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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

FHC blinda PSDB de cooptação. Ou haverá racha

Os petistas estão dizendo por aí que a carta de FHC acabou sendo um tiro no pé porque ruim para o próprio Alckmin. É uma besteira. Seu efeito eleitoral é praticamente igual a zero. O candidato tucano precisa é do grande eleitorado, aquele que nem jornal lê. Não vai nem ficar sabendo desta carta. Diante […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 23h14 - Publicado em 9 set 2006, 00h03
Os petistas estão dizendo por aí que a carta de FHC acabou sendo um tiro no pé porque ruim para o próprio Alckmin. É uma besteira. Seu efeito eleitoral é praticamente igual a zero. O candidato tucano precisa é do grande eleitorado, aquele que nem jornal lê. Não vai nem ficar sabendo desta carta. Diante dela, não a leria inteira. A questão é outra. Reitero: o alvo é muito mais o público interno. Sim, dá um puxão de orelha nos tucanos que se mostram incapazes de defender a herança virtuosa de seu mandato — e ela existe —, mas isso é o de menos. A indagação que ele faz é outra: “Afinal de contas, vocês querem o quê? Qual Brasil?” Isso, sim, é relevante. E se apresenta para a briga. Poderia tê-lo feito antes? Talvez. Mas antes agora do que mais tarde. O que ele está fazendo é demarcando terreno. Nenhum aventureiro vai enfiar a mão do partido e levá-lo para uma linha de apoio branco ao governo Lula caso este seja mesmo reeleito, como tudo indica. Depois dessa carta — e é preciso entender isto —, o ex-presidente acena, quando menos, com um racha. Entenderam o peso do negócio? A carta cria uma impossibilidade prática de apoio do PSDB a Lula, ainda que informal. Porque ela irá reverberar sempre. E quem quiser apoiar terá de a) deixar o partido; b) abrir uma frente interna de disputa e medir forças. O texto também tem peso histórico. (ver nota acima). Tiro no pé, nada. É um compromisso com o futuro.
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