Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Haddad comanda o Ministério da Boçalidade Arrogante e da Delinqüência Intelectual

Abro a porta do quarto do hotel, e lá está o jornal O Globo, num simpático suporte de couro, pendurado no trinco. Manchete: “MEC não vai recolher livro que aceita erro de português”. Pego o jornal, deixo-o sobre a cama e resolvo lavar o rosto, livrando-me dos humores do sono. Quero ler direito esse negócio, […]

Abro a porta do quarto do hotel, e lá está o jornal O Globo, num simpático suporte de couro, pendurado no trinco. Manchete: “MEC não vai recolher livro que aceita erro de português”. Pego o jornal, deixo-o sobre a cama e resolvo lavar o rosto, livrando-me dos humores do sono. Quero ler direito esse negócio, bem desperto.

Fico sabendo que foram comprados e distribuídos quase 500 mil volumes da obra “Por Uma Vida Melhor”, que, à diferença do que o nome sugere, não é um livro de auto-ajuda desses autores “cut-cut” que andam por aí, espalhando a sua “pedagorréia do amor”. Não! Trata-se de um livro de língua portuguesa, de autoria de uma professora chamara Heloísa Ramos. A professora Heloísa acredita  ser “importante que o falante de português domine as duas variantes e escolha a que julgar adequada à sua situação de fala”. Uma das variantes é o erro. Como cada um erra a seu modo, sem obedecer a um método, então tudo é permitido. Para esta senhora, há situações, então, em que o erro é preferível ao acerto. Com 500 mil volumes vendidos, ela está com a vida ganha.

Já expus aqui a teoria que subjaz a essa estupidez. No Globo, um representante do MEC diz que a pasta não recolherá os livros porque não é “o Ministério da Verdade”. De fato! Trata-se do Ministério da Boçalidade e da Delinqüência Intelectual. O talzinho que falou  faz uma alusão ao livro “1984”, de George Orwell, sugerindo que os críticos daquele lixo encadernado seriam pessoas autoritárias, defensoras de um regime totalitário.

Estúpida hipocrisia a dele!

O MEC, ele sim, remete a um regime discricionário nessa história toda. Para começo de conversa, uma equipe faz uma pré-seleção dos livros compráveis. Resta evidente que “Por Uma Vida Melhor” não passou pelo crivo em razão de seu amor pela Inculta & Bela — ou, fazendo piada, pela “inculta”, sim; pela “bela”, jamais! O critério foi unicamente ideológico, uma vez que a abordagem que justifica que aquela estupidez seja oferecida aos alunos nasce da suposição de que a língua espelha a luta de classes, de modo que se trataria, então, de respeitar “a expressão do oprimido”. Essa visão vagabunda do processo educacional ignora, ou finge ignorar, que a vida selecionará esses jovens brasileiros em futuro relativamente breve. Quem tiver mais domínio da norma culta leva vantagem. O livro da dona Heloísa incentivaa formação de ignorantes orgulhosos de sua condição. Que conseguir se tornar presidente da República, bem… Quem não conseguir vai catar lata!

O dito-cujo quer brincar de “1984”? Então vamos lá, valentão! O que se está ensinando aos alunos, nesse caso, é a “novilíngua”, em que “liberdade é escravidão, ignorância é força”.

Comentários
Deixe um comentário

Olá,

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s