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Com um mercadista e um Mercadante no palanque, Lula confessa o propósito de matar o Senado

Num texto da madrugada, vejam abaixo, esculhambo as bobagens ditas por supostos “especialistas” em política (como são apresentados) sobre o risco de “mexicanização” da política brasileira — vale dizer, de um único partido ter tal poder e abrangência que a oposição se torne irrelevante, matando o contraditório. Digo que são “supostos especialistas” porque, exceção feita […]

Num texto da madrugada, vejam abaixo, esculhambo as bobagens ditas por supostos “especialistas” em política (como são apresentados) sobre o risco de “mexicanização” da política brasileira — vale dizer, de um único partido ter tal poder e abrangência que a oposição se torne irrelevante, matando o contraditório. Digo que são “supostos especialistas” porque, exceção feita a dois, Bolivar Lamounier e Marco Antônio Villa, que NÃO DIZEM asnices, os demais não têm pensamento e obra que permitam apresentá-los como tal. No máximo, podem ser especialistas nas próprias opiniões. Um deles, Deus meu!, é uma “inteliquitual” do… PT, que nega haver qualquer coisa ruim no… PT. Alguém está surpreso em petista ser apresentado apenas como um amante da razão? Sigamos.

Ontem, Lula fez um comício em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, ao lado de Antonio Palocci, o petista mercadista, e de Aloizio, o petista Mercadante. Nota: Em 2002, o Mercadadante tentou derrubar o mercadista — tinha, dizia, um “Plano B” para a economia. Ontem, trocavam sorrisos. Coisa normal em política. Dilma Rousseff, a presidenciável do PT, não pôde comparecer porque se tornou avó, o que virou peça de marketing político. Sendo Dilma a “mãe do Brasil” e avó de Gabriel, isso faz do garoto “filho do Brasil”, irmão, então de Lula, o outro filho, o que torna o presidente neto de Dilma; ocorre que Lula também é nosso “pai”, o que o faz cônjuge da sua avó, que é a nossa mãe… Pronto! Já existe uma mitologia petista. Em breve, dará para escrever uma teogonia… Mas me deixei levar pela loucura desse gente. Volto a Ribeirão Preto, onde Lula discursou ao lado do mercadista e do Mercadante. Destaco alguns trechos de sua fala em vermelho, com comentários:

“Não podemos deixar a Dilma na mão de senadores como eu fiquei.”
Lula fez essa afirmação olhando para Netinho, candidato do PC do B ao Senado. Acho que Marta, a candidata do PT à outra vaga, também estava presente. Como se nota, de modo explícito, o presidente afirma a necessidade de se fazer uma maioria no Senado para tornar a Casa irrelevante. Lula jamais ficou “na mão” de quem quer que seja. Lula quer eleger seus senadores para que eles se subordinem a Dilma independentemente da pauta. Explicitamente, é um projeto de anulação de um dos Poderes da República. Todo governante quer maioria no Congresso, é claro. Mas os autoritários confessam o propósito de se livrar do Parlamento.

“(…) eles [os tucanos] demonstram que não têm competência de governar, porque a única coisa que aprenderam a fazer foi vender o que não era deles; bem público, estradas, ferrovias. Quando eu entrei, em 2003, eles queriam vender a Petrobrás, o Banco do Brasil e a Caixa.”
É mentira! E o militante que discursava continuava presidente da República. Jamais houve plano, intenção ou tentativa de privatizar nenhuma dessas estatais. A mentira foi usada em 2006 contra Alckmin e, como se nota, continua ativa. Os “inteliquituais”, especialistas em si mesmos, devem achar que é muito natural que um presidente da República se dê a tal desfrute.

“São Paulo não pode ficar na mão de tucano a vida inteira. O século 21 merece coisa melhor, merece mais arrojo, por isso a gente não tem que vacilar”.
São Paulo? Lula não quer é coisa nenhuma na mão de tucano ou de outro qualquer que não seja seu aliado ou que não lhe seja subserviente.

“Essa gente que era metida a sabida ficava de quatro para o FMI. Quem mandou o FMI embora fomos nós. Hoje eles nos devem US$ 14 bilhões.”
Mandou embora uma ova! Pagou o que devia. É mentira que o “FMI” deva para o Brasil. Essa relação não existe. O país, a exemplo de muitos outros, é cotista do fundo.

“Sei o que aquela mulher sofreu (Dilma), porque foi presa, torturada. Não porque ela era bandida, ela era uma heroína que lutava pela democracia e liberdade.”
Dilma não queria democracia. Queria ditadura comunista. E os grupos terroristas a que pertenceu mataram inocentes.

“Eles têm de explicar como pode o pedágio custar R$ 46 daqui a São Paulo e de São Paulo a Belo Horizonte (cujas rodovias são federais) R$ 7,70. Daqui a pouco o motorista vai ter de pagar o ar que respira.”
Lula é que tem de explicar por que o governo passou a cobrar pedágio nas rodovias federais, embora elas continuem uma porcaria, sem melhoria nenhuma. Comparar a Fernão Dias a rodovias paulistas é uma sandice.

Como prospera?
Como e por que esse discurso prospera? Porque ele não é enfrentado, confrontado, combatido na campanha eleitoral ou fora dela. É o que eu chamo de “permitir que o PT se torne o dono da narrativa”. A oposição ajudou a transformar Lula num gigante, acima de qualquer crítica. Os marqueteiros de um lado e de outro e os pesquiseiros decretaram: “tocar no Lula é sentença de morte”. E se permitiu que ele saísse por aí dizendo bobagem à vontade. No máximo, um ou outro na imprensa, em nome dos fatos, dizem: “Não! Isso não é verdade”. E é evidente que setores da imprensa ajudaram a criar o império da mentira. Atuam nesse sentido tanto aqueles que são alimentados pela grana oficial como os que transforma verdade e mentira em mera divergência de ponto de vista, um confronto irrelevante entre “lado” e “outro lado”.

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