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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Cigarro e bestialogia

Governos, mundo afora, todos eles, rendem bons tratados de bestialogia. O brasileiro certamente entraria numa competição com os primeiros colocados e seria forte candidato a levar o troféu de Rei do Bestialógico. Quem aumenta o preço do cigarro para arrecadar grana — ou, que seja, compensar a desoneração de alguns setores — não está preocupado […]

Por Reinaldo Azevedo - Atualizado em 22 fev 2017, 17h26 - Publicado em 30 mar 2009, 18h31

Governos, mundo afora, todos eles, rendem bons tratados de bestialogia. O brasileiro certamente entraria numa competição com os primeiros colocados e seria forte candidato a levar o troféu de Rei do Bestialógico.

Quem aumenta o preço do cigarro para arrecadar grana — ou, que seja, compensar a desoneração de alguns setores — não está preocupado com a saúde de ninguém, é claro. Ao contrário até: a doença é um dano colateral do caixa gordo.

Na bestialogia, Guido Mantega se esforça para ser insuperável. Vejam o que ele declarou sobre o aumento do preço dos cigarros: “É bom para a saúde daqueles que fumam porque vão sentir no bolso, mas é melhor que eles sintam no bolso do que no pulmão (…). Com essa decisão, estamos caminhando em direção daquilo que outros países estão fazendo, que é desestimular o consumo de cigarros. E, com o dinheiro que vamos arrecadar, nós estaremos pagando a conta dessas outras medidas que estamos tomando.”

Vamos ver: o benefício que ele espera com a elevação do preço — mais dinheiro em caixa — só virá se a redução do consumo não acontecer ou for marginal. De vício, esse governo entende. Sabe que bem poucos fumantes renunciarão ao cigarro por causa da elevação do preço.

Bem, preparem-se para a explosão do contrabando de cigarros, especialmente vindos dos Paraguai.

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Lula fuma as cigarrilhas holandesas Café Crème, que são, com efeito, uma maravilha — para os fumantes, é claro. A minha preferida é a Oriental, que agora se chama “Arôme”, esta da latinha marrom-avermelhada. Quando estive com José Alencar, o vice, vi que ele prefere a amarelinha.

O Apedeuta pode, como se diz por aí, “ dar bobeira” ao ser fumante, a exemplo deste escriba. Mas sabe escolher o que é bom em matéria de vício. Será que a elevação do preço o fará renunciar às cigarrilhas Café Crème? Consta que fuma uma latinha dessas por dia. Aqui perto de casa, o preço varia — a modalidade sem filtro — entre R$ 13 e R$ 15.

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