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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Dilma não governa, mas é governada pela crise; Senado aprova regra para aposentados que abre rombo nas contas

Escrevo o que penso — e apenas o que penso — de olho no que considero ser o interesse dos meus leitores e, sim, acreditem, no bem do meu país e, se pudesse interferir (atentem para o tempo do verbo), até do mundo. Quando aciono a primeira tecla, ignoro o que pensam adversários, inimigos, arrivistas, […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 00h58 - Publicado em 9 jul 2015, 07h41

Escrevo o que penso — e apenas o que penso — de olho no que considero ser o interesse dos meus leitores e, sim, acreditem, no bem do meu país e, se pudesse interferir (atentem para o tempo do verbo), até do mundo. Quando aciono a primeira tecla, ignoro o que pensam adversários, inimigos, arrivistas, palpiteiros que têm de arrogantes o que têm de ignorantes, pessoas com interesses contrariados ou ambições insatisfeitas e congêneres. Não dou bola. Não os leio, e não me interessa saber o que pensam. Se tenho alguma folga, meu divertimento é ler textos sobre medicina e direito. Por que perder tempo com gente mais burra do que eu, não é mesmo? Adiante.

Escrevi há pouco um post sugerindo que Dilma renuncie —  o que não a livraria de responder por eventuais malfeitos, é bom que fique claro. Só um quadrúpede do direito poderia inferir tal coisa. A presidente perderia o foro especial por prerrogativa de função. Há quem ache isso hoje um problema porque acaba havendo apenas um grau de jurisdição. Mas não entro agora nessas minudências. Vou ao ponto.

Sugeri a renúncia de Dilma porque, afirmei, ela perdeu a capacidade de governar. Vejam o que aconteceu há pouco no Senado. A casa endossou a emenda a uma MP aprovada na Câmara que estende a todos os aposentados as regras de reajuste do salário mínimo. É mais uma paulada no esforço fiscal — que os peemedebistas, muito realistas, já querem baixar para 0,4% do PIB, ou um terço do que foi definido há pouco mais de três meses.

O governo bem que tentou. Mas falar com quem? Um dos entusiastas da proposta foi o petista Paulo Paim (PT). Segundo ele mesmo, foi Lula quem lhe disse que lhe cabe votar “conforme os interesses dos trabalhadores”, não do esforço fiscal.

Se não quiser mais essa bomba contra as contas públicas, Dilma terá de vetar a medida — sempre restando a chance de o veto ser derrubado no Congresso, o que pode ser feito por maioria simples.

Quando proponho que Dilma renuncie ou encaminhe uma emenda parlamentarista que já inclua o seu mandato, não estou tentando atuar como bombeiro, não. Isso nada tem a ver com o Poder Judiciário, que segue com a sua independência. Eu estou apenas pensando no bem do país. Se alguém propuser hoje que todo brasileiro tome compulsoriamente uma injeção no olho, e se a presidente se mobilizar contra a proposta, estejam certos de que será aprovada.

Dilma não governa mais, mas é governada pela crise.

Texto publicado originalmente às 21h12 desta quarta
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