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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Gilberto Carvalho, aquele cuja fala inspira arruaceiros e trogloditas que querem bater em jornalistas, passa dos limites mais uma vez

Não foi só Rui Falcão que discursou na abertura de uma reunião da Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura) — ver post a respeito. Gilberto Carvalho, o maior chefão do PT depois de Lula e ministro de Estado, também estava lá. É aquele que anunciou no ano passado: “O bicho vai pegar”. Muito bem! […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 06h44 - Publicado em 5 mar 2013, 04h39
Não foi só Rui Falcão que discursou na abertura de uma reunião da Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura) — ver post a respeito. Gilberto Carvalho, o maior chefão do PT depois de Lula e ministro de Estado, também estava lá. É aquele que anunciou no ano passado: “O bicho vai pegar”. Muito bem!

Carvalho decidiu responder a uma crítica do senador Aécio Neves (MG), possível candidato do PSDB à Presidência em 2014, segundo quem o governo decidiu acabar com a miséria por decreto. Ok. Carvalho é secretário-geral da Presidência, e é razoável que responda à crítica. Mas num evento de caráter sindical, que deve, por princípio, ser independente de partido??? É espantosa a degradação dos valores republicanos sob o comando petista.

Mais: um ministro de estado está obrigado a certo decoro. Carvalho — o chefe daquele rapaz que participa de conspirações contra blogueiras cubanas — perdeu completamente a noção de limites e se expressou nestes termos, referindo-se a Aécio, segundo informa a Folha Online:
“Ao contrário do que disse um senador irresponsavelmente nos últimos dias, de que nós iremos extinguir a miséria por decreto, não é isso, não, seu senador. Nós não estamos extinguindo a miséria por decreto. O governo Dilma não abandonou seu povo e por isso a miséria está nos abandonando”. Foi adiante: para Carvalho, Aécio representa “governos neoliberais, que querem voltar a governar um dia o país”. E emendou: “Mas o povo não vai deixar porque o povo sabe quem está com ele, quem caminha com ele, quem não o abandona”.

Grosseria, mistificação e vulgaridade. Grosseria porque o “seu senador”, goste Carvalho ou não, foi eleito pelo povo e é tão legítimo quanto Dilma Rousseff. A rigor, quem não tem voto popular é Carvalho. Mais: foi eleito para fazer oposição — e, nas democracias, são as oposições que legitimam governos, uma vez que estes existem também nas ditaduras, como a cubana, por exemplo, para onde Carvalho mandou um assessor fazer treinamento de ciberguerrilha…

Mistificador, Carvalho usa um slogan publicitário como argumento. Como fica claro que já está fazendo campanha, incorre também numa incorreção ética ao subordinar ao partido aquilo que pertence ao governo. Mistificador também porque, com efeito, os petistas estabeleceram que não é miserável quem ganha pelo menos R$ 70. Ao conceder uma bolsa de R$ 70, eliminam uma “miséria” que o próprio partido inventou. Espero que a campanha eleitoral dos que pretendem desalojar o PT do poder exibam como e onde vive um “não-miserável” de R$ 70 e um suposto classe média de R$ 300.

A vulgaridade política fica por conta dessa obsessão asquerosa, que consistem em afirmar que os petistas têm o monopólio do amor pelo povo, como se as conquistas que antecederam a gestão petista não tivessem existido. É claro que os adversários do PT têm de cuidar disso. A questão é saber como fazê-lo.

O Brasil é, sim, dados todos os seus marcos legais e institucionais, uma democracia. Mas vive uma democracia degradada, que se rebaixa um pouco por dia. Nas ruas, os trogloditas já acham que podem linchar os que consideram adversários. Num evento sindical, que deveria ser apartidário, dirigente do PT e ministro de Estado comparecem para linchar moralmente a oposição.

É um esculacho!

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