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A CRIADA PELUDA É HUMILHADA DE NOVO! OU: “SEIS ANOS NESTE POST”

Lembram-se da Criada Juliana, a louca barbuda que tem delírios eróticos comigo? Que não consegue pensar em outra coisa a não ser em mim? Que me dedica homenagens em suas noites asquerosas? Aquela que chamei na chincha? Pois é. Ela não se emenda. Agora viciou em humilhação. Um leitor me manda a última da velhota. […]

Lembram-se da Criada Juliana, a louca barbuda que tem delírios eróticos comigo? Que não consegue pensar em outra coisa a não ser em mim? Que me dedica homenagens em suas noites asquerosas? Aquela que chamei na chincha? Pois é. Ela não se emenda. Agora viciou em humilhação. Um leitor me manda a última da velhota. Escrevi num dos posts sobre o Bancoop o que segue em azul:
“O caso Bancoop é uma espécie de escândalo-símbolo ou escândalo-emblema do que é o petismo — ou, mais amplamente, de como se comporta isto que chamo ‘nova classe social’ no poder. Recorri a esta expressão antes do sociólogo de esquerda Francisco de Oliveira; daí empregar a primeira pessoa”.

Aí a criada afirma que estou dizendo que inventei o termo e sustenta que o criador da expressão é Milovan Djilas”. Não há a menor dúvida!!! O vagabundo leu a informação aqui, no meu blog, que ele adora.

No dia 16/02/2007, no post Em qualquer democracia, Lula seria impichado
É isso aí. Aos poucos, essa gente vai deixando claro que acha não ser obrigada a responder pelo que diz e pelo que faz. Conhecem a minha tese sobre a nova classe que chegou ao poder — não, não lancei depois de Chico de Oliveira: quando menos, ao mesmo tempo. Até porque a idéia não é nem minha nem dele, mas de Milovan Djilas… Percebam como vão assumindo ares verdadeiramente aristocráticos, fidalgos, e olham com certo nojo, desprezo mesmo, essa gente que acredita numa República.

No dia 5 de março de 2007, no post A legitimidade de Lula torna ilegítima a democracia
Sobre a questão abaixo, diga-se, o Babalorixá de Banânia afirmou que só um ex-sindicalista, como ele, teria legitimidade para proibir a greve em alguns setores do funcionalismo. Lula acaba de declarar que, de fato, vê-se e se entende como um aristocrata — um aristocrata sindical. Vocês sabem que há tempos considero os petistas uma nova classe social — a conferir, mas devo ter empregado essa expressão, nas pegadas de Milovan Djilas, antes do sociólogo Chico de Oliveira. Escrevo sobre isso há muito tempo. Não é relevante saber quem chegou primeiro ao termo. Só invisto na precisão.

No dia 31 de maio de 2007 no post “Seria eu a High School Musical do liberalismo? Seria o PT o novo PCB?
O petismo é outra coisa. Hoje se trata de oficialismo, e seus militantes na universidade lembram muito mais a juventude fascista ou a burocracia da extinta União Soviética e dos países da antiga Cortina de Ferro. São a expressão universitária da “nova classe social”, para usar o termo que Chico de Oliveira e eu — sim, eu — introduzimos no Brasil para defini-los, à esteira da crítica feita à burocracia comunista por Milovan Djilas. Eles não pretendem chegar ao poder um dia. Já chegaram.

Voltei
A criada acha que estou no ramo por esporte. Escrevi sobre Milovan Djilas na revista Primeira Leitura nº 23, em janeiro de 2004. Eis a página aí. Não dá para ler o texto? Não tem problema! Tio Rei reproduz a íntegra logo depois da imagem. Vale a pena ler. Acho que vocês vão se surpreender com o que foi escrito HÁ MAIS DE SEIS ANOS. Volto para encerrar.

