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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Dois dias bastaram para provar que os poetas do crack estavam obviamente errados

Escrevi aqui alguns textos sobre a reação estúpida de setores da imprensa e dos politicamente corretos à decisão do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), de dar eficácia à lei que permite a internação involuntária ou forçada de viciados. Pois é… Leio na Folha as informações que seguem. Volto depois. A procura por internações […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 07h00 - Publicado em 24 jan 2013, 06h05

Escrevi aqui alguns textos sobre a reação estúpida de setores da imprensa e dos politicamente corretos à decisão do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), de dar eficácia à lei que permite a internação involuntária ou forçada de viciados. Pois é… Leio na Folha as informações que seguem. Volto depois.

A procura por internações de dependentes químicos surpreendeu o governo Geraldo Alckmin (PSDB), que foi obrigado a ampliar a estrutura de atendimento dois dias após o início do programa de internação compulsória. Até a próxima semana, novos funcionários serão deslocados para o Cratod (Centro de Referência em Álcool, Tabaco e Outras Drogas), no Bom Retiro, e uma central telefônica que recebe ligações gratuitas será criada para esclarecer dúvidas de parentes de viciados. Além disso, serão contratados 66 novos leitos específicos para esse público. O anúncio foi feito ontem pelo governador e pelo secretário da Saúde, Giovanni Guido Cerri, após visitar o local. O Cratod reúne médicos, juízes, promotores e defensores públicos, que analisam a situação do dependente e decidem pela internação.

Embora o objetivo fosse facilitar as internações compulsórias, quando o viciado vai para tratamento sem consentimento próprio ou da família, o Cratod atraiu inúmeros parentes e até mesmo usuários em busca de ajuda. “Houve uma corrida pela internação”, disse Alckmin. Nos três primeiros dias do plantão judicial que avalia a necessidade de fazer internações compulsórias, os funcionários do Cratod atenderam ao todo 127 pessoas -entre dependentes e parentes. Antes, eram atendidos em média quatro pacientes ao dia.

Do total de atendimentos, 18 pessoas foram internadas. Apenas uma dessas internações foi compulsória, três foram involuntárias e 14, voluntárias. Ao menos dois desses casos entraram no sistema à força, levados por parentes, mas acabaram convencidos pelos médicos que precisavam de tratamento.
(…)

Voltei
Quem sofre busca consolo e resposta para as suas angústias. A demanda por internação está na sociedade, ainda que alguns líricos do crack — e, a rigor, de todas as drogas — tenham tentado tratar um programa correto, cercado de todos os cuidados, como evidência de autoritarismo. Já abordei essa vigarice aqui.

Ao contrário: estamos é diante de um estado generoso como jamais. Se o viciado que requer internação perdeu o controle da vontade, é certo que, inicialmente, fez uma escolha tragicamente errada, pela qual, a rigor, deveria ser o responsável. Em vez disso, será sustentado e tratado pelos “caretas” que trabalham e recolhem impostos.

Corrijo-me então: generoso não é o estado; generosos são os brasileiros que o sustentam. Mas também não parece haver  alternativa. Os viciados em crack não são, hoje em dia, apenas um problema para si mesmos e para suas respectivas famílias. Tornaram-se uma chaga social.

Assim, quando os poetas das drogas começam com a sua cantilena em favor da descriminação, alegando que se trata de uma escolha individual, cumpre lembrar que o custo é obviamente social.

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