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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Chávez anuncia que câncer não foi curado e, pela primeira vez, trata da possibilidade de vice assumir o poder

A saúde do ditador venezuelano Hugo Chávez pode afastá-lo definitivamente do comando do país. E agora é ele mesmo quem admite essa hipótese. Não se pode dizer, desta feita, que tudo não passa de boataria alimentada por seus opositores. Atenção! Este blog faz críticas POLÍTICAS, sim, digam elas respeito a vivos ou a mortos. Mas […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 07h15 - Publicado em 9 dez 2012, 17h57

A saúde do ditador venezuelano Hugo Chávez pode afastá-lo definitivamente do comando do país. E agora é ele mesmo quem admite essa hipótese. Não se pode dizer, desta feita, que tudo não passa de boataria alimentada por seus opositores. Atenção! Este blog faz críticas POLÍTICAS, sim, digam elas respeito a vivos ou a mortos. Mas não celebra o infortúnio pessoal de ninguém. Por isso, nos comentários, peço que não se confundam os desejos de boa sorte ao povo venezuelano com qualquer sentimento que remeta à ideia de vingança, punição divina ou sei lá o quê.

Não é uma posição recente. Basta ver o que se publicou aqui quando Dilma Rousseff e Lula anunciaram suas respectivas doenças. Nem Deus nem o destino punem ninguém por nada. Isso é bobagem. Não é porque este ou aquele são nossos adversários que a doença lhes é bem-vinda, merecida ou uma justa recompensa por aquilo que neles reprovamos. Até porque isso faz supor que possamos, nós também, padecer as mesmas dificuldades só porque nos opomos a eles. Acho que fui claro. A possibilidade do fim da ditadura na Venezuela deve ser saudada, não a doença do ditador. Deixemos esses baixos sentimentos para aqueles que se especializaram na baixaria. Não é o nosso caso. Segue o texto da VEJA.com. Os comentários que fugirem desse fundamento não serão publicados, A EXEMPLO DO QUE JÁ SE FEZ NO PASSADO.

Segue texto publicado na VEJA.com.
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O ditador venezuelano, Hugo Chávez, ainda enfrenta o câncer. Sem aviso prévio, Chávez apareceu no sábado à noite em cadeia de rádio e televisão, vestido de azul e acompanhado por vários de seus colaboradores mais próximos, para informar que viaja neste domingo a Cuba para se submeter à quarta cirurgia em 18 meses. “Decidimos com a equipe médica antecipar exames, antecipar uma nova revisão. Infelizmente, nessa revisão foi detectada a presença, na mesma área, de algumas células malignas novamente”, disse o ditador. “É absolutamente necessário, é absolutamente imprescindível submeter-me a uma nova intervenção cirúrgica e isso deve ocorrer nos próximos dias.”

O presidente assinou, perante as câmeras, a solicitação à Assembleia Nacional da permissão para se ausentar do país durante mais de cinco dias e imediatamente indicou que o vice-presidente, Nicolás Maduro, comandará o país, apontando-o como herdeiro e sucessor no caso de algo lhe acontecer. “Em todos esses processos há risco, toda operação desse tipo e contra este mal implica um risco, isso é inegável”, assinalou o caudilho, olhando para seus ministros. “Devo dizer uma coisa que, embora soe difícil, eu quero e devo dizê-la: se, como diz a Constituição, se apresentar alguma circunstância que me desabilite de seguir à frente da Presidência, Maduro deve concluir o período atual.”

O atual período termina no dia 10 de janeiro, com a chegada do novo mandato para o qual o próprio Chávez foi eleito em 7 de outubro. O artigo 233 da Constituição venezuelana indica: em caso de “falta absoluta do presidente eleito ou presidente eleita antes de tomar posse, se procederá a uma nova eleição universal, direta e secreta dentro dos 30 dias”. “Nicolás Maduro, nessa situação, deve concluir, como manda a Constituição, o período. Minha opinião firme, plena como a lua cheia, irrevogável e absoluta, é que nesse cenário que obrigaria a convocar eleições presidenciais vocês elejam Nicolás Maduro como presidente”, acrescentou. É a primeira vez que Chávez contempla um final fatal desde que, em junho do ano passado, foi-lhe diagnosticou em Cuba um câncer do qual só se sabe que está na zona pélvica, mas não sua localização exata nem seu grau.

