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Classe média tem de ir à luta contra bonapartismo

Por Gabriel Manzano Filho, no Estadão deste domingo: O fosso entre os políticos e a sociedade brasileira está aumentando de forma perigosa. A absolvição do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), na quarta-feira, é mais um passo na direção da desmoralização do Congresso e, portanto, do fortalecimento do Executivo. Daí para a tentação do bonapartismo […]

Por Reinaldo Azevedo - Atualizado em 23 fev 2017, 11h11 - Publicado em 16 set 2007, 07h03
Por Gabriel Manzano Filho, no Estadão deste domingo:

O fosso entre os políticos e a sociedade brasileira está aumentando de forma perigosa. A absolvição do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), na quarta-feira, é mais um passo na direção da desmoralização do Congresso e, portanto, do fortalecimento do Executivo. Daí para a tentação do bonapartismo – um governo forte e pessoal, de algum líder com grande apoio popular – é um passo. E a classe média, a mais atingida pela crise, tem de se defender desse risco. “Ela precisa ir à luta contra o bonapartismo e buscar também salvação contra um modelo que está transformando sua renda em impostos”, diz o cientista político Amaury de Souza, diretor da MCM Consultoria, no Rio.

Mas o que preocupa na seqüência de escândalos como esse vivido por Renan “é que um dado fundamental não vem aparecendo: que a fonte da corrupção é o Executivo”, diz o professor. “Pois é o Executivo quem distribui cargos, libera emendas e contingencia o Orçamento.”

O Brasil melhorou muito nos últimos 15 anos, avalia Amaury de Souza, “mas não há percepção disso pela classe política”. Nesta entrevista ao Estado, ele faz uma aposta contra os que imaginam que o atual modelo de governo está “formando” uma nova classe média vindas de grupos de baixa renda. Para ele, esses grupos vão aderir rapidamente à geração de computadores e internet “e os valores atualmente defendidos pela classe média, estes sim é que se disseminarão pela chamada opinião popular”.

O que o sr. achou da decisão do Senado de absolver seu presidente?
Ela indica que o fosso entre os políticos e o resto da sociedade está aumentando de forma perigosa. Há um distanciamento que apareceu primeiro na Câmara, e agora no Senado. E para ele há várias causas. Elas vão desde o sistema eleitoral, que já distancia o eleitor do eleito, até uma certa inconsciência, no Congresso, quanto à mudança que já ocorreu na sociedade brasileira. Há uma classe média crescentemente insatisfeita, que vem mostrando isso pelos meios ao seu alcance, num sentimento de crescente indignação.

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Mas essa indignação esbarra no sucesso econômico do governo e no enorme prestígio popular do presidente Lula.
A economia vai bem, mas não vai bem para a classe média. A forma como vem ocorrendo o crescimento brasileiro cobra um preço extorsivo da carga tributária. Paga-se como se vivêssemos na Alemanha e temos serviços públicos de Uganda. O governo coleta hoje 35% do PIB, gasta 40% e financia esse déficit com taxas estratosféricas de juros. Essa equação mostra que a economia não está bem para essa fatia de cidadãos.
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