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Assim se expande a Universidade de Brasília…

Leia reportagem publicada no Correio Braziliense de hoje sobre a expansão da Universidade de Brasília, de que a foto abaixo é um emblema. Ao fim do texto, vocês verão que o ministro da Educação, Fernando Haddad, explica tudinho… Segundo ele, a responsável pelas dificuldades é a empreiteira. Certo! E que providência tomou Haddad? Ora, ele […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 11h24 - Publicado em 8 jul 2011, 15h16

Leia reportagem publicada no Correio Braziliense de hoje sobre a expansão da Universidade de Brasília, de que a foto abaixo é um emblema. Ao fim do texto, vocês verão que o ministro da Educação, Fernando Haddad, explica tudinho… Segundo ele, a responsável pelas dificuldades é a empreiteira. Certo! E que providência tomou Haddad? Ora, ele reclama…

Alunos da UnB utilizam área externa de escola pública de Ceilândia (foto: Rafael Ohana)

Alunos da UnB utilizam área externa de escola pública de Ceilândia (foto: Rafael Ohana)

Por Flávia Maia:
O processo de expansão da Universidade de Brasília (UnB) começou há cinco anos e ainda está capenga. A entrega do prédio do Gama pela construtora não ocorreu e, mesmo assim, os alunos têm aula no local que possui água de poço artesiano, rede de esgoto e transformadores de energia provisórios. Em Planaltina, as instalações foram inauguradas, mas a mudança parou porque a estrutura não tinha internet. Agora, os alunos precisam transitar entre os dois prédios – um antigo e o novo – sem ligação entre si e com mato alto no meio do caminho. Em Ceilândia, a situação é ainda mais grave, uma vez que as obras nem sequer foram concluídas.

Os estudantes dividem o espaço de uma escola de ensino médio há três anos. Além disso, ainda em Ceilândia, R$ 19 milhões em equipamentos de laboratório estão subutilizados ou guardados em caixas (leia mais na página 20). Nos três anos de expansão com o dinheiro do Programa de Reestruturação Universitária (Reuni), do Ministério da Educação, a UnB gastou aproximadamente R$ 89,6 milhões. A área total dos três campus soma 239,5 mil m² para atender 3.700 alunos.

Os números impressionam, assim como o improviso e o descaso nesses espaços. Após 17 meses de espera, os estudantes do campus do Gama assistiram à primeira aula no prédio novo que ainda não estava pronto. Até hoje, porém, a construtora não entregou a edificação. A construção teve problemas em relação à licença ambiental, na fundação e na aquisição de materiais. “A desorganização da empresa contratada também contribuiu”, afirmou o diretor do campus do Gama, Alessandro Borges.

Por enquanto, apenas os calouros estão no novo local. Os veteranos estudam no fórum e no Sesc do Gama. As instalações do campus não têm ligação de água da Companhia de Saneamento Ambiental (Caesb). O esgoto é despejado em fossa. O uso dos banheiros no andar superior está proibido e alguns da parte inferior foram interditados. “Ainda estamos sem funcionários. Como poucos alunos estão no novo campus, fechamos alguns banheiros para manter a limpeza”, explicou o diretor.

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Para piorar, pelo campus, há cartazes pedindo aos alunos que não liguem nenhum equipamento eletrônico nas tomadas. Como a subestação de energia elétrica não está pronta, a UnB comprou um transformador provisório. “Como a construtora não entregou a obra, não testamos as tomadas. Estamos receosos de queimar algum equipamento. Vamos evitar dor de cabeça”, afirmou Alessandro Borges.

Porém, os alunos contam que a eletricidade é sempre instável. “Teve gente com computador queimado”, conta Ludimila da Bela Cruz, 19 anos, estudante do 1º semestre de engenharia. Os alunos estão satisfeitos com a nova estrutura, mas sabem que falta muito para o espaço se tornar um centro de estudos. “O campus será muito bom, o problema é que ele ainda não está pronto, aí temos que conviver com problemas, com o barulho e poeira de obra, e alguns improvisos”, disse Adriel Medeiros, 18 anos, também do 1º semestre de engenharia.

A entrada do campus do Gama ainda é de terra batida e, como o endereço das novas instalações é a DF-480, os universitários pedem uma faixa de pedestres. “A parada fica do outro lado e é perigoso atravessar”, diz Hudson Pereira Ramos, 18 anos, estudante de engenharia.

Em Planaltina, desde 2005, existe um prédio para a expansão. Em agosto de 2010, a estrutura passou por reforma e expansão. Em março último, outra edificação foi inaugurada e dentro dos prazos legais. Agora, o problema é a falta de ligação entre os dois prédios – existe uma cerca que os separa. “Mudar de prédio à noite é muito perigoso, o mato é alto. Ainda não aconteceu nada, mas não queremos que aconteça”, conta Raissa Costa, 23 anos, estudante do 4º semestre de ciências naturais.

Justificativa
Para a decana de Ensino e Graduação da UnB, Márcia Abrahão Moura, a idéia de começar o funcionamento dos cursos mesmo sem os prédios estarem prontos não foi precipitada. “Nossas instalações provisórias são de qualidade. Não dava para esperar os prédios ficarem prontos. Todos os índices que mediram qualidade dos cursos foram muito positivos”, disse.

Para a expansão da UnB, o GDF entrou como parceiro com a cessão dos três terrenos onde as universidades estão construídas. Em Ceilândia, o Executivo local ainda se comprometeu a construir dois prédios do campus. “A UnB negociou com cinco governadores em três anos. Todos queriam rediscutir o contrato, isso atrasou muito a construção do prédio de Ceilândia”, ressaltou Márcia Abrahão.

O ministro da Educação, Fernando Haddad, disse ontem que a culpa não é do governo. “Em todos os casos de Brasília, o empreiteiro responsável pela obra é quem está causando transtornos para os estudantes. Não está faltando orçamento nem empenho da Reitoria, mas nossa legislação protege muito o mau empresário, infelizmente. As multas deviam ser mais pesadas e a cobrança da sociedade, também”, disse.

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