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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Dois pré-candidatos ao Supremo. Ou: Talvez os produtores rurais brasileiros devam se mudar para o Paraguai!

Ai, ai… Então tá bom. Segundo noticia a Folha, a presidente Dilma Rousseff estaria entre dois nomes para a vaga de Ayres Britto no STF: Eugênio Aragão, subprocurador-gteral da República, e Luiz Edson Fachin, advogado e professor titular de direito civil da Faculdade de Direito do Paraná e da PUC-PR. Se for mesmo verdade, para […]

Por Reinaldo Azevedo - Atualizado em 31 jul 2020, 06h17 - Publicado em 9 Maio 2013, 08h11

Ai, ai… Então tá bom. Segundo noticia a Folha, a presidente Dilma Rousseff estaria entre dois nomes para a vaga de Ayres Britto no STF: Eugênio Aragão, subprocurador-gteral da República, e Luiz Edson Fachin, advogado e professor titular de direito civil da Faculdade de Direito do Paraná e da PUC-PR. Se for mesmo verdade, para quem eu torço? Como é mesmo aquele comercial de TV? “Que dureza! Tome um Dreher!” E olhe que, nesse particular, nasci escocês…

Caramba!

Fachin é amigo do casal Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo, ministros, respectivamente, da Casa Civil e das Comunicações. Fosse isso, vá lá. Mas Fachin também é um amigão do MST. Se querem saber, desde a vaga aberta com a aposentadoria de Eros Grau, ele frequenta as listas. Lula — sim, o Babalorixá — desistiu de indicá-lo depois de uma conversa em que o advogado fez uma defesa tão entusiasmada do movimento que levou o então presidente a considerá-lo “basista demais”.

E Aragão? Pois é, Aragão…
Aragão, como subprocurador-geral, foi uma das pessoas que autorizaram aquela campanha absurda do Ministério Público Federal contra a carne brasileira, associando a produção a coisinhas como “trabalho escravo”, “dinheiro suspeito”, “sonegação fiscal”, “lavagem de dinheiro”, “violência”, “queimadas” e “desmatamento”. Escrevi à época um post a respeito.

Aragão é próximo da turma do “Direito Achado na Rua” da UnB e fez parte do grupo que queria uma “estatuinte” na universidade. Estatuintes em universidades costumam ser uma forma que as minorias têm de dar golpe em maiorias.

Escarafunchando as coisa aqui, encontrei esta notícia no Correio Braziliense de 14 de março de 1986.

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Transcrevo dois trechos da reportagem:
O debate que aconteceu ontem, no anfiteatro 12 da Universidade de Brasília, prometia muita polêmica. Não só pelo tema, a maconha, como pela composição da mesa. Nela sentaram-se, lado a lado, o diretor do movimento de recuperação de toxicômanos Desafio Jovem, o pastor Carlos Alberto Leandro, o advogado e ex-militante do MR-8 Eugênio de Aragão, o psicanalista Richard Bucher e o usuário “Assumido” Jarbas Jarbalino, formando em sociologia na UnB.
(…)
João Nelson [um dos organizadores do debate] abriu o debate comentando que a maioria das informações difundidas sobre a maconha mostra apenas o lado negativo do seu uso. A partir desta constatação, propôs que os debatedores discutissem a hipótese da liberação do seu uso dentro da Universidade, sob as alegações de autonomia universitária e desobediência civil.

Dos quatro debatedores presentes, porém, só quem se sentiu estimulado a abordar o assunto sob esse ângulo foi o advogado Eugênio de Aragão. Ele afirmou que a legislação penal contra entorpecente daria uma abertura para seu uso dentro do recinto da Universidade, desde que ficasse provado que isso “não prejudica “a ordem pública ou os bons costumes”. Mas Eugênio advertiu aos presentes de que qualquer movimento nesse sentido deveria ter a participação, em primeiro lugar, da reitoria, e em segundo, das autoridades do Governo Distrito Federal, a fim de que fossem tomadas as providências necessárias no sentido de garantir a autonomia universitária. Se, por outro lado, os estudantes preferissem justificar o movimento alegando “desobediência civil”, não deveriam sequer pedir licença. Os advogados, porém, ficariam de pés e mãos atados no caso de precisarem defendê-los, comentou Eugênio.
(…)

Concluindo
Sim, é o mesmo Aragão. Ué… Se a presidente era da VAR-Palmares, por que não um ministro do Supremo que era do MR-8 e confundia, já advogado formado, “autonomia universitária” com, sei lá, um país com regras próprias? Sim, 1986 está longe… É tempo pra chuchu. Dá tempo de adquirir juízo. Mas o tal episódio da carne está bem perto.

Pois é… O amigo do MST, que o próprio Lula achou muito “basista” ou Aragão, com suas, como direi?, opiniões fortes? Sei não… Talvez fosse o caso de os produtores rurais começarem a pensar na hipótese de se mudar para o Paraguai!

No Brasil, sempre me lembro daquela piada da plateia da ópera que vaia e joga tomates no barítono. Desconsolado, mas vingativo, ele manda ver: “Ah, vocês não gostaram? Esperem pelo tenor…”.

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