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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Emir Sader está chateado porque acha que deram bola pro Reinaldo Azevedo? Pra mim? Os petistas que se virem! Só defendi a fundação!

A molecada tem uma expressão interessante, que ouvi outro dia na boca do filho adolescente de uma amiga: “Ah, Fulano é um comédia!”. Sader é “um comédia”.  A sua “carta-renúncia” (post abaixo) é uma peça patética. Ele andou dizendo por aí que resolveram dar corda pro Reinaldo Azevedo… Pra mim? Os petistas que se  virem! […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 12h40 - Publicado em 2 mar 2011, 19h41

A molecada tem uma expressão interessante, que ouvi outro dia na boca do filho adolescente de uma amiga: “Ah, Fulano é um comédia!”. Sader é “um comédia”.  A sua “carta-renúncia” (post abaixo) é uma peça patética. Ele andou dizendo por aí que resolveram dar corda pro Reinaldo Azevedo… Pra mim? Os petistas que se  virem! Se eles me ouvissem, agiriam como aquele exército suicida do filme “A Vida de Brian”, do Monty Python! Só defendi uma instituição pública. Eu até torço para Emir arrumar outra boquinha no PT porque acho que eles se merecem — no PT, não no Estado brasileiro!

Vamos ver. Pra começo de conversa, ele nunca foi “consultado” sobre a  possibilidade de assumir a presidência da Fundação Casa de Rui Barbosa. Era um lobby partidário, uma imposição de Lula, com o endosso de Marco Aurélio Top Top Garcia e Gilberto Carvalho, o espião do Apedeuta no governo Dilma.

Minha restrição a Sader diz respeito, sim, àquilo que ele entende como o trabalho  adequado a um intelectual. Mas não é só isso. A sua brutal ignorância ofende o mundo acadêmico, e o trabalho da Fundação Casa de Rui Barbosa está comprometido com o apuro da inteligência. Ele não consegue conciliar o tempo verbal da oração principal com o da oração subordinada, santo Deus! Na sua pena, o “consecutio temporum” vai para o diabo. Logo no primeiro parágrafo de sua despedida, manda ver:
No documento proponho que, além das suas funções tradicionais, a Casa passasse a ser um espaço de debate pluralista sobre temas do Brasil contemporâneo, um déficit claro no plano intelectual atual.

Só um analfabeto de terceiro grau “propõe” que algo “passasse”... Ou bem ele opta pelo presente do indicativo na principal e pelo presente do subjuntivo na subordinada ou fica com dois pretéritos, do indicativo e do subjuntivo, respectivamente. Na circunstância em tela, melhor seria a segunda opção, dado que Emir também já é passado; no caso, um pretérito mais que prefeito! É esse o presidente de uma fundação que tem na filologia uma de suas linhas de pesquisa??? Ah, pelo amor de Deus! Vai se alfabetizar primeiro, sujeito! Eu lá sou responsável por tudo aquilo que o senhor não aprendeu porque estava construindo “o outro mundo possível” com sua gramática impossível?

A alusão indireta às minhas críticas, que ele andou espalhando por aí, aparece na acusação à “brutalidade típica da direita brasileira”. É mesmo? Foi, por acaso, a direita a chamar a ministra Ana de Hollanda de “autista”? Infelizmente, este senhor caiu por isso, não pela anunciada promessa de destruir o trabalho da Fundação Casa de Rui Barbosa — trabalho que ele confessou ignorar —, transformando a entidade numa seção do aparato lulo-petista, em nome, ora vejam, da “pluralidade”.

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Como Emir não tem compromisso nenhum com os fatos ou com a coerência do que ele mesmo diz, atribui a sua queda “à brutalidade da direita”, mas afirma: O MINC tem assumido posições das quais discordo frontalmente, tornando impossível para mim trabalhar no Ministério, neste contexto.” Então vamos ver: digamos que eu tivesse ignorado o bruto; nesse caso, ele assumiria o cargo mesmo “discordando frontalmente” das “posições assumidas pelo MINC”? Tais discordâncias, a um homem de bem, já não seriam suficientes para fazê-lo declinar do “convite”, ainda que a “direita bruta” estivesse calada?

O trecho revela bem mais do que parece. A hipótese que levantei em um dos textos se confirma. Sader queria a presidência da fundação para, estando lá, bombardear o trabalho da ministra que ele considera “autista” — daí que, na entrevista, tenha tratado de tanta coisa que não lhe dizia respeito se assumisse a função. Observem que ele não retira o que disse nem se desculpa. Covardemente, havia tentando atribuir tudo à mídia. A gravação de sua fala, posta no ar, desmoralizou a chicana.

Sader afirma que o projeto que havia elaborado para a fundação será desenvolvido “em outro espaço público”. Sempre o espaço público! Não sei se é anúncio de outra boquinha.

Encerra afirmando que continuará a lutar contra o “pensamento único”. Que valente! Pretendia fazê-lo com intelectuais arejados e diversos entre si como Slavoj Zizek, Marilena Chaui, Carlos Nelson Coutinho, Maria Rita Kehl, István Mészáros… Ele é tão pluralista que a maioria é publicada pela mesma editora, a Boitempo, que tem como coordenador editorial o “intelectual”… Emir Sader!

Sem saber quem ficará na entidade — talvez mantenham a atual direção —, congratulo-me com a Fundação Casa de Rui Barbosa. Quando menos, a correlação dos tempos verbais das orações principal e subordinada continuará a ser respeitada por ali.

Reitero: infelizmente, Sader caiu só porque desrespeitou a ministra — razão suficiente para a queda, sim. Mas deveria ter caído também porque encarna uma loquaz, permanente e contumaz agressão à inteligência!

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