência”.

A afirmação é errada de vários modos.

A própria Folha, na reportagem em que informa os números, faz esta estranha afirmação:
“Um dos motivos para redução dos casos na cidade é a redução do limite de velocidade nas principais vias, a implantação de faixas e semáforos de pedestres, radares do tipo lombada eletrônica e ciclovias.”

Como assim? De onde saiu essa informação? O que as ciclovias têm a ver com isso? Por que elas teriam contribuído para diminuir os acidentes? Eram tantos assim os ciclistas atropelados? Então vamos detalhar a farsa do prefeito.

Em primeiro lugar, não faz sentido tomar a queda num único mês como um indicativo. A redução de 50% serve apenas à propaganda. Vamos ver o que indicam os números no acumulado de janeiro a setembro: nesse caso, a redução de mortes no trânsito na cidade não foi de 50%, mas de 26,9%. Ainda assim, um número vistoso.

Ocorre que na Grande São Paulo, que inclui 39 municípios e população superior a 20 milhões de pessoas, a redução de um setembro comparado com outro foi de 42% (48 para 28). Mas esperem: vamos tomar os primeiros nove meses do ano: a redução foi de 26,85% (de 499 para 365). Ou seja: O MESMO ÍNDICE DA CIDADE DE SÃO PAULO.

Haddad até poderia tentar dizer que os números da capital jogam para baixo os da Região Metropolitana. Mas seria mentira. Dado que a dita região, menos a capital, vale por uma São Paulo, os índices das 38 outras cidades são iguais aos da capital, já que, sozinha, esta registrou queda de 26,9% e, com as outras 38 cidades, de 26,85%. E, nessas outras, não valem as “leis de Haddad”.

Em todo o Estado, a redução de janeiro a setembro é de 20,77%. Tomado apenas o interior, é de 18,53% — abaixo, sim, da cidade, mas também abaixo da região metropolitana.

Marginais
De resto, a insatisfação da esmagadora maioria dos paulistanos que têm carros nem diz respeito à redução da velocidade nas ruas da cidade. Na maioria delas, não se consegue andar nem no atual limite permitido. O absurdo diz respeito às Marginais — no caso específico, aos limites de 70 km/h (pista expressa) e 50 km/h (pista local) impostos mesmo à noite —, uma vez que, também nelas, durante o dia, não é possível alcançar o limite. Inexistem números que expliquem e justifiquem a imposição.

Há uma queda generalizada no número de mortes em acidentes, o que é, em si, uma boa notícia. Há fatores que podem nem ser tão virtuosos, como a crise econômica, que reduziu de forma considerável a circulação de caminhões, por exemplo. Fatores outros deve haver, sim, que precisam ser estudados.

Mas não venha Haddad com as suas ridicularias. Diz ele que os números de São Paulo, mais expressivos do que os de outros lugares, explicariam o acerto de sua política. Errado. Os da região metropolitana, onde não vigoram as suas leis, provam que não.

Estradas
De resto, os dados das cidades repetem o que já havia se verificado nas estradas. De janeiro a agosto deste ano, caiu em 21% o número de mortos nas rodovias paulistas (722 a 572) — pouco abaixo dos 26,9% registrados na Grande São Paulo e na cidade de São Paulo. E Haddad não estava lá para reduzir a velocidade a 50km/h.

Foi a maior queda registrada desde 1998. O que explica? Vamos ser otimistas e imaginar que, bem, as pessoas se educaram um pouco mais. Mas o fato é que houve uma queda acentuada de veículos pesados nas rodovias sob concessão — 5,5% no período. São aqueles mesmos veículos pesados que deixaram de entrar na cidade de São Paulo e na região metropolitana. O nome disso é recessão.

Não sei onde Haddad estudou matemática. Mas sei onde ele se formou em farsa política.

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