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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

EU NÃO ENTENDO NADA DE AQUECIMENTO GLOBAL, CLARO, MAS ELE ENTENDE!

Os blogs e sites que previram a catástrofe do aquecimento global estão numa espécie de desespero. Precisam, a todo custo, explicar o frio rigoroso do Hemisfério Norte, com suas nevascas inéditas. A saída tem sido alertar que é errado falar em “aquecimento”, que a expressão correta é “mudança climática” e que nada do que se […]

Por Reinaldo Azevedo - Atualizado em 22 fev 2017, 09h16 - Publicado em 22 dez 2009, 20h10

richard-lindzen

Os blogs e sites que previram a catástrofe do aquecimento global estão numa espécie de desespero. Precisam, a todo custo, explicar o frio rigoroso do Hemisfério Norte, com suas nevascas inéditas. A saída tem sido alertar que é errado falar em “aquecimento”, que a expressão correta é “mudança climática” e que nada do que se vê e se experimenta falseia o modelo. E, por óbvio, os que duvidam deles são homens maus, gente ignorante, aferrada, como escreveu Paul Krugman num artigo no NYT, ao antiintelectualismo. Como eram, ele disse, os partidários de George W. Bush. Essa turma usa Bush como Lula usa FHC — falo de estruturas, não de conteúdo. Quando não têm resposta, atacam Bush…

Já ouviram falar de Richard Lindzen? Abaixo, reproduzo um post do blog português Mitos Climáticos. Vocês ficam sabendo um pouco mais sobre este professor de meteorologia do Massachusetts Institute of Technology, o lendário MIT. Aqueles que estiverem severamente interessados no assunto podem clicar aqui e ouvir o professor responder a cada uma das grandes questões que dizem respeito ao aquecimento global. A questão de Lindzen, ele deixa claro, não é saber se existe ou não algum aquecimento —  já que a Terra vem esquentando e resfriando há milhões de anos —, mas se procede o alarmismo. E ele deixa claro que não. E faz até um gracejo: “Al Gore acredita no aquecimento global porque as pessoas acreditam, e as pessoas acreditam porque Al Gore acredita”. É perfeito!

Se eu entendesse de meteorologia o que Lindzen entende, estaria dando aula no MIT. Como não entendo… Assim, não acreditem no que digo sobre aquecimento global e no que dizem outros abelhudos como eu, de um lado ou de outro. Eu costumo tratar apenas da lógica interna das coisas que leio.  Mas considerem a hipótese de o especialista do MIT saber o que diz, especialmente sendo ele — e tendo sido — quem é.

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Richard S. Lindzen é um cientista de elevadíssima craveira intelectual. Professor de Meteorologia do Massachusetts Institute of Technology, já publicou mais de 200 livros e artigos científicos. Foi o leader do capítulo científico do Terceiro Relatório de Avaliação do IPCC, de 2001.

Este último trabalho trouxe-lhe o amargo de boca de se ver confrontado com a falta de ética científica dos principais responsáveis do IPCC, pois estes cientistas-políticos ou políticos-cientistas, como se queira, publicaram com distorções e sem conhecimento de Richard o texto do relatório já aprovado pelos colegas de trabalho.

Richard Lindzen como cientista sério e honesto, que se distingue do núcleo duro que tomou conta do IPCC, demitiu-se da prestação científica dada ao IPCC. Aliás, até hoje, não foi o único a tomar esta posição de verticalidade intelectual. Muitos outros lhe seguiram o exemplo.

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Tornou-se histórico o seu depoimento, no Senado dos Estados Unidos da América, quando o cabotino Al Gore o interrogou e tentava distorcer as afirmações de Lindzen retorquindo: «O que V. Exa. quis dizer foi…».

Sintomaticamente, o The New York Times publicou, na primeira página, as distorções e não as afirmações de Lindzen, que se viu obrigado a redigir um desmentido. Também sintomaticamente o desmentido de Lindzen foi atirado para o interior do jornal. Lá como cá, também existem órgãos de comunicação social enfeudados às teses do alarmismo climático. A vantagem dos EUA é a existência de um forte culto da liberdade de expressão, o que acaba por permitir a divulgação de todos os pontos de vista, circunstância que não se observa em países como o nosso, por exemplo, em que apenas uns quantos estão autorizados a ter opinião. A politicamente correcta, obviamente.

