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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Cachoeira fala em gravação sobre venda da casa de Perillo, aponta PF

Do Portal G1: Gravações da Polícia Federal mostram o bicheiro Carlinhos Cachoeira, preso em fevereiro pela PF, discutindo o preço e as condições para a venda da casa do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Na próxima terça (12), Perillo tem depoimento marcado à CPI do Cachoeira, que apura o envolvimento do contraventor com políticos, […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 08h40 - Publicado em 7 jun 2012, 00h32

Do Portal G1:
Gravações da Polícia Federal mostram o bicheiro Carlinhos Cachoeira, preso em fevereiro pela PF, discutindo o preço e as condições para a venda da casa do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Na próxima terça (12), Perillo tem depoimento marcado à CPI do Cachoeira, que apura o envolvimento do contraventor com políticos, autoridades e empresários. Marconi Perillo afirmou que trechos de gravações “editados e desconectados dos fatos não podem se contrapor à realidade”.

Em 6 de julho passado, a PF gravou com autorização judicial uma conversa entre Cachoeira e o ex-vereador de Goiânia Wladimir Garcez, um dos principais auxiliares do contraventor. Segundo documentos que estão na CPI, a casa de Perillo foi vendida seis dias depois. Em depoimento à comissão em maio, Garcez disse que comprou a casa do governador e a revendeu ao professor Walter Paulo Santiago. Segundo Garcez disse à CPI, o pagamento foi feito com três cheques, emprestados por Cachoeira e por Cláudio Abreu, ex-diretor no Centro-Oeste da construtora Delta, empresa suspeita de ter vínculos com o esquema do bicheiro. O valor dos cheques, de acordo com o ex-vereador, foi de R$ 1,4 milhão.

Em depoimento à CPI nesta terça, Walter Paulo Santiago disse que comprou a casa pelo mesmo preço, só que em dinheiro vivo. “Não paguei com cheque, paguei em dinheiro, em moeda corrente, nota exclusiva de 50 e de 100″, afirmou. Na gravação, o preço mencionado é mais alto, R$ 2,2 milhões:

– Cachoeira: Fechou por dois e duzentos?
– Wladimir: Não, mas acho que vai morrer em dois e duzentos, viu?

Em outro trecho, Cachoeira e Wladimir mencionam o nome de Lúcio, que, segundo a Polícia Federal, é Lúcio Fiúza Gouthier, assessor do governador Perillo, exonerado nesta quarta.

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– Cachoeira: Cê vai lá, chama o Lúcio. O Lúcio você conversa com ele. “Ó, Lúcio, é que eu vendi lá, então tô vendendo mobiliada já, por dois e tanto.

Integrantes da CPI dizem que os diálogos e o depoimento do professor Walter Paulo aumentam as dúvidas que cercam a transação de compra e venda da casa de Perillo. “Tem um cipoal de dúvidas e contradições. Precisamos ouvir o governador, sem pré-julgamento, para que as dúvidas sejam esclarecidas”, afirmou o senador Pedro Taques (PDT-MT), integrante da CPI.

Conversas isoladas
O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) disse nesta quarta-feira (6) ter sido procurado por um emissário do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) que, segundo afirmou, teria proposto uma conversa com o governador antes do depoimento de Perillo à CPI do Cachoeira, marcado para terça-feira (12). O encontro serviria para que Perillo “esclarecesse fatos” que pretenderia relatar no depoimento à CPI, da qual Randolfe Rodrigues é um dos integrantes.

A assessoria de imprensa do governador de Goiás negou que Perillo tenha feito algum pedido. “O governador não fez pedido algum. Se alguém fez, foi sem o consentimento dele”, disse Isanulfo Cordeiro, do gabinete de imprensa do governador. “Fui procurado por um emissário do Perillo. Outros parlamentares também foram. Eles pediram uma reunião para que o governador esclarecesse fatos que vai falar na CPI […] Eu não aceitei. Não acho prudente conversa isolada”, afirmou Randolfe Rodrigues.

Perillo tem depoimento marcado para esta terça na CPI Mista que investiga as relações entre o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com políticos e empresários. Nesta terça, o relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), defendeu a quebra de sigilo do governador, que é suspeito de envolvimento com o contraventor.
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