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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Eduardo Jorge, o Enéas dos malucos-beleza. Ou: Algemados, Luciana, deveriam ter sido membros do PSOL. Digo por quê!

Não dá mais. Acompanhei cuidadosamente o debate da noite de ontem e começo da madrugada de hoje na TV Globo. Escrevi, como vocês podem acompanhar, 40 posts ao longo de duas horas e dez minutos, registrando perguntas e respostas. Assim, experimentei de perto o horror e a picaretagem. Dos sete candidatos presentes, apenas três têm […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 02h56 - Publicado em 3 out 2014, 17h13

Não dá mais.

Acompanhei cuidadosamente o debate da noite de ontem e começo da madrugada de hoje na TV Globo. Escrevi, como vocês podem acompanhar, 40 posts ao longo de duas horas e dez minutos, registrando perguntas e respostas. Assim, experimentei de perto o horror e a picaretagem. Dos sete candidatos presentes, apenas três têm chances reais de se eleger presidente da República. Os outros são candidatos de si mesmos ou de sua grei de fanáticos. Quem perde com a obrigatoriedade de tê-los no debate é a população, é o eleitor.

Esqueçam. Não haverá tão facilmente uma reforma política e eleitoral que barre a sanha dos chamados nanicos, alguns deles vivendo exclusivamente do Fundo Partidário, uma das excrescências que existem no Brasil. A Lei Eleitoral impõe que as TVs e rádios, por serem concessões públicas, não privilegiem partidos. Ocorre que uma coisa é conceder privilégios. Outra, distinta, é tratar igualmente os desiguais.

Ora, quem eram os privilegiados de ontem à noite no debate da Globo, por força de uma interpretação vesga da lei? Juntos, Dilma Rousseff, do PT; Marina Silva, do PSB, e Aécio Neves, do PSDB, têm 85% do eleitorado brasileiro. Não obstante, os outros quatro, que somam 4%, foram tratados em pé de igualdade. E, como perguntaria o poeta Ascenso Ferreira, pra quê? Pra nada!

Eduardo Jorge, do PV, que tem até uma trajetória respeitável, tornou-se o Enéas dos malucos-beleza, o Ideiafix de Obelix, defensor da natureza, que gane quando vê alguma agressão à natureza. Não tem o que dizer, o que perguntar, o que propor, a não ser a sua pauta fixa: descriminalização do aborto e da maconha. Seria o caso de indagar onde está a sua sanidade, sendo, como é, um médico.

Mas isso é problema dele. Só é problema nosso quando, num debate para a Presidência, tendo a chance de fazer uma pergunta sobre a corrupção para a atual mandatária, dirige-lhe uma questão sobre… descriminação do aborto. Ideiafix!!! Não tem uma pauta de presidente. Usa o espaço para vender as suas teses, que inclui mato e feto moídos.

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Luciana Genro, do PSOL, é o pior que pode produzir a ignorância esquerdista dos mimados. Suas teses são de um cretinismo espantoso mesmo para os padrões da esquerda. É grosseira, desinformada e autoritária. Por sorteio, usou mal o nosso tempo, o dela e o de Dilma, dirigindo duas perguntas bucéfalas à presidente. Na primeira, afirmou que a corrupção na Petrobras é fruto da associação da petista com a direita, como se a esquerda não praticasse corrupção. Pratica, sim. A começar do PSOL, o partido de Luciana, como lembrarei daqui a pouco.

Na segunda, deveria ter feito uma pergunta à presidente-candidata sobre programas sociais. Usou o tempo para defender a taxação pesada aos banqueiros e aos milionários. Tem uma cabecinha vulgar, populista, obscurantista. Dilma a ignorou e falou o que bem quis.

Luciana e Eduardo Jorge resolveram embarcar na onda e demonizar Levy Fidelix, cujas ideias margeiam o folclore. Por incrível que pareça, revejam o debate, quem argumentou com as leis certas e que organizam o estado de direito no Brasil foi o despreparado Levy. Luciana chegou a dizer que o homem deveria ter saído algemado do debate da Record. E afirmou: “Se tivesse uma lei anti-homofobia, tu teria (sic) saído algemado de lá”. A tiranazinha sem voto deixou claro por que quer uma lei anti-homofobia. Para encarcerar pessoas — ela, que se diz contra o encarceramento.

Algemados deveriam ter sido os membros do PSOL que estimularam a violência e o quebra-quebra do Rio, ao lado dos black blocs. Corrupção praticou a deputada Janira Rocha, do partido, quando admitiu que usou dinheiro de um sindicato em campanha eleitoral. Ou, então, a deputada Inês Pandeló, do PT, condenada em segunda instância por improbidade administrativa por extorquir parte do salário dos servidores do gabinete a título de “filantropia”. Tudo gente desta incrível e deseducada Luciana Genro, que, indagada sobre o que fazer com crianças viciadas, respondeu que é preciso desmilitarizar a polícia. No debate, Aécio deu-lhe um chega pra lá e a chamou de despreparada para disputar a Presidência. E tem razão.

A lei eleitoral não vai mudar tão facilmente. Mas a Justiça Eleitoral poderia ter o bom senso de pôr em prática os Artigos 5º e 220 da Constituição, que asseguram a livre expressão e repudiam a censura. O brasileiro tem o direito de assistir a um debate político relevante, com quem tem o que dizer. Ora, por que as TVs e rádios, que são empresas privadas, estão obrigadas a garantir a todos o mesmo tempo se o horário eleitoral gratuito não está e é distribuído segundo o número de deputados de cada partido? A resposta é esta: porque o número de deputados indica também a densidade eleitoral das legendas. Se é assim, por que a Globo ou a Jovem Pan são constrangidas por lei a garantir o mesmo tempo a quem tem e a quem não tem votos?

A interpretação que se dá a essa lei é contra o povo e a favor dos poderosos de turno, que jamais são confrontados como deveriam porque parte do tempo é ocupada por candidatos de si mesmos.

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