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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

ESCÂNDALO VARIG – Audi reafirma que TAM queria pagar muito mais pela Varig

A quatro dias de seu depoimento no Senado, o empresário Marco Antônio Audi, sócio afastado da VarigLog, reafirma que a TAM havia feito uma proposta maior para comprar a Varig — US$ 738 milhões, ou US$ 418 milhões a mais do que o desembolsado pela Gol. A noticia foi dada pela VEJA na edição nº […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 19h18 - Publicado em 29 jun 2008, 08h21
A quatro dias de seu depoimento no Senado, o empresário Marco Antônio Audi, sócio afastado da VarigLog, reafirma que a TAM havia feito uma proposta maior para comprar a Varig — US$ 738 milhões, ou US$ 418 milhões a mais do que o desembolsado pela Gol. A noticia foi dada pela VEJA na edição nº 2064, no dia 7 deste mês. Leia trechos de sua entrevista à Folha na edição deste domingo. Ah, sim: segundo Audi, Valeska, filha de Roberto Teixeira, quando queria intimidar funcionários públicos, afirmava: “Vamos ficar na casa do Dindo”. Dindo é Lula.

FOLHA – Por que a VarigLog decidiu vender a Varig?
MARCO ANTONIO AUDI –
A gente estava muito apertado, com uma perna no precipício. Uma empresa dessas, se não tiver mais dinheiro, pára. Chegamos à conclusão de que não tínhamos dinheiro, tínhamos de vender. Quatro empresas tinham interesse na Varig: Gol, TAM, LAN Chile e Air Canada.
FOLHA – E por que a Varig foi vendida para a Gol?
AUDI –
A gente tinha de vender para a primeira que pagasse, senão as duas empresas [a Varig e a VarigLog] iriam quebrar. A TAM precisava de mais tempo para estudar seu interesse real ou não, e a Gol estava pronta para pagar. Lap Chan negociou com o Constantino Júnior e disse: “Vamos fechar com a Gol mesmo”. Eu falei: “Não, vamos esperar a TAM, a gente vai vender pelo dobro”.
FOLHA – E por que não esperaram?
AUDI –
Os caras [a TAM] tinham pedido uma semana. Falei com ele [Lap Chan]: “Me dá R$ 10 milhões que eu sobrevivo esta semana”. E ele disse: “Não, vocês se viram”. Ainda tentamos conversar com o Júnior, num encontro no hotel Caesar [em São Paulo]. Queríamos convencê-lo a esperar o fim de semana. Ele disse: “Eu não agüento mais essa situação. Ou saio daqui dono da Varig ou vocês nunca mais vão me ver”.
(…)
FOLHA – A TAM alega ter desistido do negócio…
AUDI –
Até a data da venda, eles [a TAM] não tinham desistido. Antes de anunciar a venda para a Gol, nós nunca tivemos uma negativa da TAM. Os advogados deles participaram [das negociações] naquela semana.
FOLHA – Qual foi a posição do Roberto Teixeira?
AUDI –
Ele teve uma virada súbita. Primeiro ele era contra e, de repente, está abrindo as portas para o comprador da VRG [Audi cita a fotografia de Teixeira ao lado dos donos da Gol no elevador do Palácio do Planalto, no dia da compra da Varig]. Vou deixar para a sua imaginação. Só que ninguém muda de opinião assim se não tiver um grande interesse.
(…)
AUDI – O tráfico direto é por meio de quem trabalha no governo. A Valeska Teixeira [advogada filha de Roberto Teixeira, afilhada de Lula] age assim: chega perto de um funcionário público e comenta: “Vamos para Brasília e vamos ficar na casa do dindo [Lula]”. Imagina para um funcionário público ouvir isso. O cara já fica tremendo.
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