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Exército Brasileiro agora virou segurança de pedreiro

A Justiça, vejam abaixo, decidiu, na prática, que o Exército deve deixar o Morro da Providência. Fica só onde há obra. Pela primeira vez na história da humanidade, um Exército será usado para proteger pedreiros. Vai, gente: criativa esta tal “civilização brasileira”. Todos respiram aliviados, pela ordem:– o Comando Vermelho respira aliviado;– o governo respira […]

A Justiça, vejam abaixo, decidiu, na prática, que o Exército deve deixar o Morro da Providência. Fica só onde há obra. Pela primeira vez na história da humanidade, um Exército será usado para proteger pedreiros. Vai, gente: criativa esta tal “civilização brasileira”.

Todos respiram aliviados, pela ordem:
– o Comando Vermelho respira aliviado;
– o governo respira aliviado;
– a OAB respira aliviada;
– a imprensa, majoritariamente, respira aliviada…

Só a população pobre do Morro da Providência não respira aliviada. Esta será devolvida à sua rotina de horror e de subordinação ao estado paralelo do tráfico de drogas. Mas isso já é corriqueiro. Isso faz parte da paisagem. É como o Cristo, o Pão de Açúcar, os Dois Irmãos.

Tudo agora voltou a seu lugar. E alguém se lembrará de que é preciso fazer aquela tal Lei Complementar que discipline a atuação das Forças Armadas na manutenção “da lei e da ordem”, já que isso está previsto na Constituição. Ora, dia desses, a gente cuida do assunto. Por enquanto, temos outras urgências. Precisamos é… Precisamos, bem… Sabe-se lá do que precisamos. Só não queremos mais lidar com essa questão.

Daqui a alguns dias, alguma operação policial no morro ou uma guerra de facções farão mais alguns mortos. Mortos? Quem ainda se espanta com isso? Não haverá comoção, missa, discurso, evocação do estado de direito, o que seja.

Seguiremos em nossa brutal irrealidade cotidiana

Ora, se a Justiça considerou imprópria a presença do Exército para garantir a “lei e a ordem”, como prevê a Constituição, é regular que tenhamos a Força fazendo a segurança de pedreiros? Agora, sim, mais do que nuca, as Forças Armadas estão apenas cuidando de um projeto eleitoreiro do bispo Crivella.

Como diria um bordão de Edir Macedo (toc, toc, toc…), dono da Igreja Universal do Reino de Deus e chefe de Crivella, chegamos ao fundo do poço — se é que não existe ali um alçapão.

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