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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Caetano black bloc saiu à rua para quebrar tudo ou não?

Procurei a informação, mas não encontrei (se acharem, me digam). Caetano Veloso, que convocou os brasileiros a sair mascarados às ruas, participou dos confrontos, partiu pro pau, ou acompanhou os distúrbios lá de sua mansarda imaginária, de onde o aiatolá das novidades expede os seus éditos morais? Benevolente, alguns textos diziam que o neoblack bloc […]

Por Reinaldo Azevedo - Atualizado em 31 jul 2020, 05h26 - Publicado em 7 set 2013, 21h22

Procurei a informação, mas não encontrei (se acharem, me digam). Caetano Veloso, que convocou os brasileiros a sair mascarados às ruas, participou dos confrontos, partiu pro pau, ou acompanhou os distúrbios lá de sua mansarda imaginária, de onde o aiatolá das novidades expede os seus éditos morais? Benevolente, alguns textos diziam que o neoblack bloc censurava os atos violentos. Entendi. Ele quer a rua ocupada por truculentos anônimos, que se escondem da ordem democrática, mas, claro!, sem violência.

É evidente que sei que questionar as “vacas sagradas” que julgam estar pondo “seus cornos afora e acima da manada”, para citar um conhecido compositor, rende desqualificações de toda ordem. Há quem entenda que o debate no Brasil deve ser livre, desde que não se toque em certa aristocracia da opinião. Há certamente quem suponha que os que tomamos borrachada para que o Brasil se transformasse numa democracia devemos agora nos calar diante daqueles que se mostram dispostos até a apanhar, sim, mas porque lutam contra a ordem democrática. Que mérito há nisso? Quem disse que não se pode apanhar por maus motivos, estando errado?

Comigo, não! Eu quero saber se Caetano Veloso saiu à rua para quebrar banco, para invadir parada militar, para botar fogo em lixeira, para acabar com o capitalismo… Se o fez, ele continuará estupidamente errado, mas, ao menos, não se lhe poderá ser atribuída a coragem verbal de propor um levante e a covardia física de fugir dele. Essas duas coisas, somadas, definem a ação política de um irresponsável, de um oportunista.

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