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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

EUA repetem o discurso empregado para atacar a Líbia. Ou: E se o arsenal químico cai nas mãos da Al Qaeda?

Ai, ai, que preguiça! A ONU ainda não concluiu se foi mesmo Bashar Al Assad quem usou as armas químicas, mas o porta-voz da Casa Branca, Jay Carny, assegurou que os a administração Obama não precisa disso porque já dispõe da certeza de que foi o tirano, sim, o responsável. Resta torcer que as fontes […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 05h31 - Publicado em 27 ago 2013, 22h58

Ai, ai, que preguiça! A ONU ainda não concluiu se foi mesmo Bashar Al Assad quem usou as armas químicas, mas o porta-voz da Casa Branca, Jay Carny, assegurou que os a administração Obama não precisa disso porque já dispõe da certeza de que foi o tirano, sim, o responsável. Resta torcer que as fontes da informação não sejam aquelas mesmas que asseguraram a George W. Bush que Saddam Hussein escondia um arsenal químico no Iraque, não é? Leiam a síntese do que anda pensando o governo americano em texto publicado na VEJA.com. Quem acompanha o noticiário internacional e lida um tantinho com a lógica se espanta.

Nos EUA, o presidente precisa pedir autorização ao Congresso para entrar em guerra com outro país. Foi o que fez, por exemplo, o demonizado Bush antes de atacar o Iraque. E se corrija uma vez mais uma mentira: a ONU não vetou a ação americana, como se diz. Ela não autorizou, o que é diferente — até porque não houve essa votação. Barack Obama é chegado a dar um by pass nas instituições — ele, sim, não seu antecessor. Muito bem! Carny firmou que o presidente, mais uma vez, não pedirá autorização, agora para eventualmente atacar a Síria. Por que “mais uma vez”? Porque Obama já ignorou o Congresso por ocasião do ataque à Líbia. Para todos os efeitos, não entrou em guerra com aquele país. FORAM DIAS SEGUIDOS DE COMBATE NUMA NÃO-GUERRA.

O governo Obama repete também o discurso empregado naquela ocasião. Também se dizia que o objetivo não era derrubar Muamar Kadafi, mas “libertar” a Líbia. Com essa justificativa, Obama pode atacar quem quiser e não precisa prestar contas a ninguém — mas, sabem vocês, terrível mesmo era o demônio Bush. As bombas de Obama salvam e curam.

Os americanos, assim, a exemplo do que fizeram na Líbia, só jogariam algumas bombas em alvos militares. A depender da intensidade, a consequência é óbvia: as forças oficiais ficam debilitadas, e os rebeldes avançam. Para a similaridade ser perfeita, só falta decretar uma Zona de Exclusão, mas apenas para as forças de Assad… Mais uma vez, parece, os ESTADOS UNIDOS VÃO JOGAR UMAS BOMBAS NUMA NÃO-GUERRA.

Agora a lógica
Então há armas químicas na Síria, certo? Estão com ditador Assad. Embora o objetivo não seja derrubar o governo, a chance de que ele caia é gigantesca. Nesse caso, o arsenal químico, que não tem como ser destruído sem o risco de um desastre de proporções inimagináveis, pode cair nas mãos dos jihadistas da Al Qaeda. Tudo ali, bem ao lado de Israel e bem perto dos inimigos xiitas do Hezbollah, que estão no sul do líbano.

Mas Obama, a gente sabe, está sendo de uma formidável habilidade no Oriente Médio, não é mesmo? Por que erraria agora?

Eu sei que vocês conhecem o mapa. Mas vá lá. A Síria vai ali em rosa. Aquela tripinha verde é Israel. Aquela coisinha bege ao Norte é o Líbano, coalhado de xiitas (no Sul). É um pedacinho do mundo. Mas explode e mata.

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