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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

A prova de que os petistas são hienas, não guepardos

Vejam só, leitores, como as coisas vão se encaixando. O diretor de Operações dos Correios é Eduardo Artur Rodrigues. E quem é ele? No papel  ao menos, é um dos sócios da misteriosa MTA, a empresa em favor da qual atuou Israel Guerra. Até Erenice, a Mamãe Gansa, admite que o filhote recebeu “uns 100 […]

Por Reinaldo Azevedo - Atualizado em 21 fev 2017, 10h55 - Publicado em 16 set 2010, 17h45

Vejam só, leitores, como as coisas vão se encaixando. O diretor de Operações dos Correios é Eduardo Artur Rodrigues. E quem é ele? No papel  ao menos, é um dos sócios da misteriosa MTA, a empresa em favor da qual atuou Israel Guerra. Até Erenice, a Mamãe Gansa, admite que o filhote recebeu “uns 100 mil” pela “consultoria. A MTA trabalha para os Correios, e isso significa que Rodrigues é, então, aquele que contrata a própria empresa. E quem pôs o homem naquele posto? Erenice. Mas ele tinha um padrinho forte: Roberto Teixeira, o onipresente compadre de Lula.

Os três — Erenice, Rodrigues e Teixeira — haviam atuado juntos no processo da polêmica venda da Varig, que Dilma Rousseff acompanhou no detalhe, como atesta Denise Abreu, que trabalhava, então, na Anac — a mesma Anac que, em relatório interno, apontou deficiências na MTA, recomendando a sua não-contratação. Inútil.

Teixeira também não existe. Teixeira é Lula!

Leiam agora uma reportagem de Leonencio Nossa e Karla Mendes, publicada no Estadão no dia 29 de agosto. É curioso fazê-lo à luz do que sabemos agora. Como digo no post abaixo, o modelo petista é “fordista”. Não existe espaço para ações individuais. Eles agem em grupo, como ordem unida. Volto no fim para a conclusão.
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demitiu no dia 28 de julho a cúpula dos Correios por temer que o fisiologismo partidário ampliasse a crise administrativa na estatal e respingasse na campanha eleitoral, mas a iniciativa pode ter sido infrutífera. O novo diretor de Operações dos Correios, Eduardo Artur Rodrigues da Silva, assume o cargo sob uma nuvem de suspeita.

Conhecido no setor da carga aérea como “coronel Artur” ou “coronel Quaquá”, ele chegou à estatal com o apoio do compadre de Lula, o advogado Roberto Teixeira. Presidia uma empresa de transporte de mala postal, a Master Top Linhas Aéreas (MTA). Vinte dias antes de ser escolhido para a função, a MTA arrematou o contrato de uma das principais linhas da estatal, a Linha 12, que opera no trecho Manaus-Brasília-São Paulo. A empresa, com sede em Campinas, venceu o pregão eletrônico com o lance de R$ 44,9 milhões.

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É uma linha estratégica nos negócios dos Correios – representa 13% do valor total da malha e 14% da capacidade de carga contratada. Ao assumir a diretoria nos Correios, no dia 2 de agosto, o coronel entregou o comando da MTA nas mãos de uma filha, Tatiana Silva Blanco.

Com essa triangulação, a MTA tem agora a família Rodrigues da Silva como contratada e, ao mesmo tempo, contratante. Em site na internet, a MTA destaca que tenta ser uma “extensão” das empresas com as quais mantém parceria.

Além desse aspecto da relação entre os Correios e a MTA, há outro fato a ser observado: um dia antes da escolha do coronel Artur para a diretoria de Operações e menos de uma semana antes de sua posse, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) anulou a suspensão da certificação da Master Top Linhas Aéreas. No dia 22 de julho, a MTA fora multada por excesso de trabalho de seus tripulantes e teve o Certificado de Homologação de Empresa Aérea suspenso pela Anac.

A suspensão foi retirada pela agência e a decisão publicada no Diário Oficial da União do dia 27, véspera do anúncio da indicação do coronel Artur para o cargo nos Correios. A Anac aceitou uma proposta de mudança na escala de trabalho dos funcionários e liberou a empresa para voltar a voar.

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VarigLog e Teixeira
O coronel Artur, de 61 anos, é um personagem do polêmico processo de venda da VarigLog, em 2008. Em 8 de abril daquele ano, ele foi nomeado para o conselho de administração da empresa de transporte de cargas desmembrada da Varig, que tinha Roberto Teixeira como principal advogado e consultor.

À época, a Fundação Ruben Berta, uma das acionistas da empresa, denunciou uma fraude na ata da reunião, que teria sido patrocinada pela advogada Larissa Teixeira, filha de Roberto, e pelo representante do fundo americano Matlin Patterson, que também participava do negócio. A Fundação Ruben Berta disse que não mandou representantes para o encontro. Larissa respondeu que o representante da fundação, João Luís Bernes de Souza, estava presente. Bernes negou a versão apresentada pela advogada.

O que não ganhou destaque, à época, foi o motivo da realização da assembleia. O encontro serviu para nomear o coronel Artur como integrante da VarigLog. O caso está sendo analisado pela Polícia Federal e pela 17.ª Vara Cível de São Paulo.

Da assembleia até meados de outubro daquele ano, o coronel Artur presidiu a VarigLog. No período, acumulou o cargo com a presidência da MTA. Artur se apresentava como presidente da MTA, “empresa que presta consultoria e administra a VarigLog”. A empresa do coronel aumentou de 2 para 11 o número de voos cargueiros após dar consultoria à companhia VarigLog, defendida por Teixeira.

A MTA também foi contratada pelo chinês Lap Wai Chan, representante no Brasil do fundo americano Matlin Patterson, que tinha a maioria do capital da VarigLog. O advogado de Chan era Roberto Teixeira, acusado pela ex-diretora da Anac Denise Abreu de tentar influenciar a agência a aprovar a venda da Varig para a VarigLog de Chan.

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Um ano antes, em 2007, Teixeira participou das negociações de venda da Varig para a Gol, da família Constantino. O advogado defendia o fundo Matlin Patterson e três outros sócios da Varig. Um desses sócios, Marco Antônio Audi, disse que Teixeira recebeu US$ 5 milhões para usar sua suposta influência no governo e derrubar exigências impostas pela Anac. O advogado negou as informações de Audi.

Concluo
A renovação da licença da MTA a que se refere a reportagem do Estadão é justamente aquela “conseguida” por Israel Guerra, o filho da Mamãe Gansa.

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