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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Estão bravos comigo porque defendo que sejam vencidos no voto; eles são diferentes: pregam que eu seja vencido na porrada!

É preciso que algumas coisas fiquem claras. Eu não conheço o professor Marcelo Barra, que foi agredido dentro da sala de aula, na USP. Portanto, eu não o estou defendendo como indivíduo — o que ele pode fazer por sua própria conta. Eu defendo a instituição. Eu defendo a USP. Eu defendo a autonomia universitária. […]

Por Reinaldo Azevedo - Atualizado em 18 Feb 2017, 19h37 - Publicado em 29 Nov 2011, 18h12

É preciso que algumas coisas fiquem claras. Eu não conheço o professor Marcelo Barra, que foi agredido dentro da sala de aula, na USP. Portanto, eu não o estou defendendo como indivíduo — o que ele pode fazer por sua própria conta.

Eu defendo a instituição.
Eu defendo a USP.
Eu defendo a autonomia universitária.

Ainda que ele próprio viesse a público para declarar: “Esse Reinaldo que se dane! Não quero a sua defesa”, eu não arredaria pé do meu ponto de vista. Eu defendo A LIBERDADE DE PENSAMENTO E A LIBERDADE DE ESCOLHA, valores maiores do que Reinaldo, Barra ou qualquer outro. EU DEFENDO PRINCÍPIOS!

Dizem os extremistas, inclusive alguns professores, que a USP foi “militarizada”, o que é um delírio; que a universidade não pode conviver com a presença de PMs, homens do povo que lá estão para coibir crimes contra a pessoa e o patrimônio, não para patrulhar o pensamento. Há polícias ideológicas na universidade, sim, mas não são os homens de farda.

Digam-me cá:
– Um soldado que intimida ladrões impede um professor da FFLCH de pensar o que quer que seja?

– Um soldado que intimida potenciais homicidas impede um professor da FFLCH de elaborar a teoria a mais revolucionária?

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– Um soldado que intimida eventuais molestadores de mulheres impede um professor da FFLCH de arrebatar multidões com o seu biscoito fino para as massas?

Digam-me cá ainda:
– A produção intelectual na FFLCH vivia seus dias fervilhantes e sofreu uma queda abrupta depois que os pensadores começaram a se sentir constrangidos pela presença, no campus, dos filhos da dona Maria, do seu José, do seu Cícero, da dona Sebastiana? ORA, A PRESENÇA DOS PMs NO CAMPUS REPRESENTA UMA CHANCE DE OURO QUE TÊM MUITOS PROFESSORES DA FFLCH DE CONHECER O POVO DE VERDADE! E PELA PRIMEIRA VEZ! NÃO TENHAM DÚVIDA: soldados da PM no campus contribuem para diminuir o PIB per capita da universidade!

Ofendem-me, atacam-me, demonizam-me, pregam que eu seja linchado porque não conseguem responder a uma questão simples, elementar, básica: “O que faria um, digamos, livre-prensador numa USP sem PM que ela não consiga fazer numa USP com PM?”

Um soldado jamais atravessaria o umbral do templo de um professor, ainda que a lei lhe faculte isso se estiver coibindo um crime. Não atravessaria mesmo assim — o que quer dizer que prefere não ir ao limite das prerrogativas legais e constitucionais de que dispõe. Mas os vândalos da USP invadem salas de aula, ignoram e constrangem professores, intimidam seus colegas, impõem-se.

SAIBAM: MESMO NOS PIORES PERÍODOS DA DITADURA, SOB O AI-5, RARAMENTE UMA SALA FOI INVADIDA OU UM PROFESSOR FOI IMPEDIDO DE DAR A SUA AULA, COMO ACONTECE HOJE NA FFLCH.

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Ora, quem, hoje em dia, está violando a autonomia universitária?

Não, senhores! Eu não estou defendendo este ou aquele em particular.
– Eu estou defendendo uma instituição!
– Eu estou defendendo o direito de ir e vir!
– Eu estou defendendo que a democracia se faz sob o império da lei!

Não vou parar! Não vou parar, inclusive, em homenagem a alguns verdadeiros mestres que resistem na universidade, que se dedicam ao ensino e à pesquisa e que sabem que o verdadeiro trabalho de um professor estimula a inteligência, a tolerância, a civilidade.

Essa gente faz o contrário: demoniza o adversário, acusa-o de autoritário, transforma-o em inimigo da democracia para que possa, então, incitar as falanges do ódio. Alguma dúvida de que essa gente mandaria me executar sem nem mesmo o direito a um julgamento?

EU COMETO, A SEU JUÍZO, O PIOR DE TODOS OS CRIMES: NÃO CONCORDO COM ELES!

Estão bravos comigo porque defendo que sejam vencidos no voto.
Eles são diferentes de mim! Acham que tenho de ser vencido na porrada!

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