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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Diogo: “Minha vida ficou muito mais pobre sem você”. Ficou rico?

Breve apanhado de correspondência imensa revela que Diogo passou a me considerar um mau sujeito só depois de “O Antagonista”. Que tenha sido por bom preço!

Por Reinaldo Azevedo - Atualizado em 15 maio 2017, 12h34 - Publicado em 14 maio 2017, 11h05

Em agosto de 2014, fiquei sabendo que Diogo Mainardi havia estado no Brasil. Não nos encontramos. Enviei a ele uma mensagem reclamando, fazendo graça com o papel do amigo desprezado. Seguem o que escrevi e a resposta.

Notem: a Lava Jato é de março de 2014. Já estava em curso, portanto, havia cinco meses. Em meu blog, eu já havia feito algumas críticas ao discurso salvacionista dos procuradores. Mesmo assim, Diogo dizia que sua vida estava mais pobre sem mim. Sim, claro, era um exagero retórico. Mas não se diz isso a um mau amigo, não é? Não nos devíamos nada, o que torna desnecessária a lisonja. Querem saber? Acho que ele estava sendo sincero.

Na eleição presidencial de 2014, Diogo fez uma previsão: Marina disputaria o segundo turno com Dilma. Ele escreveu, então, um artigo para a Folha com o título: “Sou Marina (até a posse).”

Antes da publicação, ele me mandou o seguinte e-mail:

O “sei que você discorda” não se refere ao fato de os tucanos precisarem de puxão de orelha, mas ao voto em Marina. Eu já havia declarado que, caso ela disputasse a etapa final com Dilma, escolheria o voto nulo.

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No e-mail que lhe mandei como resposta, reproduzi o post que fiz sobre o assunto, citando, com link, o seu artigo. O “caput” dessa mensagem e o que segue. Clique aqui para ler a íntegra. Reproduzo dois trechos:

“É uma divergência [com Diogo]? Claro que sim! É apenas uma delas! Temos, Diogo e eu, muitas outras. Felizmente! Aliás, temos, ele e eu, amigos; não pertencemos a quadrilhas ideológicas, eventualmente unidas pelo amor aos anúncios de estatais, como se tornou moda no governo petista. Aliás, Diogo também integra, a exemplo deste escriba, o grupo das “nove cabeças” que o sr. Alberto Cantalice, chefão do PT, gostaria de cortar. (…)

Quanto ao mais, imaginem se Diogo seria menos querido por causa de Marina Silva, PSB, eleições… O que lastimo, isto sim, repetindo Paulo Francis na orelha que fez para o livro de Mário Faustino, é o fato de a gente acabar se metendo nessas vulgaridades…”

Ele me enviou, então, uma resposta carinhosa:

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Antes que a malta babe preconceitos, estimulada pelo próprio Diogo, o que vai acima espelha uma relação que eu imaginava fraterna, à qual nunca faltei. E ele sabe disso. Em dez anos, não pode apontar uma só desídia minha, uma só desatenção, uma só covardia. Quando as esquerdas botaram a sua cabeça a prêmio, saí em sua defesa. Bem, recorram à Internet. E o mesmo vale para Mario Sabino.

Nunca antes havia brigado com amigos por causa de política. Eu não faço isso. Mantenho amizades das mais variadas colorações ideológicas. Sim, sou opiniático, tendo a não condescender, posso fazer um debate bastante inflamado, mas sou leal. Não ataco pelas costas.

O meu modo de tratar divergências com amigos é o que está naquele texto que se refere a Marina. O de Diogo e Mario é o que se vê. É triste!

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Lamento, obviamente, que as coisas tenham tomado esse rumo. Antes de Diogo e Mario tentarem me transformar no belzebu por razões puramente comerciais, o juízo que o primeiro fazia do meu trabalho era outro. Quando se tornou pública a notícia de que eu passaria a ser colunista da Folha, Diogo me escreveu:

Pouco depois, outra mensagem:

Como é que, em tão pouco tempo, o “melhor blogueiro, melhor colunista e melhor pauteiro” se transforma em alvo permanente de ataques? Creio que algum especialista em negócios tenha dito à dupla algo assim: “Olhem, para ganhar visibilidade depressa, tentem cortar a cabeça de algum amigo. Vai fazer barulho”.

E fez, como se vê.

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Em um de seus e-mails, Diogo escreveu: “Minha editora inglesa pescou uma frase sua para fazer publicidade do livro, a melhor até agora”. Ele se referia ao livro “A Queda – As memórias de um pai em 424 passos”. Escrevi a respeito o que segue (post aqui):

“Da vida vivida, Diogo fez uma obra-prima. (…) ‘A Queda’ trata do amor incondicional que humaniza a razão e da razão que instrui o afeto.”

Seguem abaixo outro e-mail seu a respeito e a frase em italiano

Em outra mensagem, ele diz que foi a melhor coisa que se escreveu sobre seu livro.

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Em 2013, eu o visitei em Veneza. Agradeci num e-mail a acolhida. E veio a resposta de um amigo.

Por que isso e por que só agora?
Creio que o meu silêncio, até agora, sobre os ataques feitos pelo site de Diogo e Mario esteja relacionado, sei lá, à estupefação. Até hoje não sei por quê. O arquivo do blog evidencia o tratamento que dispensei a eles ao longo dos anos. Que a recompensa, ao menos, tenha sido boa!

Por que não divulguei antes esses e-mails? Porque revê-los é fazer um percurso desagradável, doloroso até. Eu gosto de gostar dos meus amigos. Por maior que seja a repulsa hoje em dia, cultivo as boas memórias.

Que a dupla consiga encontrar um pouco de paz de espírito. Não deve ser fácil jactar-se de ser uma implacável máquina de odiar.

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Honrei a amizade dos dois e pus a serviço dessa amizade aquilo de que dispunha: meu afeto, meu texto, minha disposição para a luta.

Exceção feita a alguma diatribe que requeira arbitragem da Justiça, não pretendo voltar ao assunto. Recolho-me ao silêncio de antes. O “Reinaldo” que está nesses e em centenas de outros e-mails de Diogo é o de verdade, é aquele que ele conheceu e que o socorreu sempre que isso se fez necessário.

O “Reinaldo” de “O Antagonista” é uma personagem que eles inventaram por razões, digamos, de mercado.

Que o preço tenha sido bom! Ao menos isso.

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Que descansem em paz!

 

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