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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Ainda o Sensus

Como vocês viram, os números que circularam ontem à noite sobre a pesquisa CNT-Sensus eram falsos — ou, se quiserem, não eram aqueles. Se vocês relerem o que escrevi abaixo sobre eles (à 1h55), verão que havia uma ali certa desconfiança: Alckmin cresceria 13 pontos de uma vez só. Difícil de acreditar. E Lula não […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 23h10 - Publicado em 26 set 2006, 16h10
Como vocês viram, os números que circularam ontem à noite sobre a pesquisa CNT-Sensus eram falsos — ou, se quiserem, não eram aqueles. Se vocês relerem o que escrevi abaixo sobre eles (à 1h55), verão que havia uma ali certa desconfiança: Alckmin cresceria 13 pontos de uma vez só. Difícil de acreditar. E Lula não se moveria. Segundo o Sensus, o candidato tucano passou de 19,6% para 27,5%, e Lula, de 51,4% para 51,1%. A candidata Heloísa Helena caiu de 8,6% para 5,7% dos votos. Como se vê, o instituto ajusta seus números com o Datafolha, exceção feita ao caso da candidata do PSOL, que fica muito abaixo. Ricardo Guedes, diretor do instituto, acha que Alckmin cresceu, mas não por causa do escândalo. Ele atribui a mexida à movimentação dos indecisos e dos eleitores da candidata ultra-esquerdista, que teriam migrado para Alckmin. Não sou do tipo que fica vendo trama em pesquisas. Posso achá-las consistentes ou não. A explicação para esses números é inconsistente. É mais razoável um eleitor de Heloísa Helena migrar para o voto nulo — ou, vá lá, para Lula — do que para Alckmin. E há a velha história (leiam lá o post da madrugada): com margem de erro de 3 pontos para mais ou para menos, todo mundo está certo, entendem? E tanto pode haver segundo turno como pode não haver. Vocês sempre souberam que era difícil. Aqui, nós podemos fazer o que os petistas não fazem: operar com imperativos morais sem perder o pé da realidade. Há uma hora em que a única coisa possível é afirmar que vai dar. Façam como eu: o pior que pode acontecer é Lula vencer no primeiro turno. E aí começamos a contar história do futuro para o presente. Há chance? É claro que sim. Se não há uma razão objetiva para desconfiar do Sensus, também não há para desconfiar do Ibope. Melhor olhar para o lado do céu que não anuncia a tempestade. E se ela vier? Enfrenta-se, ora essa. Qual a alternativa?
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