Assim são as circunstâncias da vida. Eu, no entanto, aferrado a Cristo, aferrado a meu senhor, aferrado à esperança e à fé, espero, assim o peço a Deus, dar-lhes boas notícias nos próximos dias para que possamos juntos continuar construindo o que agora temos”, acrescentou. “Com o favor de Deus como nas ocasiões anteriores sairemos vitoriosos”, disse Chávez, antes de partir para o que denominou uma “nova batalha”.

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As dificuldades de Maduro
Apontado pelo ditador da Venezuela, Hugo Chávez, como seu possível sucessor, o ministro das Relações Exteriores e vice-presidente venezuelano Nicolás Maduros Moros, 50 anos, é considerado um moderado. Mas entenda-se: moderado para um chavista. Como chanceler, ele adotou ao pé da letra o discurso anti-imperialista do caudilho e agiu para expandir o raio de ação do bolivarianismo. Em julho, por exemplo, Maduro foi flagrado em conversa com militares paraguaios em meio à crise que resultou na perda de mandato do presidente Fernando Lugo. O encontro serviu para incitar os oficiais a resistir ao impeachment que estava em curso – um processo realizado de pleno acordo com a Constituição paraguaia.

Oposição ao golpe

Ex-motorista de ônibus em Caracas e líder sindical com formação em Cuba, Maduro já contrariou a vontade de seu atual padrinho. No início dos anos 1990, o atual vice venezuelano se opôs à tentativa de golpe liderada por Chávez contra o então presidente Carlos Andrés Pérez. Mais tarde, após unir-se ao Movimento Bolivariano Revolucionário 200 (MBR-200), criado por Chávez, Maduro contrariou novamente as pretensões do ditador: fez parte do grupo que defendia a abstenção da organização nas eleições presidenciais de 1998. Foi voto vencido. Mas, considerado um “homem de partido”, Maduro aceitou a derrota e passou a trabalhar pela eleição de Chávez. E, de acordo com o jornal venezuelano El Universal, ganhou sua total confiança – e a presidência do então partido chavista, o Movimento da V Repúlica (MVR), hoje incorporado ao Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).

Ascensão foi rápida
A partir de então, sua ascensão foi rápida: tornou-se chefe do MVR no Congresso, presidente da Comissão de Cidadania da Assembleia Nacional Constituinte e, em 2005, foi nomeado presidente da Assembleia Nacional. No ano seguinte, foi nomeado chanceler, com a missão de tornar o serviço exterior mais comprometido com o chavismo. Em outubro passado, logo após a terceira reeleição de Chávez, o caudilho apontou Maduro como vice-presidente, sem tirá-lo do Ministério das Relações Exteriores.

Na Venezuela, é o chefe de estado quem aponta o vice. O artigo 233 da Constituição indica que, em caso de falta absoluta do presidente eleito antes de tomar posse ou nos quatro primeiros anos de seu mandato, deve ser realizada uma nova eleição, direta e secreta, dentro de 30 dias. “Minha opinião firme, plena como a lua cheia, irrevogável e absoluta, é que, nesse cenário que obrigaria a convocar eleições presidenciais, vocês elejam Nicolás Maduro como presidente”, disse Chávez neste sábado, ao anunciar na TV o retorno de seu câncer.

 Chavismo em crise
A vontade do ditador, porém, não parece ser algo tão simples de concretizar. A vitória do caudilho foi apertada no último pleito. E o fato de Chávez ter sempre trabalhado mais para se perpetuar no poder do que para construir um sucessor pode cobrar seu preço. “Todos os potenciais sucessores de Chávez são pessoas que costumam polarizar, que possuem uma personalidade de confronto”, disse Michael Shifter, presidente de uma organização de estudos interamericanos com sede em Washington, em entrevista à rede CNN no início deste ano. “Eles são leais a Chávez, mas não têm a mesma capacidade de se conectar com a maioria dos venezuelanos”. As pesquisas indicaram ainda que, embora Chávez tenha forte apoio de seus partidários, outros nomes não gozam do mesmo prestígio. Uma pesquisa feita em fevereiro pela empresa Datanálisis mostrou Maduro com o apoio de apenas 9,8% dos militantes do PSUV, indicou neste domingo a rede CNN.

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