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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

A estranha dialética do pacto de Tarso Genro

Na mesma entrevista em que denunciou o “golpismo” das oposições, o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais), vejam vocês, defendeu um pacto de Lula com as oposições caso ele seja reeleito. Tarso é mesmo um homem dialético: quer fazer entendimento com golpistas… Até que haja um fio de esperança de Lula ser defenestrado, agarro-me a ele. […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 23h10 - Publicado em 26 set 2006, 20h29
Na mesma entrevista em que denunciou o “golpismo” das oposições, o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais), vejam vocês, defendeu um pacto de Lula com as oposições caso ele seja reeleito. Tarso é mesmo um homem dialético: quer fazer entendimento com golpistas… Até que haja um fio de esperança de Lula ser defenestrado, agarro-me a ele. Mas digamos que se reeleja. É justamente nesse ponto que as oposições vão ser testadas. A questão não está nem mesmo limitada pelo território brasileiro. Existem, hoje, na América Latina, governos que estão alinhados com um projeto autoritário de poder — que obedecem as linhas gerais do Foro de São Paulo (um agrupamento de partidos e de correntes de esquerda, integrado pelo PT, Partido Comunista Cubano, Movimento Bolivariano e Farcs, dentre outros) e aqueles que se alinham com a democracia. Na hipótese da reeleição de Lula, vamos ser vigilantes com aqueles que serão servis aos propósitos e desígnios de um dos Apedeutas-chefes do esquerdismo bocó, por mais que fale a linguagem de mercado. Só para o Departamento de Estado dos EUA, muito mal informado, há grande diferença entre Lula, Chávez ou Evo Morales. No que interessa, estão todos juntos. Aguardem para ver o desfecho do caso Petrobras na Bolívia — que, de forma inacreditável, nunca foi veiculado no programa de Alckmin na TV. Aquele índio de araque já tomou a empresa. Lula se fez de ofendido. Coisa nenhuma. “Meu querido Evo” executou o programa da turma — de Lula inclusive. A tungada na Petrobras, por ora, está suspensa. Se Lula vencer no dia 1º, ato contínuo, sua receita será oficialmente confiscada pelo governo boliviano (na verdade, venezuelano). O único pacto possível é com a democracia, o Estado de Direito e a Constituição. E Lula não passa no teste.
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