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“Ministro propôs acordo para me calar”, diz policial

Por Leandro Colon, no Estadão: Em entrevista exclusiva ao Estado nesta segunda-feira, 17, o policial militar João Dias Ferreira contradiz a versão do ministro do Esporte, Orlando Silva (PC do B), sobre o encontro entre os dois. Ferreira afirma que Orlando propôs, pessoalmente numa reunião em março de 2008 na sede do ministério, um acordo […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 10h28 - Publicado em 17 out 2011, 20h51

Por Leandro Colon, no Estadão:
Em entrevista exclusiva ao Estado nesta segunda-feira, 17, o policial militar João Dias Ferreira contradiz a versão do ministro do Esporte, Orlando Silva (PC do B), sobre o encontro entre os dois. Ferreira afirma que Orlando propôs, pessoalmente numa reunião em março de 2008 na sede do ministério, um acordo para que o esquema de corrupção na pasta envolvendo o Programa Segundo Tempo não fosse denunciado. O ministro diz ter se encontrado com Ferreira apenas uma vez, entre 2004 e 2005, para discutir convênios das entidades dirigidas pelo policial com o ministério.

Ferreira deu detalhes do encontro que diz ter tido com o ministro do Esporte em março de 2008. “O acordo era para que eles tomassem providências internas, limpassem meu nome e eu não denunciaria  ao Ministério Público”, afirmou. “O encontro foi na sala de reunião dele, no sétimo andar do ministério”, disse. Neste encontro, o policial disse que negociou com o ministro a produção de um documento falso para selar o acordo, já que o ministério cobrava cerca de R$ 3 milhões de suas entidades. “Nessa reunião com o Orlando, eles falaram em produzir um documento sem data. Ele foi pré produzido e consagrado. A reunião foi em março , mas eles colocaram um documento com data de dezembro de 2007 dizendo que eu encerrava o convênio. É um documento fraudado”, disse.

Duas semanas depois do encontro com Orlando, já em abril, uma nova reunião foi feita no ministério, desta vez sem a presença do ministro. Essa conversa, segundo o policial, ocorreu numa sexta à noite, e contou com dirigentes da pasta aliados do ministro. Ele diz ter gravado este encontro. O ministro afirmou no sábado ter encontrado o policial uma só vez entre 2004 e 2005, quando era secretário-executivo da pasta na gestão de Agnelo Queiroz à frente do ministério. “Foi a única vez que encontrei essa pessoa”, disse o ministro, em entrevista no México. Segundo o policial, esse encontro mencionado por Orlando jamais ocorreu. “Essa reunião que ele diz ter feito comigo nunca aconteceu. Não existe essa reunião. O ministro faltou com a verdade”, disse Ferreira. “O ministro esteve comigo uma vez, em março de 2008, para fazer um acordo com o pessoal dele para eu não denunciar o esquema”, disse.

Leia trechos da entrevista que será publicada nesta terça-feira na versão impressa de O Estado (mais Aqui):
O ministro Orlando Silva diz que se encontrou só uma vez com você, entre 2004 e 2005, na gestão do ex-ministro Agnelo Queiroz. É verdade?

Essa reunião que ele admite nunca aconteceu. Não existe essa reunião. O ministro faltou com a verdade. Ele esteve comigo uma vez para fazer um acordo com o pessoal dele para eu não denunciar o esquema.

Quando foi essa reunião?
Em março de 2008, estava toda a cúpula. Foi no ministério, no sétimo andar, na sala de reuniões do Orlando.

Por que houve essa reunião?
Eles já tinham proposto um acordo e eu disse que só admitia na presença do Orlando para ele homologar. E eu disse na reunião que descobri todas as manobras, a ligação dos fornecedores. Eles começaram a dizer que estávamos irregular a partir do momento que a gente não pagou os 20% iniciais e não admitiu os fornecedores que eles indicaram. Fomos rebeldes.
(…)

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