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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Dilma sobe no palanque com Campos, e governador se torna um pouco mais candidato do que era antes

A presidente Dilma Rousseff também subiu no palanque nesta segunda.  Participou da inauguração de uma adutora na cidade pernambucana de Serra Talhada. A seu lado, o governador Eduardo Campos (PSB), que, tudo o mais constante, romperá a aliança com os petistas e se lançará candidato à sucessão da própria Dilma. É o único possível candidato […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 06h36 - Publicado em 26 mar 2013, 07h41

A presidente Dilma Rousseff também subiu no palanque nesta segunda.  Participou da inauguração de uma adutora na cidade pernambucana de Serra Talhada. A seu lado, o governador Eduardo Campos (PSB), que, tudo o mais constante, romperá a aliança com os petistas e se lançará candidato à sucessão da própria Dilma. É o único possível candidato que hoje incomoda o PT. O partido tenta a todo custo evitar a sua candidatura porque acredita poder vencer a disputa no primeiro turno se ele desistir — coisa de que não há sinal até agora. Muito pelo contrário. Nesta segunda, o governador fez o que muitos tucanos jamais tiveram a coragem de fazer em solenidades dessa natureza.

É bem verdade que Dilma forçou a amizade. Leio no Globo este trecho do se discurso: “Vamos continuar sendo um dos países com menor taxa de desemprego. Vamos, sobretudo, cada vez mais, provar que o país só é forte e desenvolvido se tivermos a determinação e coragem de continuar por esse caminho. E esse caminho é o caminho deste país com tantas diferenças, deste país grande e democrático, deste país sem guerra, mas sobretudo dessa capacidade de construir democraticamente uma coalizão para dirigir este país. Nenhuma força politica sozinha é capaz de dirigir um país desta complexidade. Precisamos de parceiros. Precisamos que esses parceiros sejam comprometidos com esse caminho”.

Huuummm… O recado foi na veia para Campos. Caso ele decida tomar outro rumo — lá vou eu, o fanático pelo sentido das palavras —, então é porque não está engajado naquelas maravilhas. Dilma cobrou o que considera uma fatura que lhe é devida e deixou claro que, se Campos se candidatar mesmo, vai disputar com ele a paternidade (ou “maternidade”, sei lá), de obras feitas no Estado: “Pernambuco, eu acho que é um novo Pernambuco nos últimos dez anos, e, sem dúvida, o governador tem um grande papel nisso, e o governo federal, tanto com Lula como na minha gestão, também tem”.

Mais um pouco, Dilma e Campos num mesmo palanque conseguiriam fazer inveja a alguns tucanos… O governador não se intimidou e fez aquilo que mais irrita o petismo: lembrar que já havia mundo antes da existência do PT; lembrar que já havia país. O governador agradeceu as parcerias com os governos Lula e Dilma e… lembrou a importância da estabilidade da economia — conquistada pelo governo FHC — para o que veio depois: “Construímos fundamentos macroeconômicos importantes […] e, nos últimos dez anos, sob a liderança do presidente Lula […] vimos essas condições fazerem o governo chegar aonde não chegava.”

O resumo da ópera é o seguinte: depois da passagem de Dilma por Pernambuco, Eduardo Campos se tornou um pouco mais candidato do que era antes.

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