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O TEXTO

Não há como não rir de certos ciclos históricos e de como alguns valores ganham trânsito, desaparecem, ressurgem a serviço de novas teses. Milovan Djilas (1911-1995), que chegou a ser presidente da Assembléia Federal e vice-presidente da extinta República Iugoslava, depois que caiu em desgraça, tornou-se tanto uma referência da esquerda não stalinista — que, no Brasil, integrou-se ao PT — como virou citação obrigatória da direita anticomunista. E isso por conta, essencialmente, do livro A Nova Classe: Uma Análise do Modelo Comunista —New Class: An Analysis Of The Communist System pode ser comprado na Amazon por US$ 13,49.

O título do livro já traz a pista. Para Djilas, que caiu em desgraça, o comunismo de feição soviética — e, então, o iugoslavo (o não-alinhamento do país com Moscou não queria dizer modelo alternativo) e de todo o Leste Europeu — havia dado à luz uma nova classe, a nomenklatura, uma casta de burocratas que se assenhoreou do Estado, recorrendo a emblemas e princípios de esquerda para constituir um poder próprio, engessando a sociedade. Em seu ensaio O Ornitorrinco, Francisco de Oliveira, dissidente petista, compara aquela burocracia à elite sindical petista. Em discurso, ao assumir a presidência do PSDB, José Serra lembrou Djilas e chamou o petismo de “bolchevismo sem utopia”.

Por mais que pareça algo forçada a referência, a verdade é que tanto Oliveira como Serra vão ao ponto. O site Primeira Leitura já havia apontado, há tempos, isso que se comporta como uma nova classe, segundo, sim, os referenciais da sociologia marxista. A definição de “classe” nasce da divisão do trabalho, o que determina a ação dos agentes sociais, segundo os interesses que vão se estabelecendo. A casta sindical que chega ao poder junto com Lula não se distingue do partido político que a orienta, e as ações oficiais são orientadas para gerar valores, saberes e ideologia que se reproduzem no interior da burocracia e buscam se legitimar no seio da sociedade.

Reparemos como, na prática, o Orçamento Geral da União é — já era antes, é fato — mera peça de ficção. A gerência estratégica do novo poder está nos fundos de pensão, que já vinham sendo ocupados pelo petismo ainda na gestão FHC, e nas estatais. Chamei, no site, essa nova classe sindical-petista, a começar por seu chefe máximo, Lula, de “burguesia sem capital” — próprio ao menos. Se a nova classe de Djilas precisava da ditadura para se manter e se reproduzir, a do petismo pode conviver com as formalidades democráticas — ainda que enrijecidas. Em relação a seu congênere soviético, passou por um claro aggiornamento. O partido que a organiza não é único, de feição soviética. Aprendeu as lições da construção da hegemonia e se apresenta, em termos gramscianos, como o legítimo Moderno Príncipe. Não lhe falta nem mesmo a mídia áulica para fazer os favores de veicular como valor universal, como fundo moral, o que é não mais do que construção ideológica.

Esses inacreditáveis contratos que as centrais sindicais estão celebrando com os bancos, conforme relata João Carlos de Oliveira, são um dos braços dessa criação. Tanto a esquerda fora do poder como os ditos liberais — os há no Brasil? —- acham tudo normal porque ou lhes falta convicção ou lhes falta leitura. Ou lhes faltam as duas coisas. Já os burgueses sem capital próprio sabem muito bem o que fazem. Tentarão ficar para sempre no poder e adaptar a institucionalidade, como já começam a fazer, a seus interesses. Interesses de classe.

Para saber mais sobre Milovan Djilas, leia ainda os livros Conversatíons with Stalin, Lane without Justice; Fall of the New Class: A History of Communism’s Self-Destruction

Encerro
A criada deve pensar que estou nessa só por diletantismo. Mais uma humilhação. Agora chega! Quem insistir em ler o vigarista é porque gosta de… vigaristas! E desgruda do meu pé, coisa peluda!!! A gente não tem os mesmos gostos…

Vamos ao que interessa. Modéstia às favas, queridos, a minha leitura, feita há seis anos, parece que estava correta, não é mesmo? Entendeu agora, criada, por que eu sou lido por milhares e você é rejeitado até pelas moscas?

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