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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Feticidas já atacam futura secretária das Mulheres; nomeação, por sua vez, é uma imprudência

Patrulheiros abortistas criticam Fátima Pelaes porque esta se declarou contrária ao aborto até em caso de estupro. O que há de moralmente doloso na crítica

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 30 jul 2020, 22h36 - Publicado em 1 jun 2016, 05h57

Ai, ai…

Há coisas que dão uma preguiça! É tudo tão previsível!

O presidente Michel Temer criou um grupo de trabalho para propor ações de combate à violência contra as mulheres. Como escrevi aqui, apoio a iniciativa. Só não apoio a afoiteza. Porque ela acaba sendo contraproducente. Os ditos “especialistas em violência” — e o Brasil os produz aos montes — criticaram a decisão porque dizem que não há medidas práticas. Nem teria dado tempo, não é? De resto, o grupo está encarregado justamente é de fazer propostas.

É claro que a questão é grave. Ocorre que o Brasil teve um Ministério das Mulheres por mais de 13 anos. Os ditos “especialistas” ficaram de boca fechada durante esse tempo. Agora saem aos berros para anunciar que a questão está fora do controle. Teria saído do controle a partir de 12 de maio? Não creio.

O imoralismo das esquerdas é assombroso.

Há mais. O governo decidiu nomear para a Secretaria das Mulheres a deputada federal Fátima Pelaes (PMDB-AP), que virou imediatamente alvo da imprensa e das patrulhas feministas e de esquerda. Estão erradas a nomeação e a crítica.

A nomeação está errada porque a política existe. E é de política que estamos falando. A prudência recomendaria outro nome. Por quê? Pelaes já se manifestou contra o aborto até em caso de estupro. Afinal, ela própria, já revelou, foi concebida num ato de força. Sua mãe decidiu não abortar. E só por isso ela está aí hoje.

Acho, de verdade, meritória a história da mãe, que era  presidiária, e corajosa a declaração da deputada. Ocorre que a legislação brasileira exclui o crime de aborto em caso de estupro e risco de morte da mãe — e, por obra do STF legislador, também no de fetos anencéfalos.

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A prudência política recomendaria que o governo escolhesse alguém que pelo menos estivesse alinhado com a legislação vigente. Mas não. Ao fazer tal escolha, o governo apenas mobiliza contra si os grupos militantes.

Tais grupos militantes, por sua vez, com a ajuda da imprensa, se comportam como milícias. Afinal, as convicções pessoais de Pelaes não podem estar sujeitas a esse tipo de escrutínio. Se, no governo, ela atuar contra a legislação, aí, sim, é caso de criticá-la e de cobrar que se comporte segundo as regras, ora bolas!

Atenção! Não adianta o governo tentar contentar as esquerdas porque isso não vai acontecer. Elas estão empenhadas na restauração. Elas querem “reentronizar” Dilma Rousseff. Se Temer fizer chover maná, dirão que é truque. Se transformar um cajado numa cobra, acusarão feitiçaria.

Afinal, o padrão de titular da pasta das Mulheres, ministério ou secretaria, das esquerdas é Eleonora Menicucci, a ex-ministra. É aquela que chegou a confessar que fez aborto com as próprias mãos, embora não fosse médica, e que pertenceu a uma ONG que ensinava as mulheres a interromper a própria gravidez. Não haverá, fiquem certos, nome para contentar os vermelhos e as vermelhas.

Mas conviria escolher alguém que ao menos fizesse uma defesa eficiente da legislação vigente, que está próxima de um consenso a que chegou a sociedade brasileira.

Ou por outra: a nomeação é um erro de operação política e a crítica é uma manifestação dos fascistoides que se querem iluministas. Deviam ao menos ter a coragem de confessar que criticarão qualquer titular que não se declare, de saída, um feticida.

Afinal, todos eles querem a volta de Dilma ao poder, aquela senhora que, certa feita, comparou o aborto à extração de um dente podre.

A escolha de Pelaes é não mais do que uma inabilidade. A crítica à sua escolha, em razão de sua convicção — não da política que empreende, já que nem tomou posse — é uma imoralidade.

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