Esclarece-se que Richard Lindzen é um dos 100 signatários da carta aberta ao Secretário Geral das Nações Unidas, de 13 de Dezembro de 2007, por ocasião da Conferência de Bali, cujo tema era “A Conferência das Nações Unidas sobre o Clima está a levar o mundo numa direcção completamente errada”. A tradução desta carta foi publicada em Anexo ao Prefácio do livro de Marlo Lewis Jr. A Ficção Científica de Al Gore

No mesmo livro, Lewis refere ainda Lindzen como autor do artigo “Climate of Fear: Global warming alarmists intimidate dissenting scientists into silence“, publicado no Wall Street Journal, em 12 de Abril de 2006.

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A participação de Richard Lindzen na Segunda Conferência Internacional sobre Alterações Climáticas, veio demonstrar, se dúvidas houvesse, o alto nível desta iniciativa do The Heartland Institute.

Na sua importante comunicação, de 8 de Março de 2009, Richard Lindzen declara que o alarmismo climático foi desde sempre um movimento político contra o qual tem sido necessário travar uma difícil batalha. E, uma vez que se dirige a uma plateia de cépticos, começa por dizer que os opositores ao alarmismo climático devem ter em conta algumas verdades simples.

Em primeiro lugar, Lindzen adverte que nem uma atitude céptica faz um bom cientista, nem uma atitude concordante faz um mau cientista. Conhecendo-se o discurso da parte contrária, pode dizer-se que a honestidade de Lindzen não encontra paralelo em nenhum dos adeptos do global warming.

Lindzen diz ainda que muitos dos cientistas que ele respeita fazem parte do campo alarmista, mas salienta que a actividade científica que lhe inspira esse respeito não é a ligada ao global warming. E admite que o facto de esses cientistas abraçarem as teses do global warming apenas lhes torna a vida mais fácil.

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A este propósito, Lindzen deu o exemplo de Kerry Emanuel, seu colega no MIT, que apenas se tornou conhecido quando afirmou que os ciclones tropicais poderiam tornar-se mais intensos com o aquecimento global. Depois disso, passou a ser inundado com distinções profissionais.

Curiosamente, Kerry Emanuel é referido por Marlo Lewis Jr. no Capítulo 6 do livro “A Ficção Científica de Al Gore”, uma vez que Gore, em “Uma Verdade Inconveniente”, e sob pretexto do furacão Katrina, recorre a Kerry Emanuel para reclamar a “emergência de um forte consenso” acerca da ideia de que o aquecimento global está a aumentar a duração e intensidade dos furacões. Para azar de Gore, o próprio Emanuel alertou contra as tentativas de associar o Katrina, ou outras tempestades recentes no Atlântico, ao aquecimento global.

Depois, Lindzen chamou a atenção para o caso de Carl Wunsch, outro colega do MIT, especialista em oceanografia, o qual, apesar de virtualmente ter questionado todas as afirmações alarmistas respeitantes ao nível dos oceanos, à temperatura da água do mar e à modelação oceânica, evita a todo o custo ser associado aos críticos do global warming.

Mas, para Lindzen, o caso mais curioso é o de Wally Broecker, cujo trabalho mostrou claramente que ocorrem mudanças súbitas do clima sem influência antropogénica, mas que também abraça vigorosamente as teses do alarmismo, daí retirando um elevado reconhecimento.

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Lindzen reconhece que existe um grande número de cientistas que a propósito das alterações climáticas emitem declarações ambíguas, ou sem um significado claro, as quais podem ser distorcidas e aproveitadas pelos alarmistas, mas como a propaganda alarmista pode convencer os políticos a aumentar os fundos de financiamento, não existe incentivo para protestar contra essas distorções.

Lindzen prossegue com a denúncia do comportamento de algumas instituições académicas e reprova as ligações perversas entre cientistas e responsáveis políticos, chamando a atenção para os perigos de uma corrupção da Ciência induzida pela conquista de financiamentos.

Enfim, poderíamos continuar a referir passagens desta importante comunicação de Richard Lindzen, mas o texto já está disponível online e vale a pena ler na íntegra.

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