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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Alunos de Letras da USP apelaram a professores que não entrassem em greve. E a manipulação da vontade da maioria em assembléia fajuta

Sim, queridos, eu continuarei a falar bastante sobre a USP porque não trato dessa universidade em particular, já disse, mas das universidades públicas como um todo. Elas são financiadas com o nosso dinheiro. Aliás, são financiadas com as riquezas produzidas por pessoas bem mais pobres do que nós, que jamais verão um filho seu usufruir […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 10h13 - Publicado em 10 nov 2011, 06h51

Sim, queridos, eu continuarei a falar bastante sobre a USP porque não trato dessa universidade em particular, já disse, mas das universidades públicas como um todo. Elas são financiadas com o nosso dinheiro. Aliás, são financiadas com as riquezas produzidas por pessoas bem mais pobres do que nós, que jamais verão um filho seu usufruir daquele benefício. Adiante.

A Associação dos Docentes da USP, controlada pelo PT (sempre um partido comandando essas organizações…), realizou uma assembléia e decidiu, por enquanto, não declarar greve, mas se solidarizou com a pauta dos 2% de estudantes da USP (falo a respeito em outro post). Fez bem. Antes da decisão, um grupo de alunos de Letras redigiu uma carta aos professores com um apelo pungente: “NÃO FAÇAM GREVE!” O texto denuncia também a manipulação miserável de que foi objeto a assembléia que decidiu apoiar a greve. Nem poderia ser diferente. O Centro Acadêmico é controlado pelo PSTU. O principal adversário, aliado no caso da greve e na chapa para o DCE, é o PSOL…

Já não há mais disfarce. As esquerdas operam em clima de terror entre os docentes, discentes e funcionários. Há de tudo: intimidação, ameaça, perseguição. Reitero: eu participei do movimento estudantil. Perdíamos e ganhávamos, mas jamais se chegou a esse grau de delinqüência e de banditismo. Estamos falando de algo bem mais grave do que manipular uma assembléia. Como vocês verão, os estudantes apelam à Constituição da República para ter os seus direitos respeitados. Segue o texto, nos termos em que recebi:

*
Caros professores do curso de Letras da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP,

Nós, alunos do curso, vimos humildemente solicitar aos senhores que não suspendam suas aulas diante dos fatos recentemente ocorridos. Compreendemos que é extremamente complicado não ceder a certas pressões pela greve de alunos, mas há que se considerar os motivos que levaram à mesma: pedidos de libertação de supostos presos ‘políticos’, que, desde o ocorrido em 27 de Outubro, têm agido em desacordo com a Lei.

Sabemos que esta mensagem pode parecer um tanto quanto vaga, mas não houve tempo hábil para se colher nomes de abaixo-assinados antes da assembleia da ADUSP em que os senhores votarão dentro de poucos minutos. O que não quer dizer de maneira alguma que esta mensagem esteja partindo unicamente da minha pessoa, foi feita uma divulgação massiva nas redes sociais, e o que atrapalha é somente a falta de tempo. De qualquer forma, pedimos que a mensagem seja objeto de reflexão por parte dos senhores e que, por gentileza, comentem-na com os colegas que não puderam recebê-la ou lê-la antes da Assembleia.

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Na manhã desta quarta-feira, 09 de Novembro, a Assembleia da Letras pode ser resumida da seguinte maneira: quem tentou falar contra a greve foi aplaudido, mas também vaiado e interrompido. A votação foi realizada enquanto havia pessoas em sala de aula que, ao descerem a pedido de dois alunos que foram convocá-los, descobriram que a votação já havia sido realizada. Ao solicitarmos à mesa uma nova votação, esta negou nosso pedido.

Ainda como argumento contra a greve de estudantes em pleno final de semestre, citamos trecho da Constituição Federal de 1988: “Título II. Dos Direitos e Garantias Fundamentais. Capítulo I. Dos direitos e deveres individuais e coletivos. Art. 5º, inciso II – ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei.” O que inclui Assembleias convocadas de última hora, em horário de aula.

Diante de todos esses fatos, pedimos aos nossos caros professores que a qualidade das aulas por vocês ministradas não seja prejudicada. Sabemos que a violência não é solução, mas sim a educação, parafraseando os próprios manifestantes do Movimento Estudantil. E é por isso que contamos com vocês: para que a Educação e o Estudo sejam nossos métodos de luta.

Agradecemos desde já.

Alguns de nós, mas nem de longe todos, somos:

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