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A histeria anti-Serra e anti-Alckmin de setores da imprensa paulistana já beira o patético

Existe um clima anti-Serra e anti-Alckmin em setores da imprensa paulistana que beira a histeria. A gente sabe quem foi o beneficiário dessa história na eleição do ano passado. O objetivo agora é colar a pecha de “velharia” no governador de São Paulo. O curioso é que os critérios empregados para criticar os tucanos parecem […]

Existe um clima anti-Serra e anti-Alckmin em setores da imprensa paulistana que beira a histeria. A gente sabe quem foi o beneficiário dessa história na eleição do ano passado. O objetivo agora é colar a pecha de “velharia” no governador de São Paulo. O curioso é que os critérios empregados para criticar os tucanos parecem não valer para os petistas. Na Folha de hoje, Ricardo Mendonça escreve um texto espantoso. Segue em vermelho. Comento em azul.

Oligopólio tucano
Desde o ano 2000, antes de Lula chegar à Presidência, portanto, os únicos dois nomes que o PSDB oferece aos paulistanos em qualquer eleição para prefeito, governador ou presidente da República são José Serra e Geraldo Alckmin.

O atual governador de São Paulo foi candidato a prefeito na capital em 2000 e 2008. Serra disputou a prefeitura em 2004 e 2012. Antes, já havia tentado em 1988 e 1996. Repare: só eleitores paulistanos com mais de 37 anos de idade tiveram a chance de votar num tucano que não fosse Serra ou Alckmin para prefeito. Foi na longínqua candidatura do hoje verde Fabio Feldmann em 1992, lembra?
A, digamos, tese de Ricardo Mendonça não é dele, mas de Humberto Dantas, cientista político do Insper. Já desmontei essa história aqui. O professor destacava, então, que o trio Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra disputou, desde 1988, quando se formou o PSDB, 12 das 13 eleições havidas em São Paulo (considerando cidade e estado) — a exceção foi Fábio Feldman, que concorreu à Prefeitura em 1992. O partido venceu seis. E no PT? Nesse período, Eduardo Suplicy disputou duas eleições majoritárias; perdeu as duas (era a sua terceira…); Luiza Erundina disputou duas, perdeu uma. Marta disputou três; perdeu duas; Mercadante disputou duas — não conseguiu. Só aí já se contaram 9 das 13 eleições. De resto, como o critério de comparação é o PT, por honestidade metodológica, Dantas deveria ter analisado o índice de renovação do PT também desde a origem do partido. Cairia ainda mais.

É tão alto assim esse índice no petismo? As únicas exceções no repeteco, de 1988 até 2012, foram Plínio de Arruda Sampaio (1990), José Dirceu (1994) e José Genoino (2002) na disputa pelo governo do Estado. Exceção feita a este último, os outros eram quase anticandidatos. Pura falta de opção. Em 2012, o partido emplacou Fernando Haddad. Esse debate é espantoso! O pior é que alguns tucanos o levam a sério. Mais estúpido ainda: muitos deles ficam plantando essas bobagens na imprensa e ainda se acham muito sagazes…

Nas eleições para o Planalto ou para o Bandeirantes, a situação é parecida. Em 2002, Serra saiu para presidente, Alckmin para governador. Em 2006, inverteram: Alckmin para presidente, Serra para governador. Em 2010, desinverteram: Serra novamente para presidente, Alckmin novamente para governador.
Desde 1989, os “dois únicos” nomes que o PT ofereceu para a disputar a Presidência da República foram Lula e Dilma. Ele foi candidato em cinco eleições seguidas, um recorde. Ela disputará a reeleição. Assim, em 2014, apenas dois nomes petistas terão sido candidatos ao longo de… 25 anos!!!

