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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

A campanha terrorista de Padilha na TV, o PT e os cadáveres

Essa é para o leitor de São Paulo, mas o estilo certamente será reconhecido pelos internautas de todos os estados. Alexandre Padilha, ex-ministro da Saúde e virtual candidato do PT ao governo paulista, ocupa aquelas curtas inserções do horário político do partido. O tema da hora é segurança pública. O tom da campanha eleitoral — […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 04h27 - Publicado em 14 fev 2014, 22h14

Essa é para o leitor de São Paulo, mas o estilo certamente será reconhecido pelos internautas de todos os estados. Alexandre Padilha, ex-ministro da Saúde e virtual candidato do PT ao governo paulista, ocupa aquelas curtas inserções do horário político do partido. O tema da hora é segurança pública. O tom da campanha eleitoral — é disso que se trata — é terrorista: uma voz em off, meio cavernosa, afirma que São Paulo tem o maior efetivo policial do Brasil e a maior verba de segurança, mas os roubos não param de crescer. Na tela, palavras em letras garrafais, em tom assustador. É a estética do medo.

Em seguida, imitando a mesmíssima linguagem empregada na campanha de Fernando Haddad à Prefeitura — TELEFONE PARA UM AMIGO SEU QUE MORA EM SÃO PAULO E PERGUNTE O QUE ELE PENSA DO PREFEITO —, aparece Padilha, que encara a câmera e promete resolver tudo, indo às ruas. A exemplo de Haddad, ele tem “a resposta”, entenderam?

Como esquecer que Haddad resolveria o problema das creches, da urbanização (com um tal Arco do Futuro), do transporte público, do trânsito, da moradia, do crack… A cidade de São Paulo seria a Xangai da América do Sul. Agora é Padilha quem faz essa promessa em relação ao estado.

Prudentemente, o petista não fala, por exemplo, sobre a taxa de homicídios — a de São Paulo, hoje, é a mais baixa do país: 10,5 por 100 mil habitantes. O PT administra o Distrito Federal: a taxa de homicídios por lá é mais do que o triplo. Também governa a Bahia: é o quádruplo. Comanda o Sergipe: também é três vezes maior. A do Acre, sob a tutela dos companheiros há 15 anos, é mais do que o dobro.

Aí o leitor poderia dizer: “Ah, Reinaldo, mas, na esfera federal, eles são muito bons…” São? Em 2012, o Brasil ultrapassou de novo a fronteira dos 50 mil Crimes Violentos Letais Intencionais (homicídios e latrocínios), segundo a denominação do Anuário de Segurança Pública. Em número exato: 50.108. Para demonstrar como está preocupado com o assunto, o governo federal diminuiu a sua verba para a segurança pública e para os presídios.

Se o PT sabe como fazer, por que não põe em prática essa fantástica sabedoria no Acre, no DF, na Bahia, no Sergipe e no Brasil? É claro que existe o risco — o nome é esse — de Padilha vencer a eleição em São Paulo. E aí que Deus acolha em bom lugar a alma dos paulistas que pagarão por isso.

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