Petistas que tinham 18 anos em 1989 chegarão aos 43, em 2014, tendo votado em Lula ou em Dilma. Atenção! Ele só não será candidato de novo daqui a dois anos porque a governanta bateu o pé. Como o PT é chegado a uma “novidade”, o Apedeuta já se autodeclarou coordenador político do governo! Reúne-se com Fernando Haddad e o secretariado na Prefeitura de São Paulo para estabelecer as diretrizes da gestão. Num seminário, chama o alto escalão de Dilma para dar algumas lições. Isso não parece preocupar Ricardo Mendonça. Não vê nada de velho nem de estranho.

Hoje acontece a abertura do congresso estadual do PSDB paulista. A expectativa é que Serra apareça e faça seu primeiro discurso após a eleição municipal de outubro. Os tucanos devem aproveitar para discutir estratégias para 2014. Qual é a grande articulação em curso?
Bingo. Dar um jeito para lançar Serra para presidente (a tática agora é falar em prévias ou primárias); e garantir as condições para a reeleição de Alckmin governador.
Duvido que haja o “lançamento” a que ele se refere. Mas ainda que aconteça, é faltar escandalosamente com a verdade afirmar que a “tática agora é falar em prévias ou primárias”. Como assim? “Agora”??? Serra já disputou prévias na eleição do ano passado. Teria havido a consulta em 2010 se Aécio não tivesse desistido.

Nem é justo dizer que o PSDB tem problemas para formar quadros competitivos. Depois do petista Fernando Haddad, o maior vencedor da eleição paulistana foi o neopeemedebista Gabriel Chalita, tucano até outro dia. O Rio de Janeiro reelegeu o prefeito com a segunda maior votação proporcional em capitais, Eduardo Paes, tucano até outro dia. Em Curitiba, a surpresa foi a vitória de Gustavo Fruet (PDT), tucano até outro dia.
Mendonça tentou ser irônico, mas só falou uma grande, uma escandalosa bobagem. O raciocínio faria algum sentido se esses políticos tivessem mudado só de partido, mas não de lado. E eles mudaram. Chalita deixou de ser tucano para ser socialista e é agora peemedebista. Paes jamais se elegeria prefeito no Rio no PSDB, ainda que tivesse conseguido tomar a máquina das mãos do grupo de Marcelo Alencar. Fruet encontrou em confronto com o governador Beto Richa, também por questões locais. O prefeito do Rio teve o apoio das máquinas estadual e federal. O de Curitiba foi eleito pela rejeição a Ratinho Jr.

Por que eles só conseguiram subir ao primeiro escalão da política após sair do PSDB? Poderia ser um tema para o congresso de hoje. Mas não é.
A resposta é simples: porque isso não tem a menor importância. O grau de renovação no PSDB não é menor do que nas duas grandes legendas: PT e PMDB — ou o analista vê um peemedebismo fervilhante com Renan Calheiros voltando à Presidência do Senado, apoiado por Michel Temer e José Sarney?

Ainda que Serra queira e eventualmente consiga ser o candidato do PSDB à Presidência, estaria disputando o cargo pela terceira vez — distante ainda das cinco de Lula, que perdeu três. Mas o petismo, nessa formulação, parece ser uma máquina de renovação. Se Aloizio Mercadante conseguir, como pretende, emplacar a sua candidatura ao governo de São Paulo em 2014, será a sua terceira jornada.

Desde já se tenta caracterizar a eventual reeleição de Alckmin como mais do mesmo, mero repeteco, buscando reproduzir, em escala estadual, a onda que elegeu Fernando Haddad. São os petistas trabalhando a massa…

A imprensa paulistana, com as exceções de praxe, vive mesmo um momento encantador. Sob seu silêncio cúmplice, Lula, que não foi eleito por ninguém, atua ora como prefeito de São Paulo, ora como chefe de estado — além de dar murro na mesa e decidir quem é e quem não é candidato. Prova de modernidade!!! Serra e Alckmin, no entanto, segundo entendi, deveriam se aposentar e não disputar mais eleições. Parece que eles não atendem ao particularíssimo senso de renovação de alguns analistas…

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